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EDITORIAL - Um Brasil de mentiras
07/06/2018, às 08:39:02
Grande parte da população brasileira não sabe da sua real história, desde a colonização em 1500. Passados mais de quinhentos anos, se perpetuam mentiras até que se tornam “verdades” favoráveis à manutenção no poder de uma elite corrupta à custa de uma falsa memória incutida no povo desde a sua heterogênea formação, o que também dificulta o estabelecimento da sua própria identidade. A população é manipulada por uma minoria de privilegiados que historicamente se beneficia inclusive das crises advindas das injustiças sociais, como a concentração de renda e exploração da pobreza.

À classe dominante, interessa a falta de acesso à educação ou a oferta de um ensino manipulador e preconceituoso, o aculturamento. Assim, vão surgindo mentirosas versões a partir do acaso da descoberta do país que são contadas de gerações em gerações até que se tornem vigentes. Quanto mais as pessoas se apegam à superficialidade da informação, desprezam o hábito da boa leitura como fonte de conhecimento, propagam bobagens e “fake news” pelas redes sociais, lutam pelo materialismo e ignoram os valores e sentimentos que contribuem para um mundo melhor, mais difícil é vislumbrar a verdadeira mudança. Assim, acontece essa paralisação articulada pelos que mandam no transporte rodoviário do país aliados a interesses políticos que, usando da boa fé de caminhoneiros e populares pressionados pela interminável crise, se colocam como tábua de salvação. Quando na realidade, se aprofundam ainda mais as desigualdades e a coletividade mais uma vez é prejudicada a favor de gente que visa apenas os próprios interesses. Um movimento que escancara a fragilidade desse governo, mas não é capaz de provocar qualquer revolução.

A pregação é tão forte diante da ausência da verdade histórica que até uma intervenção militar chega a ser apontada como saída para a crise. Poucos sabem pelo o que e como surgiu a ditadura militar, que naquela época a revolta do povo brasileiro era contra o imperialismo americano que queria dominar o mundo. A ameaça comunista foi plantada como um inimigo comum para desviar o foco dessa dominação, impedir a rebelião dos brasileiros. Os EUA temiam perder o Brasil como ocorria em Cuba, então criaram um bode expiatório e assim houve toda a orquestração do golpe militar, com a subserviência dos que passaram a comandar o país como “testas de ferro” dos americanos. A riqueza e regalia de uns, em troca do atraso industrial e tecnológico do país.

Naquele tempo, o crescimento do transporte rodoviário vinha atender interesses escusos, porque os estrangeiros queriam vender os seus carros e caminhões em detrimento das ferrovias muito mais adequadas e economicamente viáveis para um país continental. A imposição do capitalismo selvagem e consumismo desenfredo às gerações brasileiras se evidenciava a partir do ensino, com a adoção de cartilhas como “A Ilha”, adotada nas pré-escolas. Os produtos com conservantes e descartáveis, apesar de toda a riqueza natural do Brasil, passaram a ser os valorizados. Já a matéria-primabrasileira continua exportada a preço vil, mediante a crescente importação de porcarias e a consequente estratosférica dívida cobrada pelo Fundo Monetário Internacional (FMI). O “nacionalismo” se limitava à obediência aos comandantes que idolatravam tudo que viesse dos americanos, inflamado pelo marketing político que substituía as censuradas expressões culturais do povo brasileiro.

Assim de mentira em mentira, o país segue a cada crise. A redemocratização do Brasil acabou sendo mais uma mentira, como uma saída diante da ameaça do fim do militarismo no país e da guerra fria no mundo. As mesmas peças políticas que serviram à ditadura militar conduziram à “reabertura”, com a elaboração de uma Constituição que continua a ser descumprida e manipulada a favor desses poucos que detêm quase tudo. Pois, prevalece o cenário de uma carga tributária escorchante e injusta distribuição de renda, com a grande maioria dos que têm menor poder aquisitivo votando naqueles que mantém o status quo através da corrupção e do regime político-eleitoral sempre costurado ao seu favor. Toda vez que surge uma ameaça, criam um novo bode expiatório, o último tem sido o PT. O partido que reunia as esperanças de mudança do eleitorado e que ao alcançar o poder acabou se integrando e aperfeiçoando o esquema vigente, julgando-se mais inteligente no domínio popular a fim de não perder tão cedo o comando do país. O problema é que o PT não só traiu o povo ao ir com tanta sede ao pote, como principalmente superou os novos aliados que tornaram a serem os inimigos de sempre.

A diminuição do preço do Diesel não vai mudar nada, mais uma vez a população está sendo usada a favor desses poucos. O que mudaria o país passa pela redução do déficit público, a começar pelos gastos exorbitantes com os poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, com o fim dos privilégios; o enxugamento da máquina; o corte das faraônicas aposentadorias que nunca deixaram de existir, com profundas reformas não só previdenciária, como tributária e político-eleitoral; o fim da burocracia e a vigência da transparência. Na outra ponta, investir os recursos públicos na educação de qualidade, na saúde e, especialmente, na total reestruturação do país, a começar pela logística dos transportes.
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Clarim
Radix Comunicação e Tecnologia