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EDITORIAL - Rechaçada pulverização
03/05/2018, às 07:24:39
Passado o prazo de filiações partidárias, as pré-candidaturas a deputado federal e estadual por Araxá estão postas, como as de Bosco (Avante), Mauro Chaves (Avante) e Lídia Jordão (PEN). Embora existam outras pré-candidaturas, essas três são visadas pela expressividade que têm no cenário político da cidade. Enquanto as de Bosco e Mauro se apresentam como consolidadas, a de Lídia surpreende e ainda é considerada uma incógnita.

Até a escolha dos candidatos nas convenções partidárias que ocorrem de 20 de julho a 5 de agosto próximo - para não dizer até a requisição do registro à Justiça Eleitoral com prazo final às 19h de 15 de agosto -, muita coisa pode acontecer em função da dinamicidade da política. No entanto, pelo menos os partidos pelos quais os pré-candidatos vão concorrer já foram escolhidos. Bosco decidiu permanecer no Avante, então deve mesmo ser candidato à reeleição como deputado estadual. Naturalmente, ele tem sido cobrado para ser candidato a deputado federal e, possivelmente, a princípio pode ter sido esta a sua vontade em razão da expressiva votação obtida nas eleições de 2014, quando foi eleito para o segundo mandato com cerca de 70 mil votos. Porém, o presidente do Avante (antigo PTdoB), deputado federal Luís Tibé, não abre mão da estratégia política traçada para o partido desde a sua fundação. Tibé pretende ser reeleito a deputado federal com uma expectativa de votação que possa levar o Avante a conquistar mais uma ou duas cadeiras além da sua e, para isto, monta uma chapa com uns dez pré-candidatos ao cargo de mesmo potencial de votos, ou seja, todos têm chances parecidas de serem eleitos com esta sobra. Já a expectativa de votação do Bosco supera muito essa média e, caso fosse candidato a deputado federal, espantaria os demais candidatos arregimentados por Tibé para a chapa porque se sentiriam sem chances de eleição. Já como candidato à reeleição, Bosco encabeça a lista de pré-candidaturas para deputado estadual em termos de expressividade eleitoral e que se confirmada também ajuda o Avante a fazer mais cadeiras para o cargo.

Para ser candidato a deputado federal, Bosco teria que deixar o Avante que lhe assegurou os dois mandatos como deputado estadual e arriscar-se em outro partido não testado por ele. E de certa forma seria trocar o quase certo pelo duvidoso, considerando também a necessidade de uma votação maior para ser eleito federal do que estadual. Cada um dos cargos tem o seu papel em esferas diferentes de governo e ter os dois representantes é muito importante para Araxá. Porém, se for reeleito, Bosco cumprirá o terceiro mandato como deputado estadual, o que lhe assegura mais conhecimento, relacionamento e influência na Assembleia Legislativa após oito anos de exercício no cargo, um veterano. Já como deputado federal, Bosco teria que reiniciar o caminho das pedras num parlamento maior, muito mais concorrido e difícil. Então, por que não assegurar uma representatividade que o município demorou vinte anos para reconquistar e inclusive apoiar alguém disposto a reconquistar a cadeira de Araxá na Câmara Federal, mantida bravamente por Aracely de Paula durante seis mandatos consecutivos?

Mauro se habilitou a disputar um ou outro cargo motivado pelos mais de 23 mil votos obtidos como candidato a prefeito nas Eleições Municipais de 2016 que ainda está fresca na memória do povo. Tanto é que foi convidado por quase todos os partidos a se candidatar em razão dessa votação que projeta a possibilidade dele somar em qualquer chapa com uns 30 mil votos e inclusive aspirar ser eleito dependendo da sua escolha. Por não querer dividir o eleitorado concorrendo com Bosco ao mesmo cargo, Mauro diz que o procurou e inclusive lhe propôs uma dobradinha. Ele afirma que ao saber que Bosco concorreria à reeleição à assembleia postou-se como candidato a deputado federal apesar de não terem acordado a parceria e filiou-se ao Pros. No entanto, Mauro conta que ao verificar a lista de pré-candidatos do Pros constatou que a chance de ser eleito tinha ficado mais difícil em relação ao que conversaram anteriormente e, então, filiou-se ao Avante que lhe proporciona melhor perspectiva de eleição.

Nesse ínterim, a vice-prefeita Lídia Jordão decidiu se desincompatibilizar do cargo de secretária municipal de Ação e Promoção Social para ser pré-candidata a deputada e filiou-se ao PEN, sem definir até então se estadual ou federal. Também cacifada pela expressiva votação nas Eleições de 2016 quando foi eleita na chapa encabeçada pelo prefeito Aracely de Paula, não deve ter lhe faltado convites de filiação partidária. É normal enquanto vice-prefeita ela querer disputar o cargo de deputada, mas o que estranha é não contar com o apoio do prefeito com quem se elegeu nas últimas eleições, pelo menos até então. Aracely sempre deu a entender que apoiaria novamente o deputado federal Mário Heringer (PDT), um aliado político desde quando assumiu a prefeitura em 2014 e com quem tem contado para buscar recursos para o município, como se fosse o seu substituto na cadeira que ocupou por tantos anos enquanto deputado federal. Como Bosco apoiou a eleição da chapa municipal e já se decidiu pela reeleição, pode ser que Lídia também cogite fazer uma dobradinha com ele como candidata a deputada federal.

Mas quem sabe a classe política não pense realmente no que é melhor para Araxá, ou seja, a polarização dos votos para deputado estadual e federal em torno de duas candidaturas unidas. Embora esteja correto o discurso dos demais pré-candidatos de ser uma nova opção em relação às três pré-candidaturas que representam grupos políticos reinantes no município, o que faz parte do regime democrático, a pulverização diminui as chances de Araxá eleger os seus representantes. Nesse cenário ainda indefinido, Bosco neste momento é o fiel da balança. Ele pode decidir dobrar com Mauro porque agora estão no mesmo partido ou com Lídia pelo vínculo criado nas eleições de 2016 ou ainda não estar com ninguém. Se fizer uma dobradinha com Mauro, Bosco pode angariar votos de quem não votou nele por estarem em grupos políticos concorrentes nas eleições de 2016, então, o mote da campanha seria a união. Junto com a Lídia continuarão a representar a situação, mesmo se porventura não forem apoiados pelo prefeito Aracely. Já sozinho sem apoiar qualquer uma das duas campanhas, será mais difícil para o Bosco chegar à votação obtida em 2014.

De qualquer forma, a pulverização se contrapõe mais uma vez à ânsia da população de eleger os seus representantes nos governos estadual e federal.
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