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EDITORIAL - Importante alerta
27/11/2017, às 08:57:51
Para o município adotar políticas públicas de combate ao desemprego, precisa conhecer pelo menos basicamente a sua realidade socioeconômica. Especialmente, acompanhar a dinâmica do emprego versus desemprego, de olho nas oportunidades de crescimento. Em Araxá, essa questão vem à tona com as demissões em massa ocorridas desde outubro passado, quando cerca de 300 trabalhadores perderam o emprego, a maioria da indústria de produtos minerais não metálicos representada primordialmente pela Vale Fertilizantes.

O município não deveria ter sido surpreendido por essa realidade, mas foi porque primeiro acreditou nos planos da empresa que já estava à venda, especialmente de que o Projeto Patrocínio seria a salvação da unidade local. Por algumas vezes, esses diretores foram recebidos no Gabinete a portas fechadas, sem a participação da imprensa que na sequência era informada que tudo estava muito bem, que a empresa estava priorizando a contratação de mão de obra local, que cumpriria a sua cota de responsabilidade social etc. Impressão positiva que se alastrou junto à comunidade ávida de boas notícias. Hoje, as demissões acontecem à revelia do impacto provocado no município que, se tem informações sobre o processo de transferência da Vale Fertilizantes para a Mosaic, se vai culminar com o fechamento da unidade, quantos perderão o emprego e a real repercussão desse fato etc., as mantêm em sigilo.

Assim como é cômodo e politicamente correto dizer que Araxá passa ao largo da forte crise nacional, porque está em franco crescimento. À primeira vista, fica essa impressão principalmente porque dos 25,8 mil empregos formais existentes no município, cerca de um quinto é gerado pela prefeitura, inchada de servidores que na sua maioria ganha o piso salarial ou um pouco mais, mas de qualquer forma abaixo do mercado. Uma das medidas que tem mantido essa capacidade da prefeitura de empregar, inclusive através das obras que tem executado, é a revisão tributária com a efetiva cobrança da imensa dívida ativa, de cerca de R$ 50 milhões. Ainda bem, mas essas medidas que asseguram a capacidade da prefeitura de não deixar a peteca cair deveriam vir acompanhadas de outras que explicitassem uma gestão realmente empreendedora, que descortinassem a diversificação da economia do município, o aproveitamento da chamada indústria criativa, o maior apoio aos comerciantes e prestadores de serviços, especialmente micro e pequenos empresários.

Porém, num momento em que deveria investir mais para tentar assegurar os empregos existentes e ainda fazer a cidade crescer na contramão do caos nacional, a prefeitura tem reduzido ou mesmo suprimido algumas ações. Os investimentos em saúde, educação, segurança e mobilidade urbana são prioridades, mas não suprem todos os outros. Realmente, o uso de recursos públicos em serviços e obras de interesse coletivo é muito importante, desde que acompanhado de um franco desenvolvimento da iniciativa privada. De forma que o município não se torne tão dependente da prefeitura como tem sido historicamente, o que inclusive influi fortemente na política local e, negativamente, ao final das contas.

É incontestável o bom trabalho que vem sendo realizado pelo Sine Araxá quanto à recolocação de pessoas no mercado de trabalho, inclusive o social sob o ponto de vista do atendimento humanizado e orientação. Mas, os dados gerados pelo movimento na agência não refletem o mercado de trabalho total no município. De acordo com os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) do Ministério do Trabalho baseados no emprego formal, considerando todos os setores e subsetores de atividades econômicas, as demissões superaram as admissões em Araxá de janeiro a setembro de 2017, resultando numa variação absoluta negativa de -302 empregos. Mesmo que o resultado específico de setembro tenha sido positivo, com 188 admissões a mais do que desligamentos, a tendência continua sendo de queda do emprego na cidade. O atípico resultado de setembro pode ser atribuído em boa parte ao reaquecimento da construção civil, com expressiva participação das obras da prefeitura. E em outubro, apesar das 160 vagas preenchidas devido à abertura do Mart Minas houve quase o dobro de demissões.

A receita no combate ao desemprego no município, Estado ou país é uma só, a busca do crescimento. É dinamizar o mercado interno através da aplicação de recursos na infraestrutura econômica, social e produtiva da cidade para que ocorra a recuperação da renda da população. É preciso reverter esse quadro de desemprego estabelecido na cidade desde janeiro passado, com as empresas fechando e ou reduzindo seu quadro de pessoal, muitas dependendo quase que exclusivamente dos recursos despendidos pelo poder público, direta e indiretamente. Existem medidas mitigadoras do desemprego e as eficazes são planejadas em cima de um diagnóstico real da situação - onde, como e porque o município pode se desenvolver e perseguir essas metas através de parceria equilibrada entre o público e o privado. No site da prefeitura, os dados da atividade econômica do município datam de 2015 e, até hoje, não existe um banco de dados completo que subsidie essas ações. Parece que Araxá segue a esmo, experimentando, com resultados esporádicos que não estão interligados e nem guardam perspectivas futuras de propulsionar o seu desenvolvimento econômico.

Os jovens têm que ter acesso a algum tipo de renda através de bolsas/estágios, cursos profissionalizantes e de capacitação para o emprego. As micro e pequenas empresas precisam de crédito e de apoio para não fecharem com a crise. As iniciativas populares e solidárias de atividades econômicas na produção de bens e serviços devem ser amparadas, orientadas, incentivadas. Também é necessário fomentar a cultura e o turismo inclusive com recursos, ainda mais em Araxá.

Clarim
Radix Comunicação e Tecnologia