Logo
Araxá / MG - , -
Clarim no WhatsApp (34) 98893-8381
Menu
EDITORIAL - De puxa-saco a puxa-tapete
26/09/2018, às 08:37:41
Somente com a apuração dos votos será possível saber até que ponto o eleitorado está cansado da velha política e vai manifestar isto nas urnas ou se vai votar como sempre apesar da atual conjuntura do país. A expectativa é sobre como o eleitor vai reagir ao amplo acesso à informação, à ciência de que a corrupção prejudica o país, à indignação com a injusta distribuição de renda e com as benesses da classe política, enquanto a renda familiar só diminui e o desemprego ameaça a tranquilidade de todos. Será que o eleitor começa a fazer uma leitura diferenciada do seu papel neste contexto?

Em Araxá, a chamada “velhacaria” não foi de fato extirpada da prática política. Os resquícios da velha política persistem na maneira como ainda se esforçam para cooptar eleitor, embora cada vez mais ameaçados por estes novos tempos de tudo muito mais às claras e fiscalizado. O quanto o tapinha nas costas, o sorriso forçado, as promessas descabidas e imorais ainda convencem boa parte do eleitorado será revelado no resultado das Eleições 2018. Cabe ao eleitor decifrar as intenções e dissimulações dos políticos, checar as informações e, principalmente, as maledicências que contaminam a política local a cada pleito para que possa se balizar nas suas convicções e votar de acordo com a própria consciência. Os falsos discursos são desconstruídos a partir da mudança de postura do eleitor que ao invés de simplesmente acreditar em tudo e revalidá-los passa a questioná-los, a checar e, se for o caso, a não mais referendá-los com o voto.

Assusta a facilidade com que o grupo político de Araxá consegue divergir entre si, pois enquanto prega a necessidade de união, consenso, esforço conjunto em prol do desenvolvimento do município, prevalece o contrário nos bastidores. De eleição em eleição, ora uns estão juntos, ora separados, sempre dividindo o eleitorado. Até aí, pode-se dizer que é direito de todos se candidatar...

Assim como é direito e deveria ser um dever do eleitor refutar a política que não agrega, que não deixa florescer novas lideranças e, ainda pior, às vezes prejudica os interesses do município e da coletividade. Prova disso, é que Araxá ao invés de ganhar tem perdido força política. O que justifica a perda das regionais da Cemig, Copasa e Dnit, dos campi da UFTM e de graduação do Cefet-MG, a expansão da Bem Brasil e, ainda ter deixado de ganhar, as superintendências de educação, saúde, universidade federal, regionais da Supram, da Vigilância Sanitária. Tão logo Araxá conseguiu alcançar representatividade nas duas esferas de governo com deputados estadual e federal, já não existia de fato trabalho político conjunto com o município e vice-versa.

Embora as eleições deste ano sejam Gerais, os resultados vão nortear as Municipais em 2020. O ideal seria Araxá eleger seus deputados estadual e federal para juntos com o prefeito agirem em prol das demandas do município sempre que possível, deixando apenas para o período eleitoral qualquer cisão com vistas à disputa pela prefeitura. O pior cenário é Araxá não conseguir eleger seus deputados estadual e federal, prevalecendo o racha da classe política da cidade após as eleições, antecipando constantes embates com vistas à próxima disputa municipal, inclusive criando o desgoverno por falta de entendimento entre os poderes Legislativo e Executivo.

Não é a primeira vez que a classe política de Araxá mais confunde do que esclarece o eleitorado; quiçá fosse a última.
Compartilhar no WhatsApp
Clarim
Radix Comunicação e Tecnologia