Logo
Araxá / MG - , -
Clarim no WhatsApp (34) 98893-8381
Menu
EDITORIAL - A convergência que falta
09/03/2018, às 16:50:03
Os agrupamentos políticos de Araxá se revezam no poder a cada tempo eleitoral como aliados ou concorrentes, conforme interesses pessoais pautados pela conveniência partidária e que se sobrepõem aos da cidade. Não é à-toa que o município ao invés de aumentar a sua representatividade regional vem só perdendo espaço, especialmente para os mais próximos que têm tido mais visão política na acepção da palavra, como os vizinhos Patrocínio e Patos de Minas. 
 
Por mais que Araxá se gabe do seu potencial e da sua tendência cosmopolita tem ficado para trás, porque não domina o consenso, a convergência de forças políticas a favor de causas comuns. É uma pena, mas o leva e traz, o puxa tapete, os boatos infundados, as meias verdades ainda fazem parte do contexto político da cidade. Quiçá Araxá possa aproveitar as Eleições Gerais de 2018 para começar a mudar esse deprimente quadro, com candidaturas próprias e polarizadas para deputados estadual e federal que possam contar com o amplo apoio do eleitorado local aumentando as chances de eleição destes representantes. 
 
Existe um desenho nesse sentido através dos pré-candidatos a deputado estadual Bosco e a federal Mauro Chaves. É justamente o fato de representarem diferentes grupos políticos que pode servir de liga para uma união em torno de suas candidaturas, inclusive dos partidos com representatividade local. Como deveria ser em respeito ao seu espaço, Bosco pôde escolher se queria candidatar-se a deputado federal ou à reeleição como estadual, Mauro deixou claro que aguardaria a sua decisão para não disputarem o mesmo cargo dividindo o eleitorado. Ele acabou decidindo-se pela tentativa de reeleição a estadual por alguns motivos, um deles sem dúvida é o Avante (antigo PTdoB). 
 
Bosco está nesse partido desde a primeira eleição para o cargo conquistada às duras penas em 2010, sem o apoio da situação para a qual tinha perdido as Eleições Municipais de 2008. Além da perseverança e invejável disposição para o trabalho político, ele também conseguiu alcançar a cadeira porque a estratégia do PTdoB funcionou como previa. Bosco foi eleito com 31.455 votos dos quais 22.382 foram de Araxá, representando 45,52% dos votos válidos. 
 
Após o primeiro mandato, ele manteve-se no PTdoB e foi reeleito deputado estadual em 2014 com muita sobra, conquistando 72.535 votos dos quais 41.689 em Araxá, representando 81,96% dos válidos, ou seja, mais do que dobrando a sua votação. Liderado pelo deputado federal Luís Tibé que é candidato à reeleição, o Avante mantém a mesma estratégia na composição das chapas proporcionais desde a sua criação como PTdoB, de forma a assegurar a eleição dele e ainda fazer pelo menos mais uma cadeira para contemplar as demais candidaturas da chapa, tem dado certo. 
 
Portanto, com a votação obtida em 2014 Bosco espantaria as chances de eleição dos demais pré-candidatos a deputado federal da chapa encabeçada por Tibé, que os escolhe a dedo dentro de uma mesma média de eventuais votos. Já como candidato a deputado estadual, Bosco encabeça a chapa do Avante em termos de expectativa de votação para a Assembleia Legislativa e ainda ajuda a assegurar a eleição de pelo menos o segundo mais votado. Além do mais, na política brasileira “o mar não está para peixe” e, assim, ele fica mais tranquilo quanto a assegurar a sua eleição. E caso conquiste o terceiro mandato, Bosco pode ampliar os contatos que já conquistou nos dois primeiros com vistas aos futuros projetos. Para Araxá, significa manter o importante espaço na esfera estadual reconquistado em 2010 com Bosco depois de uns vinte anos sem esta representatividade.
 
Como Bosco manifestou-se em busca da reeleição a deputado estadual, restou ao Mauro buscar a cadeira na Câmara Federal, com certeza um desafio mais difícil, mas ele não tem nada a perder. Na bagagem, Mauro carrega o feito de ter obtido 23.216 votos para prefeito nas eleições de 2016 que representam 41,69% dos válidos, após ter estreado na política como vereador. Essa votação o credencia à disputa proporcional em 2018 e, como cumpriu bem o primeiro mandato eletivo, quase não tem rejeição. 
 
Com esse potencial, Mauro recebeu convites de vários partidos para disputar as eleições deste ano inclusive do próprio Avante para compor a chapa de candidatos a deputado federal. Embora tenha dito que pretendia definir o quanto antes o partido pelo qual deve concorrer ao cargo, ele preferiu a prudência porque ainda não tomou essa decisão. Inclusive, o Bosco se quiser pode ser um facilitador para que ele opte pelo Avante e assim formalizem uma dobradinha que cairia muito bem junto ao eleitorado local, aglutinando o potencial de votos de cada um. 
 
Se não der certo, Mauro tem outras opções para se filiar em partidos menores, onde calcula precisar de uns 40 mil votos para ser eleito deputado federal. Uma votação que não fica distante se ele conquistar mais de 80% dos votos válidos para o cargo em Araxá, inclusive como já ocorreu antes para a reeleição de Bosco a estadual. E mesmo sem estarem no mesmo partido, os dois podem e devem fechar pelo menos um acordo político em prol de Araxá. No mínimo, eles não devem apoiar candidatos de fora de Araxá a deputado estadual e federal. 
Compartilhar no WhatsApp
Clarim
Radix Comunicação e Tecnologia