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EDITORIAL - Alvissareira cidade
19/12/2017, às 10:00:01

Há dez anos, explodia a crise econômica mundial que evoluía desde o início dos anos 2000. Porém, veio mesmo à tona para todo o mundo em 2008, quando as hipotecas podres levaram à falência o Lehman Brothers (EUA). E o que acontecia no Brasil e, especificamente em Araxá, quando todo o mundo passou a enfrentar a maior depressão desde a segunda guerra mundial? Uma década depois, a situação de Araxá que completa 152 anos como cidade no próximo dia 19 não é muito diferente da de antes, continua alvissareira, porém pouco aproveitada. Já a do Brasil, está bem pior.

No primeiro semestre de 2008, o Brasil gabava-se da condição de ser a 6ª economia mais promissora do mundo. Em Araxá, o cenário à época também era de crescimento, porém mais emergente do que o do país. Principalmente, havia grande expectativa em decorrência dos investimentos iniciados pela Companhia Brasileira de Metalurgia e Mineração (CBMM) para duplicar a sua produção. Pouco tempo depois, a partir do segundo semestre de 2008, houve o grande abalo na economia americana. O então presidente, Luiz Inácio Lula da Silva, dizia que o Brasil enfrentava uma “marolinha”, apesar do “tsunami” que devastou a economia americana à época. Porém, aos poucos essa euforia esvaneceu-se diante da continuidade da crise internacional. Em 2011, no seu primeiro ano de governo, a presidente Dilma Rousseff dizia que a “marolinha” tinha virado “onda”, porque o país enfrentava o reflexo da crise que também abalava drasticamente a Europa, onde em alguns países a taxa de desemprego chegou a 27%.

À época, no final de 2008, as perspectivas em Araxá eram a de que a crise impactaria fortemente na sua economia a partir de 2011/2012, quando se refletiria no Valor Adicionado Fiscal (VAF), cujo cálculo leva em consideração os dados da economia no município referentes aos dois últimos anos. O que não ocorreu apesar das previsões pessimistas que levaram ao excesso de precaução, com a prefeitura reduzindo as suas despesas e, por consequência, a sua importante participação na economia local em até 25%, inclusive com o agravamento do achatamento salarial do funcionalismo público municipal. O fato é que mesmo com esse desaquecimento que passou a ser de praxe mediante a continuidade da crise, a arrecadação efetiva do município triplicou nos últimos dez anos. Independentemente da difícil conjuntura mundial e inclusive da recessão na economia brasileira agravada pela crise política, a receita municipal registrou sucessivos superávits, pulando de cerca de R$ 100 milhões em 2008, para R$ 167 milhões em 2011, R$ 260 milhões em 2015 e, atualmente, estimada em R$ 365 milhões para 2018.

No entanto, esse crescimento da receita municipal não está impactando tão positivamente na economia local. Boa parte dessa arrecadação de Araxá que em momento algum seguiu a maré mundial se deve ao aumento do índice de participação do município no bolo de ICMS do Estado, além de uma efetiva ação fiscal da administração municipal com recuperação da dívida ativa. Tanto que no início de 2014, a prefeitura tinha cerca de R$ 50 milhões em caixa. Em meados daquele ano, só em repasse para as entidades filantrópicas durante os governos interinos foram mais de R$ 10 milhões. A arrecadação municipal chegou a R$ 280 milhões em 2015, embora estivesse estimada em R$ 300 milhões considerados exorbitantes, mas efetivamente alcançados já em 2016.

Com algumas exceções, como o setor da construção civil que ultimamente deu uma recuperada, a grande maioria das empresas da cidade encerra este ano com dificuldade. O índice negativo da empregabilidade no município evidenciado inclusive no número de portas fechadas que pode ser visto no comércio local, demonstra que Araxá não tem crescido como a arrecadação municipal. Existe a necessidade dos recursos públicos serem mais e melhor investidos no incremento da economia do município como um todo. A prefeitura tem que conduzir as potencialidades do município sendo mais parceira nos seus diversos segmentos, especialmente no turístico/cultural que apesar do potencial ainda deixa muito a desejar. Para impulsionar, criar novas alternativas e agregar valor, o poder público não pode competir com as empresas locais, inclusive como acontece na busca de patrocínios para as suas ini-ciativas, enquanto deveria sim investir recursos próprios em atividades que beneficiam a economia local.

Se o turismo retrocedeu nos últimos dez anos, a comunicação social e outras prestações de serviços afins da mesma forma, enfrentando a desqualificação e desvalorização das empresas que passaram a ser niveladas por baixo, sem que sejam considerados os seus diferenciais, portanto, não há meritocracia nesse tratamento que é desestimulante. O que passa a existir é o perigoso risco de se sobreporem os interesses políticos aos da coletividade, dada à dependência que se cria com a centralização dos recursos públicos. O que é bom para a coletividade, para o desenvolvimento sustentável do município, às vezes se esbarra com a vontade individual dos que estão no poder e próximos dele, por isto, é preciso especial discernimento do que é público e privado e também bom senso no exercício de servir à população. A política pública precisa ser mais desenvolvimentista do que tem sido, fazer girar mais do que dominar a economia.

Nesses 152 anos, apesar de tudo, Araxá continua esperançosa, promissora, auspiciosa...

Foto: Celso Flávio
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