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EDITORIAL - Para virar
14/11/2018, às 07:57:00
O Brasil dá a largada para ser outro a partir das eleições deste ano, não tanto em decorrência de quem foi eleito, mas principalmente de quem não foi reeleito. O que possibilitou uma renovação nunca vista desde a redemocratização do país. Portanto, o poder do voto tão desprezado pela tradicional classe política brasileira ressurge de um corrompido contexto como instrumento democrático de mudança.

Com a capacidade de mobilização e o descontrole da informação proporcionado pelas redes sociais, somados à enorme insatisfação popular, os velhacos métodos de captação do voto têm caído por terra, embora outros venham para ocupar este espaço como as impulsionadas notícias falsas.

As eleições de Jair Bolsonaro (PSL) como presidente da República e de Romeu Zema (Novo) como governador de Minas Gerais, ambos de partidos até então inexpressivos e dissociados da situação reinante, refletem bem o anseio do eleitor por mudança diante do esgotamento do sistema político-eleitoral vigente que concede privilégios e acoberta os corruptos.

O eleitorado votou em sua maioria contra tudo que está posto, construído pela polarizada política que até este pleito girava em torno dos maiores partidos do país, MDB, PT e PSDB. Todos os governos federais desta fase de consolidação da democracia a partir da Constituição de 1988 foram desses partidos. A exceção é o ex-presidente Fernando Collor de Melo eleito em 1989 pelo inexpressivo PRN e, talvez por isto mesmo, tenha renunciado para não ser impedido após apenas dois anos de mandato, além da prática corrupta já tão descaradamente estabelecida nos ambientes políticos brasileiros à época.

Com a ajuda da corrupção que prosperou assustadoramente mediante a impunidade, finalmente o eleitor acordou para a necessidade de participar como agente dessa clamada transformação. A grande maioria deu um basta aos corruptos, corruptores, corruptíveis e, quando não, omissos e coniventes com a situação reinante, compactuados partidariamente para se locupletarem à custa do sacrifício da grande massa popular.

Também foi quebrado o vicioso ciclo sustentado pela grande mídia agora tão ignorada como os velhos políticos pela vontade do eleitorado. Antes do avanço da tecnologia da comunicação que proporciona o inesgotável acesso à informação, o eleitor era muito mais manipulado pelos maiores meios de comunicação do país do que possa ser atualmente. Outro importante fator hoje constatado é a necessidade do internauta de cada vez mais filtrar a informação obtida na rede; de desmascarar a “fake news” ao invés de até compartilhá-la. Ele está aprendendo a utilizar esse acesso com muito mais responsabilidade e comprometimento.

O Brasil sai de fato renovado politicamente dessas eleições e de forma mais acelerada do que a expectativa da população brasileira poderia dimensionar. Pelo menos, essas eleições atingiram gravemente a penetração desses partidos em todas as esferas de poder.

A partir da gestão 2019/2022, a Câmara Federal estará 52% renovada (dado Diap), com 267 novatos dos 513 deputados. E das 54 vagas disputadas para o Senado Federal em 2018, 46 foram renovadas. Dos 81 senadores, mais da metade é de novatos. Esses resultados refletem a acentuada perda de espaço dos partidos que compunham a hegemonia política estabelecida em torno do poder e dos interesses comuns nos recursos públicos, embora adversários nas urnas. Nas assembleias estaduais a renovação também foi maior do que em pleitos anteriores, como na de Minas Gerais de 40,25% que representam 31 novos deputados das 77 cadeiras existentes, portanto, 46 se reelegeram.

Trata-se de um efeito cascata de renovação que deve estar refletido nas eleições municipais de 2020. Essa influência será maior ou menor conforme os resultados gerais das mudanças nos próximos dois anos. O eleitor precisa saber se realmente é uma boa virada.
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Clarim
Radix Comunicação e Tecnologia