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EDITORIAL - Sinal de alerta
01/02/2018, às 08:13:05
De acordo com o Programa de Disseminação das Estatísticas do Trabalho (PDET) do Ministério do Trabalho (MT), com base no Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), o saldo de empregos formais em Araxá é negativo de janeiro a novembro de 2017, enquanto na microrregião, no Estado e no país é positivo.

O número total de empregos formais registrado em Araxá em 1º de janeiro de 2017 era 25.825, gerados por 5.378 estabelecimentos, considerando todos os setores da economia. No decorrer do ano passado, de janeiro até novembro porque os dados de dezembro/2017 ainda não estão disponíveis no Caged, houve 50,63% (12.160) desligamentos e 49,37% (11.859) admissões no município, então, a variação absoluta neste período foi de – 301 empregos. Já no Brasil, essa variação é positiva (+ 205.110 empregos), assim como em Minas Gerais (+ 51.884) e na microrregião (+ 573). No ano passado, o município andou na contramão do restante do país, mesmo com as contratações divulgadas pela prefeitura na área da construção civil para a execução de suas obras e também em decorrência da vinda de novos empreendimentos, como o Mart Minas. Já em 2016, esse saldo no município foi positivo em mais 329 empregos, com 50,62% admissões e 49,38% desligamentos. Então, se antes Araxá não sentia a crise como o restante do país, agora esta situação se inverte.

As três ocupações que mais sentiram essa variação negativa do emprego em Araxá nesses onze meses de 2017 foram operadores de carregadeira (-151), de caminhões em minas e pedreiras (-75) e pedreiros (-56). Já as ocupações que registraram um saldo positivo no mesmo período foram técnico em enfermagem (86), motorista de caminhão em rotas regionais e internacionais (83) e operador de máquinas na construção civil e mineração (39). Pelo menos por enquanto, porque os dados relativos a dezembro/2017 ainda não estão disponíveis, o vilão desse número negativo não foi a indústria de produtos minerais não metálicos que inclui 45 estabelecimentos no município, inclusive a antiga Vale Fertilizantes, já que no período considerado a variação absoluta neste setor foi positiva (+ 18 empregos), com 157 admissões e 139 desligamentos.

Esses números devem ser entendidos como um sinal de alerta para que não se repitam ou mesmo se agravem em 2018. Não é possível que Araxá continue a apresentar um quadro recessivo, enquanto o país com toda a alardeada crise e, mesmo Minas Gerais, comecem a reagir com previsões mais otimistas para 2018. Que matemática é essa do governo municipal que apesar de arrecadar mais ano a ano, especialmente em decorrência de uma severa ação fiscal, apresenta esse quadro recessivo no indicador que mais afeta a população, o emprego. Nessa aflição, ao invés de oxigenar a economia local, o município tem cortado gastos e investido menos, contribuindo ainda mais com a recessão ao invés de agir para revertê-la.

Já não é possível dizer que Araxá tem passado à margem da crise, porque a empregabilidade é condição “sine qua non” para a qualidade de vida. Existe a necessidade de incrementar setores promissores da economia local como o turismo, o agronegócio e a chamada indústria criativa com incentivos e investimentos públicos e privados, especialmente em infraestrutura e logística. Quanto ao setor de mineração, se por um lado a Companhia Brasileira de Metalurgia e Mineração (CBMM) volta a crescer, o que não ocorria desde 2008; por outro existe muita insegurança quanto ao funcionamento da unidade de produção de fertilizantes que pertencia à Vale e agora passa a ser comandada pela Mosaic, principalmente porque está ultrapassada e a extração do fosfato que resta no município já não atende a relação custo/benefício.

Enquanto a situação econômica se agrava, as lideranças políticas e empresariais da cidade estão arrefecidas, desagregadas, sem objetivos comuns. Pelo menos, é o que se apresenta para a população em geral.
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