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Denise M. Osborne
Denise M. Osborne
O Impeachment de Trump
15/01/2020, às 09:08:44
Donald Trump se tornou o terceiro presidente americano a sofrer impeachment (18 de dezembro de 2019). O seu impeachment era esperado, já que a Câmara dos Representantes tinha a maioria Democrata. Trump foi acusado de abuso de poder ao pressionar o presidente da Ucrânia, em um telefonema, a fazer uma investigação sobre os negócios de Joe Biden e seu filho naquele país. Biden foi vice-presidente no governo de Obama e, até este momento, é um dos candidatos Democratas mais fortes à corrida presidencial de 2020.

Trump não negou que essa conversa havia acontecido, mas disse que esse tipo de conversa não era ilegal e que quando ele pediu para o presidente da Ucrânia “fazer um favor para nós”, o “nós” significava os Estados Unidos e não um favor político pessoal a Trump. Enquanto a votação na Câmara dos Representantes acontecia, advinha onde estava Donald Trump? Em um comício, em uma cidade de Michigan, todo energizado, falando para um ginásio cheio de seus admiradores. Se Trump estava preocupado, não era o que demonstrava.

Essa (aparente) tranquilidade de Trump, a meu ver, deve, em grande parte, estar relacionado com o futuro mais ou menos previsível do impeachment. Aqui nos Estados Unidos, impeachment não significa remoção imediata do cargo, como acontece no Brasil. O processo segue para o Senado que deverá votar pela remoção ou não do presidente do cargo. Como a maioria do Senado é Republicana (o partido de Trump), é praticamente certo que sua remoção será rejeitada, e tudo vai voltar a ser como antes.



Uma coisa que tem me impressionado bastante é como o processo de impeachment tem sido desconectado com o povo americano. O povo não tem participado. Talvez uma exceção seria uma passeata tímida que ocorreu na cidade de Nova York no dia da votação, em apoio ao impeachment. Entretanto, o processo tem sido político e praticamente ausente da participação popular, o que o enfraquece, a meu ver.

Possivelmente, Trump sairá ainda mais forte de tudo isso. Ao gastar toda a sua energia no impeachment, os Democratas não se concentram nos seus próprios candidatos à presidência de 2020 que até o momento não têm se destacado em termos de propostas políticas, com poucos momentos de relevância.

Trump ao contrário, nunca parou de fazer comícios. Praticamente, toda semana desde que Trump começou o seu mandato, ele tem feito comícios em cidades dos Estados Unidos, sempre transmitidos pela rede de televisão Fox News que o apoia. Essa estratégia de Trump reforça o imaginário de um político conectado com seu povo.

Os Democratas, por outro lado, têm tido mais dificuldades de mostrar essa conexão com o povo. Lembro-me de uma entrevista de Hillary Clinton para a televisão em que o repórter lhe disse que a maioria das mulheres não havia votado para ela. Hillary corrige o repórter dizendo que “as mulheres sem estudo” foram as que não votaram para ela, insinuando uma crítica preconceituosa. Em outro momento, Hillary chama as pessoas que apoiavam Trump de uma “cesta de deploráveis”. Esse tipo de arrogância afasta o homem e a mulher americana comum dos Democratas.

É bem provável que Trump seja reeleito, apesar das críticas que recebe. Além da dificuldade que os Democratas têm demonstrado em se conectar com o povo americano comum, algo que Trump sabe fazer, a economia americana está indo muito bem. O Estados Unidos vive a menor taxa de desemprego dos últimos 50 anos: 3,5% (para efeitos de comparação, veja que o Brasil tem uma taxa alta de 11,8%). Os Democratas teriam que repensar suas estratégias, aprender a ouvir mais o povo americano comum e considerar suas necessidades, incluindo todos no processo e não apenas uma elite intelectual engajada.

Denise M. Osborne é araxaense, professora na University at Albany (State University of New York, EUA) e doutora pela University of Arizona em Aquisição e Ensino de Segunda Língua. E-mail: dmdcame@hotmail.com
Clarim
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