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Denise M. Osborne
Denise M. Osborne
06/03/2018, às 13:25:28
Por que a posse de armas é tão importante para os americanos?
Mais um massacre em escolas americanas aconteceu na última semana (14 de fevereiro de 2018). Um ex-aluno (19 anos) de uma escola de ensino médio, em Parkland, na Flórida, entrou na escola com um rifle AR-15 e matou 17 pessoas, entre alunos e professores. 
 
Esse massacre foi o oitavo no país, somente neste ano de 2018! É um dado assustador. Mas, o sistema não coopera: não há verificação de antecedentes quando alguém compra uma arma. Esse jovem atirador, por exemplo, já era conhecido do FBI por ter atitudes bizarras e violentas, por exemplo, usava símbolos nazistas na sua mochila e declarava nas redes sociais o seu desejo de se tornar um “atirador profissional nas escolas”. Nada disso impediu que ele comprasse um AR-15, planejasse e executasse seu plano.
 
Como um jovem de 19 anos tem o direito de comprar uma semiautomática, quando não pode por lei comprar uma cerveja na esquina? Como alguém que expressa abertamente o seu desejo de matar, demonstrando ter desequilíbrio mental, pode comprar um AR-15 sem problema nenhum?
 
A segunda emenda à constituição americana protege o direito das pessoas de possuírem armas. Essa emenda foi aprovada em 1791 e permanece sem mudanças. Muitos americanos veem esse direito como um dos mais importantes, pois os dá direito de defesa; um direito que o governo não pode interferir.
 
Evidentemente, não estamos mais vivendo o velho oeste americano de séculos passados, onde ter ou não ter uma arma podia custar a sua vida. Além disso, as armas daquela época eram de baixo potencial e não causavam massacres em tempo recorde (esse na Flórida durou apenas 3 minutos). Acima de tudo, entregar uma arma poderosa nas mãos de alguém que demonstra atitudes violentas e instabilidade mental é, no mínimo, extremamente irresponsável.
 
Novamente, os Estados Unidos volta a debater o direito de posse de armas e a necessidade (ou não) de verificar os antecedentes na compra de armas. O que me choca (como sempre tem me chocado a cada massacre que vivo nesse país) é o silêncio dos políticos americanos. Ninguém quer tocar em um assunto tão sensível e, assim, correr o risco de desagradar seu eleitorado, colocando em risco sua próxima eleição. 
 
Entretanto, nem todos os americanos pensam que a segunda emenda é intocável. Os estudantes, professores e pais dessa escola na Flórida estão organizando eventos em nível nacional para pressionar os políticos de Washington D.C. a criar leis de controle de armas. Os Estados Unidos é o país número um em massacres (são 90 desde 1966) e o número um em posse de armas (270 milhões). Não dá para fingir: o problema é sistêmico! Até quando?
 
Enquanto escrevo esse artigo, o presidente Donald Trump anuncia uma ordem executiva enviada ao Departamento de Justiça para regular a proibição dos “bump stocks”, que é um equipamento que faz com que as armas semiautomáticas se tornem automáticas, permitindo a sucessão rápida de vários tiros. Esse equipamento foi usado por outro atirador em Las Vegas, em 2017, quando atirou aleatoriamente em uma multidão que assistia um show de música country. Nesse dia, 58 pessoas morreram. Essa ordem é um começo! Uma luzinha no fim do túnel!
Clarim
Radix Comunicação e Tecnologia