Logo
Araxá / MG - , -
Clarim no WhatsApp (34) 98893-8381
Menu
EDITORIAL - Sem explicação
20/04/2018, às 09:31:25
Desde o final do ano passado, o governo municipal vem traçando um caminho descendente apesar das boas expectativas decorrentes de uma série de motivações, a começar pela própria reeleição do prefeito Aracely de Paula ao final de 2016. A administração municipal começou 2017 com crédito, não só pela aprovação nas urnas como também pela oportunidade de dar continuidade a uma gestão atípica de apenas dois anos, de 13 de novembro de 2014 até 31 de dezembro de 2016. Porém, a vantagem desta gestão ter sido planejada no mandato anterior do prefeito e da continuidade das ações devido a sua reeleição se perde na distância estabelecida entre o governo municipal e a comunidade.

Na gestão passada, as cobranças foram amortizadas pela falta da tradicional transição de governo e pelo exíguo tempo para se realizar tantas obras, embora tenham sido anunciadas. Logo no início de 2015, houve a contratação de uma auditoria independente que só foi finalizada mais de um ano depois quando foi remetida para o Ministério Público (MP) e a Câmara Municipal. A questão é que o governo não pôde deslanchar a contento nesse período e, a partir da conclusão do relatório da auditoria, recaiu sobre ele a obrigação de subsidiar o Ministério Público com as informações necessárias à continuidade de qualquer apuração. Além do mais, não tem a atenuante do desconhecimento e qualquer irregularidade recai sobre a Prefeitura de Araxá que tem a obrigação de responder e sanar eventuais problemas, independentemente de quem é o gestor. Uma situação que continua em suspenso em alguns casos, porque o que foi cobrado no passado agora cabe a atual gestão cumprir, a exemplo de obras e ações que ainda tem se desincumbido em decorrência dos muitos Termos de Ajustamento de Condutas (TAC) firmados com o MP, como as construções da Unidade de Pronto Atendimento (UPA), do Canil Municipal, a realização do concurso público municipal e o término do Centro Administrativo.

Mesmo sem entregar todas as obras que devia e que pretendia até o final de 2016, o governo correu para fechar 2017 com conquistas como a revitalização do Parque do Cristo que se constitui numa importante iniciativa própria. Porém, ainda são muitas obras em andamento anunciadas em 2016/2017, como a reforma do ATC, a construção das sedes da Escola Municipal Alice Moura e do Cemei Dom Pixote junto com uma praça no bairro Silvéria; a Uninoroeste no bairro Max Neumann; a cobertura da Feira do Urciano Lemos que acabou virando um complexo de lazer, a duplicação da av. Hitalo Ros, os viadutos, dentre outras. Mais cedo ou tarde todas ainda vão ser entregues, podendo contribuir para arrefecer esse clima de insatisfação que paira no ar, não só por causa do que falta a ser desembaraçado, mas também por uma estratégia de governo – se é que pode ser chamada assim – que não faz sentido.

Se a gestão municipal inicia 2018 com o expressivo superávit de R$ 76 milhões em relação ao Orçamento Municipal de 2017, constatado devido ao pedido de suplementação orçamentária que está em tramitação na Câmara Municipal, por que tanto desgaste? Não é por falta de recursos que se arrastam os problemas que têm ofuscado o brilho das realizações governamentais. A exemplo do estado descuidado da cidade devido às deficientes coleta de lixo e capina, os buracos nas vias em geral e a falta de manutenção, reparos e reformas nos equipamentos urbanos existentes; até questões como a necessidade de elaboração de um Plano de Cargos e Salários para o funcionalismo com a concessão dos reajustes e a modernização dos processos da administração municipal; à não atenção às demandas populares e inclusive à falta de comunicação, do diálogo não só com a imprensa, mas com a sociedade como um todo que também se sente de certa forma alijada do governo municipal.

É muito mais fácil enfrentar os problemas com ampla aprovação popular através da efetiva transparência e livre informação, absorvendo as críticas que direcionam o governo ao invés de transformá-las em motivação para rompimentos e desafetos inclusive políticos. No passado, o ex-prefeito Olavo Drummond afastou-se tanto da comunidade que chegou a perder a maioria que sustentava o seu governo na Câmara Municipal e o apoio de boa parte da imprensa, até mesmo aliados de primeira hora deixaram a equipe que contribuiu para a sua eleição. Ele acordou um tanto tarde, porque apesar de ter feito um bom governo deixando um legado que se perpetua na história do município, cumpriu o mandato às duras penas da insatisfação popular e deixou o cargo sem o merecido reconhecimento - embora tenha resolvido por as diferenças de lado e reestabelecer a sua rede de rela-cionamentos ainda como prefeito. Inclusive uma das suas célebres frases tornou-se inspiração para o jornal: “As clarinadas do Clarim vão me ajudar a governar”. Em contrapartida, os registros do seu governo nas páginas do Clarim comprovam as suas realizações em benefício da cidade e fazem jus a sua memória.
Compartilhar no WhatsApp
Clarim
Radix Comunicação e Tecnologia