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Rodrigo Farnesi de Araujo
Rodrigo Farnesi de Araujo
19/02/2018, às 08:00:24
Por que não reformar tudo?
O Executivo Federal retomou as estratégias no início do ano para tentar finalmente aprovar a tão falada Reforma da Previdência. Adotando um discurso alarmista de que no futuro não haverá condições de pagar aposentadorias em caso de ausência da reforma, pressiona a base aliada de forma incisiva, mas encontra resistência até mesmo em partidos considerados governistas.

Alguns analistas econômicos contestam a necessidade da reforma diante de algumas posturas adotadas pelo Governo, como desonerações tributárias concedidas a empresas e que retiraram da Seguridade Social cerca de R$ 170 bilhões, além de ser omisso e inerte em cobrar dívidas de empresários com o INSS que chegariam a R$ 350 bilhões. Ademais, segundo os especialistas, o Governo também retira recursos da Seguridade para financiar outras despesas.

Reformas quando necessárias são sempre bem vindas. Entretanto, é preciso que as mesmas sejam realizadas de forma ampla, e não atinjam somente determinados segmentos da sociedade.

Vejamos alguns dados: a média do valor de aposentadorias paga pelo INSS é de R$ 1.600, enquanto que a média dos aposentados do Poder Executivo é de R$ 9.000. Já a média de valor dos aposentados do Poder Legislativo é de R$ 26.000, do Poder Judiciário de R$ 25.000 e, do Ministério Público, incríveis R$ 30.000.

Enquanto o dito setor público consome R$ 115 bilhões para bancar 1 milhão de aposentados, o setor privado (INSS) gasta R$ 500 bilhões para garantir o sustento de 33 milhões de aposentados. Mais números: enquanto o déficit do Sistema Geral de Previdência Social (INSS) de 2001 a 2015 foi de R$ 450 bilhões para atender 29 milhões de pessoas, o déficit do sistema de previdência do setor público (servidores públicos aposentados de todos os poderes e órgãos) no mesmo período somou R$ 1,3 trilhão para atender 1 milhão de pessoas.

Ora, não é preciso ser nenhum gênio da economia para concluir que há algo de muito errado e extremamente injusto nessa situação.

Nosso país não pode mais conceder tantos privilégios a uma pequena parcela da comunidade em detrimento de grande parte da sociedade. Se é necessária a Reforma da Previdência como quer o Governo, é imperiosa a reforma dos valores de pagamento pagos aos aposentados do setor público.

Mais reformas precisam de aplicação imediata, pois não é mais concebível tantos privilégios a tão poucas pessoas que fazem parte da população brasileira.

O Senado Federal somente com as remunerações dos senadores despende mais de R$ 3 milhões todo mês. Deputados federais custam mais de R$ 1 bilhão por ano aos contribuintes, entre subsídios e vantagens. O Executivo Federal gasta mais de R$ 65 milhões mensais somente com cargos comissionados e de confiança. Em 2016, o Poder Judiciário custou quase R$ 85 bilhões. Segundo analistas, o Ministério Público brasileiro é o mais caro do mundo. Gastos com auxílio-moradia para servidores com remunerações consideráveis somam bilhões de reais. E que não se crucifique somente o Poder Judiciário como vem sendo feito, eis que servidores de outros poderes e órgãos públicos também possuem tal benefício. E há de se considerar que muitos servidores públicos possuem inúmeros outros acréscimos em suas folhas de pagamento por conta de vários adicionais. São apenas alguns exemplos de gastos.

Podemos pensar em Reforma da Previdência sim. Mas a reforma da máquina pública é fundamental, essencial e imprescindível. Não é justo e sequer razoável que o Poder Público gaste bilhões e bilhões em benefícios e privilégios a poucos, em detrimento de mais investimentos em saúde, educação, segurança pública e tantos outros.

Os gastos absurdos que a quase totalidade da população desconhece justificam os impostos desumanos que nos são cobrados todos os dias. Alguém precisa pagar a conta. Que é muito cara. Somente a consciência popular poderá mudar a mencionada situação. A população precisa ter mais interesse em saber para onde vai o dinheiro dos impostos e cobrar uma mudança de atitude de nossos governantes. Mas deve ser uma atitude sem hipocrisia e conveniência. Reformas devem ser profundas e atingir a todos, pois pau que bate em Chico também tem que bater em Francisco.

Clarim
Radix Comunicação e Tecnologia