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Editorial - Sem peneira
20/12/2018, às 09:02:39

Chega de tampar o sol na cidade onde nasce primeiro, com a peneira de uma enrustida prática política que possui raízes culturais na mesorregião Sertão da Farinha Podre que no passado também compôs todo o município de Araxá. Finalmente essa encoberta política vem sendo desnudada, como demonstra o resultado das Eleições Gerais 2018 e que obviamente se refletirá na disputa do pleito municipal em 2020.

Não importa se Araxá completa 153, 183, 280 anos em 2018, pois de qualquer forma desde o começo do povoamento dessas terras o município é protagonista na história de formação e consolidação do Triângulo Mineiro e Alto Paranaíba que dantes formavam a grande região do Sertão da Farinha Podre. O que importa é como o município que chegou a ser o próprio Sertão da Farinha Podre tem canalizado todo o seu potencial através dos seus líderes políticos ao longo dessa rica história. Araxá já foi muito mais brilhante e importante para essa região e precisa urgentemente de ser resgatada politicamente. Não necessariamente com a efetiva renovação dos agentes políticos eleitos pelo povo, mas da transformação da sua prática política sob pena da cidade continuar a amargar retrocessos.

Se antes Araxá foi líder nessa história, gradativamente o seu papel vem sendo reduzido nos contextos estadual e federal, mesmo ainda sendo a 12ª economia mineira dentre 855 municípios, pois dinheiro não é necessariamente sinônimo de poder. Como em 1984 quando o município esteve com “a faca (mineração) e o queijo (turismo) na mão” ao ser firmado o Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) entre Ministério Público de Minas Gerais, o governo do Estado, as empresas mineradoras e o município visando à efetiva preservação do que ainda restava de área sem minerar dentro do complexo do Barreiro.

Ao atenderem a ação movida pela Procuradoria Geral do Estado e as decorrentes recomendações há quase 35 anos, as mineradoras tiveram que rever processos de produção, o relacionamento com a comunidade e a imprensa e passaram a ter condutas exemplares para todo o país numa época em que a legislação ambiental era incipiente.

O país vivenciava um momento ímpar na sua história, o de transição entre a ditadura militar e a redemocratização que acabou sendo conquistada a partir do movimento Diretas Já, liderado pelo jornal Folha de S.P., ou seja, a imprensa respaldou a vontade popular. Um momento mais difícil de ser transposto para as cidades consideradas de segurança nacional, como Araxá, justamente por ser estância hidromineral pertencente ao Estado. Somado ao fato da estância estar ameaçada pela contaminação de suas águas com bário em decorrência da atividade mineradora.

Então, assim como acontecia no país o movimento pela realização das eleições diretas, em Araxá houve o SOS Cascatinha para proteger o Barreiro da devastação provocada por uma atividade de mineração até então praticamente sem limites no país. O movimento culminou com a realização de um grande show no complexo do Barreiro que contou com a participação de muitos artistas de renome nacional, atraindo a atenção do Brasil para o problema. Em seguida, foi assinado o acordo Pró-Araxá que finalmente impediu que a mineração de fato chegasse às portas do Grande Hotel e ainda determinou o investimento na revegetação do que já tinha sido minerado pelas empresas. Tanto que foram muitos anos para que um pouco do contraste entre a paisagem e o horizonte vermelho da chegada ao Barreiro começasse a ser de fato coberto pelo replantio da vegetação realizado pelas mineradoras.

A partir de então, houve uma quebra de paradigma no município que propiciava o seu desenvolvimento, especialmente o turístico que abarca a adequada infraestrutura da cidade para receber os visitantes. Porém, para a classe política que tinha que se reinventar com a redemocratização do país, esse planejamento em torno do crescimento ordenado do município acabou ficando de lado.

A promulgação da Constituição de 1988 foi mais um momento que Araxá não soube aproveitar para crescer e tornar-se de fato um polo microrregional nas áreas da saúde, educação, tecnologia e turística. Ao invés disso, a tacanha política continua afetando drasticamente o seu desenvolvimento à altura do seu potencial. O município poderia estar num patamar muito maior de qualidade de vida se tivesse conciliado e dado sustentabilidade às atividades dos seus três mais importantes eixos econômicos, o da mineração, do agronegócio e o do turismo. Inclusive, beneficiando-se muito mais de sua estratégica localização central em relação a três importantes capitais do país, Belo Horizonte, São Paulo e Brasília. Não necessariamente investindo recursos, mas essencialmente apostando em todo esse potencial.

A necessária mudança de postura na prática política acaba acontecendo à força, mais cedo ou tarde, pela vontade popular. A administração municipal pode dar de presente para Araxá uma gestão comprometida com a sua adequação ao atual contexto político e econômico do país, de paz e prosperidade. O que significa não fechar portas em 2019, devendo abri-las e se necessário reabri-las para dar à população o desejado e merecido governo. Se governa corretamente conquistando a confiança da comunidade, sem impor e ou manipular o que acima de tudo é coletivo.
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Clarim
Radix Comunicação e Tecnologia