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:: Editorial :: Trio decisivo
13/12/2018, às 08:59:58

A eleição da mesa diretora da Câmara Municipal para a gestão 2019/2020 foi decidida por uma estratégia conjunta de três vereadores que agora estão ainda mais próximos com o protagonismo que lhes assegurou o poder de decisão, os futuros vice-presidente Fárley Pereira Aquino (DEM), 1º secretário Zezinho da Aserpa (PT) e, o 2º, Hudson Fiúza (PSL). Lógico que somada à habilidade política do presidente eleito, vereador Roberto do Sindicato (SD), que bate mais um recorde na história política de Araxá.

Ele é o primeiro vereador do município a ocupar a presidência da Câmara Municipal pela quinta vez e ao cumprir o sexto mandato consecutivo. Roberto também conseguiu o feito de ter sido presidente durante quatro anos sucessivos, período em que conseguiu construir a nova sede do Poder Legislativo situada à av. João Paulo II, bairro Guilhermina Vieira Chaer, dando início à concentração dos poderes públicos do município naquela área.

Roberto também faz jus aos efusivos aplausos ganhados ao ser eleito como presidente, dados por uma plateia formada em sua maioria por servidores que estavam ansiosos pelo seu retorno ao comando da Câmara e lotaram o plenário. Essa atitude do funcionalismo e os números do desempenho político do vereador demonstram a aprovação que ele tem obtido na atividade parlamentar. Seja a aprovação da população ao reelegê-lo por tantas vezes ao cargo, dos colegas que o fizeram presidente por unanimidade (15 votos a 0) e do funcionalismo municipal.

Roberto é sindicalista ainda há mais tempo do que político, o que lhe sustenta tanta articulação. Porém, toda essa bagagem não o levaria de volta à presidência se não fosse a ousadia dos chamados novatos - apenas Fárley cumpre o segundo mandato como vereador – já Hudson e Zezinho são estreantes. Eles decidiram não só a eleição da nova mesa diretora, como também o posicionamento político da Casa daqui para frente em relação ao governo municipal.

Nos últimos quatro anos, o governo municipal nunca esteve tão em baixa como agora, apesar de ter contado com uma bancada suficiente para aprovar todas as matérias pretendidas neste período ou mesmo postergar ou evitar a apreciação de outras. Uma situação que muda com a gestão de Roberto que embora seja conhecido como manso, é perseverante e incisivo quando necessário.

É saudável para o Poder Legislativo depois de fun-cionar nos últimos dois anos com uma base que assegurou ao Poder Executivo a sua total governabilidade de forma unilateral e passional, daqui para frente passar a ter um papel questionador e participativo como deve ser - já que essa maioria de fato não mais está assegurada. É importante jogar por terra a velha política criando uma nova prática, inclusive aberta aos conhecidos políticos dispostos a mudar as refutadas atitudes.

O Roberto mesmo sendo o mais velho de idade e o vereador com o maior número de mandatos na Casa, é exemplo de como a renovação política só acontece mediante a insatisfação do que está posto - assim tem sido historicamente, seja no município, Estado e país. Sabiamente, como presidente ele consegue indistintamente compartilhar desta representatividade com os demais vereadores, evitando a opulência do cargo sempre que possível. Ele é generoso, embora isto possa ser qualidade para uns ou não para outros. Como em relação ao lanche que era oferecido ao final das reuniões ordinárias para vereadores, funcionários, imprensa e demais que estivessem na Câmara. O lanche foi cortado com críticas pela atual gestão, assim que o vereador Fabiano Santos Cunha assumiu a presidência no início de 2017.

Fabiano destaca ter feito uma gestão tão austera nos últimos dois anos que lhe permitiu devolver ao Poder Executivo cerca de R$ 2 milhões do orçamento da Câmara economizados no decorrer deste período. Porém, trata-se de um posicionamento controverso e que não impediu a insatisfação popular com o Legislativo araxaense. Ele também deu continuidade à iniciativa do ex-presidente Miguel Júnior de cortar qualquer recurso destinado à divulgação do trabalho do Poder Legislativo através dos veículos de comunicação. A exceção é por conta da transmissão das reuniões ordinárias e da publicação oficial obrigatória em jornal impresso.

Pelo menos oficialmente, há uns seis anos, a Câmara só gasta com materiais institucionais de promoção interna como informativos, convites, banners, placas e papelaria em geral. O que logicamente não é veículo de comunicação e, consequentemente, não forma opinião. Essas atitudes atingem a imprensa enquanto empresas criadas para prestarem serviços de comunicação e, como quaisquer outras, pagam impostos, empregam e contribuem para o desenvolvimento do município.

O que a população espera é que a Câmara Municipal defenda os interesses coletivos e promova o crescimento ordenado da cidade com as necessárias leis, desde que antecedidas pelas devidas discussões que buscam o consenso da maioria em prol da sociedade. O resto vem por osmose, embora o momento de transição ainda não permita a muitos enxergar além do próprio universo.
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Clarim
Radix Comunicação e Tecnologia