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EDITORIAL - Simbiótica relação
27/03/2018, às 08:51:37

Dos 152 anos enquanto cidade, a Companhia Brasileira de Metalurgia e Mineração (CBMM) está fortemente presente em mais de um terço da história de Araxá. Ambas têm uma relação simbiótica, são interdependentes na própria existência. Em Araxá, ocorreu a descoberta do nióbio nos anos 1960 pela companhia, seguida do desenvolvimento do processo para a geração dos seus produtos e tem sido constante o seu desafio em busca de novas aplicações para a ampliação desse mercado mundial. Essa experiência adquirida no município é o que permite à CBMM responder por 70% do mercado de nióbio no mundo. O crescimento da companhia, seja tem termos de conhecimento ou riqueza, também é o de Araxá.

Toda atividade mineradora causa impactos e não é diferente com a operação do nióbio, tanto que CBMM e Araxá também dividem os ônus oriundos dessa inter-relação. Mas as cobranças levaram ao aperfeiçoamento ambiental de todo o processo de exploração e produção do nióbio conduzido pela companhia que inclusive desativou a sua antiga unidade industrial na área do complexo do Barreiro, com a construção da atual situada no acesso à MG 428 (Araxá/Franca). O município soube cobrar em meados da década 1980, quando tudo ainda era muito novo em termos de legislação ambiental no país. Na época, a assinatura do Pró-Araxá entre o município, governo do Estado e as mineradoras CBMM e Arafertil foi um marco no estabelecimento de limites que impediram uma maior degradação do Barreiro. A diferença é que a CBMM persegue o crescimento sustentável até pela própria natureza do que produz para tornar o mundo melhor. A companhia desenvolve e utiliza a própria tecnologia em benefício próprio, do espaço que ocupa, de seus funcionários e de Araxá por extensão. Um recente exemplo é a Scooter movida à energia solar.

Ainda naquele tempo de resgate, a CBMM foi a primeira empresa de metalurgia e mineração a obter a certificação ISO 14001 e continua crescendo preocupando-se com a responsabilidade social e ambiental que estende-se por toda Araxá. Não há como negar os danos passados mesmo que já sejam remotos, porém hoje nada acontece na empresa que não seja mitigado, que esteja em desequilíbrio com o meio ambiente. O que se vê é a responsabilidade da companhia em todos os aspectos, especialmente os referentes à qualidade de vida, o que pode ser constatado pelos resultados dos ininterruptos monitoramentos relativos ao ar, água e solo.

Hoje, 90% da produção da CBMM são destinados à indústria siderúrgica que utiliza o ferro-nióbio para deixar o aço mais resistente e ao mesmo tempo mais leve – basta pensar no que isto significa em temos de sustentabilidade. No entanto, as siderúrgicas produzem 1,7 bilhão de toneladas de aço por ano e a CBMM vende 100 mil toneladas de nióbio que representam um terço aquém da sua capacidade de produção. Já que o nióbio melhora as propriedades do aço e, consequentemente, a qualidade do que é feito com a sua utilização, falta criar demandas que ampliem esse mercado. O nióbio reduz a utilização do aço tornando-o mais acessível e com menor custo e o mundo precisa saber disso, a exemplo da motocicleta do projeto Niobium Solar Mobile. O aço interligado ao nióbio diminuiu o peso da Scooter porque é mais resistente e, por isto, utilizado em menor quantidade na sua estrutura, permitindo ser movida com motor elétrico abastecido pela energia solar que é renovável e não poluente e com mais autonomia. O que descortina muitas possibilidades, como a fabricação de baterias inteligentes com o uso do óxido de nióbio. Quem sabe, a própria CBMM possa querer fabricá-las no futuro, assim como outros produtos que possam ser criados a partir de novas aplicações com o ferro-nióbio e o óxido de nióbio. Para que a comunidade compartilhe desse avanço, a CBMM doará para o município um container adaptado como estação solar que não só abastece como também pode transportar quatro motocicletas Scooter que atingem até 100 quilômetros por hora.

Os 10% restantes da produção de nióbio que não são destinados à siderurgia suprem a demanda de outros produtos para uma série de aplicações atuais, o que pode vir a ser muito mais no futuro próximo. “Vejam os caminhões na mina que estão trabalhando com aço-nióbio e, daqui de Araxá, com essa experiência nossa de eficiência, de redução de peso, de produtividade, mais de 30 mil estão rodando hoje na China, com tecnologia desenvolvida aqui no Brasil e testada na CBMM”, citou o novo diretor Industrial e de Relacionamento com a Comunidade, Rogério Contato Guimarães, durante o lançamento da Scooter na sede da CBMM em Araxá. Como outro exemplo, ele apontou a estrutura da unidade industrial (sinterização) que foi toda construída em aço ligado ao nióbio, proporcionando uma economia geral em todos os recursos usados para a sua construção em torno de 20%. “Especificamente, vamos conversar com vocês sobre temas importantes para as necessidades nossas hoje e no futuro, que dizem respeito à sustentabilidade no geral, energia, segurança e eficiência. Entender que o nióbio que trabalhamos aqui em Araxá percorre todo o mundo num conceito de sustentabilidade”, destacou.

Atualmente, a CBMM é responsável por 70% da arrecadação de ICMS de Araxá através da elevação do seu VAF (Valor Agregado Fiscal), porém tão quão importante é o legado que tem deixado para a comunidade mediante o reconhecimento dessa intrínseca relação. Não só em termos de obras físicas como a recente construção da Unidade de Pronto Atendimento (UPA), a efetiva participação na viabilização do Centro de Oncologia da Santa Casa e a implantação do Centro Cultural do Uniaraxá em andamento, mas especialmente como modelo de empresa cidadã.
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Radix Comunicação e Tecnologia