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EDITORIAL - O que é bom para Araxá
06/11/2017, às 09:20:30
Os políticos da terra que pretendem disputar as Eleições de 2018 devem se perguntar: o que é bom para Araxá? É preciso sobrepor os interesses da cidade não só aos pessoais como também aos políticos/partidários que seguem uma legislação ainda muito falha. O melhor para Araxá é ter candidaturas próprias para deputado estadual e federal, com chances de eleição. A cidade que por duas décadas lamentou a falta de representatividade na Assembleia Legislativa de Minas Gerais, atualmente carece dela na Câmara Federal.

Não é nada complicado entender que Araxá precisa de representantes locais nas esferas de poder municipal, estadual e federal que se convirjam e trabalhem em prol da coletividade, com toda a força positiva conjunta e não contrária entre si. Sob pena da política personalista e fisiológica continuar a impedir que o município se desenvolva a altura do seu potencial, com o necessário trânsito e peso junto aos governos estadual e federal justamente pela capacidade de trabalho conjunto, de agregar e não desassociar como tem ocorrido. Apesar da importância do município que embora pequeno é estratégico e rico, o Estado e a União não têm dado a mínima, principalmente porque a classe política araxaense não consegue se articular, agir no mesmo sentido.

O conceito original da palavra “política” é o de “politéia”, referente às cidades-estados da antiga Grécia chamadas “pólis”, que eram independentes e possuíam as próprias leis e estruturas sociais e econômicas. Então, política no sentido etimológico, literal, é a competência de gerir as “pólis”. Na pós-modernidade, a definição mais comum para política teoricamente não foge desse raciocínio porque é a “arte e ciência de governar”. Ou seja, fazer política ainda deveria ser buscar o melhor para as “pólis”, porém não tem sido assim e, para sair do fundo do poço, o Brasil precisa retornar a essa origem, porque nos municípios acontecem os problemas e as soluções que afetam diretamente a população. Se os municípios não se fortalecem porque a importância deles passou a ser diminuta no conceito federativo, essa reação deve vir de baixo para cima. É preciso eleger políticos municipalistas que não só idealizem como se posicionem em defesa da maior autonomia possível para os municípios, porque é onde vivemos. Os governos distantes, enquanto Nação e Estado têm levado o país à bancarrota.

Até o presente momento, um ano antes da disputa eleitoral de 2018, somente duas lideranças da cidade demonstram claramente a pretensão de representá-la nos parlamentos estadual e nacional. O deputado estadual Bosco que tem se posicionado no sentido de buscar a reeleição e o ex-vereador e ex-candidato a prefeito Mauro da Silveira Chaves que se dispõe a disputar o pleito para um ou outro cargo conforme o fechamento de uma aliança com foco em Araxá. Então, à primeira vista, não deve haver qualquer dificuldade de composição e Araxá pode ter uma chapa de candidatos a deputados estadual e federal que trabalhem juntos para obter o maior número de votos, praticamente assegurando a eleição deles dependendo do partido que vão escolher para disputar o cargo.

Afinal de contas, da última vez que o eleitorado de Araxá não foi dividido politicamente, elegeu em 1990 a dobradinha Aracely de Paula como deputado federal e Elisa Maria Alves como estadual, pouco depois da reabertura política do país que ocorreu em 1984 com o fim da ditadura militar. Porém, de lá para cá, a injusta luta pelo poder é o que caracteriza a política nacional que, por sua vez, repercute nos municípios. E em alguns de forma mais marcante, como tem sido em Araxá. É perceptível como nesses últimos 30 anos, apesar dessa conquista inicial, o município só vem perdendo em termos de representatividade política. É só falar que demorou mais de vinte anos para a cidade eleger de novo representantes nas esferas estadual e nacional para depois retroceder. Hoje, é possível contar nos dedos de apenas uma mão o que resta de expressivo em termos de lideranças políticas do município. Impera a desconfiança ao invés das alianças a favor de Araxá, onde é praticada uma política de aparências para a população e, nos bastidores, de extrema competitividade que perdura após os pleitos. É um jogo desleal de táticas nada éticas para conquistar ou se manter no poder, o que tem feito muito mal à população, com expressiva concentração política em detrimento da cidade.

O pré-candidato Mauro ainda sem partido e definição sobre qual cargo pretende disputar afirma que decidirá antecipadamente, ao final de novembro próximo. Ele diz que até lá depende de viabilizar as alternativas que tem em termos político/partidário, admitindo que o melhor para Araxá é compor com Bosco, em qualquer das posições, caso ele seja candidato à reeleição ou se preferir a candidatura a deputado federal. Por outro lado, é o momento do Bosco resolver mesmo a questão, inclusive porque deve estar ciente que os resultados para Araxá não têm sido satisfatórios. Ao ser reeleito para o segundo mandato, ele decidiu descolar-se do grupo que perdeu as eleições para o governo do Estado liderado por Aécio Neves (PSDB) e partir para uma postura de apoio político ao então novo governador Fernando Pimentel (PT). Até aí, tudo certo, passadas as eleições é preciso mesmo estar desarmado, ter um bom trânsito para canalizar decisões e recursos em prol dos municípios que representa e lógico que dentro dos limites da boa prática política. Assim, ele conquistou a vice-liderança do governo do Estado na Assembleia Legislativa. Porém, o seu trabalho não tem sido correspondido à altura, pelo menos em relação a Araxá. Atualmente, o que existe é uma crise política no município decorrente da postura distante da Companhia de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais (Codemig) que representa o governo do Estado e não reconhece a importância de Araxá.

Bosco precisa do respaldo popular, porém é preciso conquistá-lo, a essa altura do campeonato, independentemente de ter perdido antigos aliados políticos que hoje são oposição e ainda não ter merecido a devida correspondência do grupo da situação no Estado perante Araxá. Se ele decidir candidatar-se novamente a deputado estadual, para ficar mais tranquilo tanbém precisa manter ou crescer a votação obtida em Araxá no pleito de 2014 de mais de 40 mil votos. O que será muito mais fácil se conseguir unir o eleitorado em torno de si, compondo com um candidato a federal da terra, cujo único nome disposto é justamente Mauro que sinaliza essa possibilidade, apesar de terem sido adversários políticos nas eleições municipais de 2016. Mauro ainda o coloca na posição de inverter essa chapa, Bosco pode optar por concorrer a federal e ele a estadual.

Clarim
Radix Comunicação e Tecnologia