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Editorial - Sem barulho
03/12/2018, às 08:32:16
O relacionamento unilateral que o governo municipal tem imposto à população vem à tona sem barulho pelas próprias falhas. O que acontece através de duas forças de equilíbrio e sustentação da democracia brasileira, o Poder Legislativo e a imprensa. E por sua vez, ambos estão mais respaldados devido ao amplo acesso à informação proporcionado pelo avanço tecnológico.

Porém, a prefeitura trata vereador e jornalista até mesmo de forma desrespeitosa ao não se ater à necessidade das praxes da boa educação, como o retorno às quaisquer solicitações de audiência. Não foi somente o governador eleito, Romeu Zema, que não foi recebido pelo prefeito Aracely de Paula. A queixa é comum por parte de praticamente todos que o procuram e recebem o mesmo tratamento de total ignorância. Um grupo bem restrito circula em torno dele como se fosse uma redoma de vidro e, o que é pior, não se preocupa em dar retorno às inúmeras tentativas de contatos. Se a classe política e jornalística não consegue uma audiência com o prefeito, dá para imaginar quem não representa ninguém mais do que a si mesmo.

O ar infestado de superioridade e domínio impede as boas colheitas e semeia desentendimentos que afetam o governo municipal, porque não pode ser bem sucedido dissociado de quem representa, ou seja, a sociedade. Pelo contrário, é a Prefeitura de Araxá que precisa se interagir, cumprir o seu papel, ter respeito para com as instituições como a Câmara Municipal e a imprensa que não têm sido dignas sequer de respostas às demandas que encaminham ao Gabinete do Prefeito. Elas são recebidas conforme a conveniência e interesse desse grupo ou simplesmente ignoradas.

Esse status quo começa a ser desbancado a partir da Câmara Municipal que tem como finalidade precípua fiscalizar as ações do Poder Executivo e propor leis que melhorem o convívio social e a qualidade de vida de todos, além de encaminhar as demandas vindas da população para o governo. Até esta metade da gestão 2017/2020, o Poder Legislativo tem sido anulado por essa imposição refastelada numa bancada de maioria que foi se tornando bem frágil.

Isso porque a vontade popular ainda prevalece acima dos interesses políticos e, prova disto, é o resultado das urnas em 2018 que auspicia significativas mudanças direcionadas pelo eleitor. O recado foi claro quanto à insatisfação dos eleitores com a condução da Prefeitura de Araxá. Ou seja, 96% dos votos válidos foram para o candidato a governador da terra, embora não tenha contado com um mínimo de receptividade por parte do governo municipal, nem as de conveniência.

Hoje em dia em, política não se fecham mais portas, pelo contrário, devem estar sempre abertas. Com o avanço da tecnologia da informação e a cobrança pela transparência dos governos a velha política a portas fechadas está no limite. Assim como não dá mais resultado deixar o caos se estabelecer para depois ser exaltado como salvador da pátria, o eleitor finalmente diz não ao personalismo.

Esta semana, esse processo culmina com a derrubada do veto do Executivo ao projeto de lei que proíbe soltar fogos de artifício barulhentos no município, por 10 votos a 4. Embora isso não signifique que a base aliada do Executivo esteja reduzida a esses quatro votos na Câmara, não deve ter mais apoio cego nem da maioria simples de 8 votos que é a exigida para votação de projetos de menor relevância. Como diz o dito popular agora é dormir com esse barulho, mesmo que daqui pra frente os fogos de artifício passem a ser apenas admirados na cidade pelos seus lindos efeitos visuais - caso ainda haja recursos municipais para se investir nesse “mimo”.
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Clarim
Radix Comunicação e Tecnologia