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Polícia Civil investiga fraude em transferência de veículos
06/02/2019, às 17:52:53

A Polícia Civil (PC) investiga fraude em transferência de veículos que teriam ocorrido em Araxá, entre 2016 e 2018. Até o momento, foram identificadas falsificações em 60 procedimentos que deram entrada no órgão de trânsito com suspeita de adulterações. O delegado de Trânsito, Renato Alcino, informa que 38 dos 60 procedimentos apresentam fortes suspeitas de falsificação na assinatura do proprietário lançada na folha de cadastro preenchida para solicitar um serviço ao Detran. Segundo ele, também foram encontrados 22 Certificados de Registro de Veículos (CRVs) ou recibos de compra e venda com adulterações. “Quando se contrata um serviço por meio de despachante, o proprietário do veículo tem que assinar a folha de cadastro. Várias situações podem levar o investigado a falsificar essa assinatura, seja para evitar a perda de prazo para transferência ou emplacamento que é de 30 dias ou até mesmo por mera comodidade. Pode ocorrer de o proprietário não estar disponível, por exemplo, no caso de viagem, e o despachante ter que dar entrada no procedimento de transferência ou emplacamento até determinada data sob pena de incidir a multa de recibo vencido. Também acontece dele não preencher a folha de cadastro no momento do comparecimento do cliente e depois acaba falsificando a assinatura simplesmente por não desejar acioná-lo novamente. Também se investiga situações em que pode ter ocorrido transferência fraudulenta, ou seja, feita para pessoas que sequer tinham conhecimento”, esclarece o delegado. Ele ainda informa que as adulterações encontradas nos CRVs são praticamente por lavagem química. “Em alguns casos foram suprimidos dados de uma pessoa ou empresa e inseridos de outras. Também existem adulterações em determinados campos, por exemplo, na data, com o objetivo de evitar a incidência de multa de recibo vencido”, acrescenta Renato. Segundo ele, em um dos casos o selo do cartório usado para a autenticação de assinaturas também era falso.

Agências de veículos investigadas - Dois tradicionais comércios de venda e compra de veículos da cidade estão sob a investigação policial. Existem indícios de que essas empresas adquiriam os veículos, preenchiam o recibo de compra e venda em seus nomes e depois providenciava a lavagem química do documento para suprimir os dados da empresa e colocar os do terceiro para quem tinham revendido o veículo. “As razões podem ser variadas, desde a evitar que seja verificada a entrada e saída do veículo no comércio com reflexos na incidência de impostos como para evitar gastos com duas transferências. A motivação das situações detectadas está em investigação”, destaca o delegado.

Despachantes - O delegado informa que os três despachantes que foram afastados judicialmente em 2016 estão entre os investigados. “Além deles, outros dois também passaram a fazer parte dos investigados. Em novembro e dezembro de 2018, foram encontrados dois casos de falsificação envolvendo um desses despachantes que tinha sido preso em flagrante por uso de documento falso em 2017”, afirma.

Interrogatórios - De acordo com Renato, mais de sessenta pessoas serão ouvidas e interrogadas a partir desta semana, começando com os proprietários dos veículos. Ele acrescenta que foram emitidos mais de sessenta mandados de intimação e este número poderá aumentar. Segundo ele, as investigações continuam pelas próximas semanas. “Se necessário for, reportarei ao Poder Judiciário pleiteando a decretação de medidas necessárias à completa elucidação dos fatos. Apesar da dificuldade em apurar, uma vez que normalmente esses indivíduos agem em comum acordo, a Polícia Civil será contundente e profunda nas suas ações”, ressalta. Renato afirma que “não será tolerado qualquer tipo de ingerência, influência ou mobilização de categoria tendente a atrapalhar os serviços da polícia como ocorreu na investigação de 2016”, referindo-se ao requerimento elaborado e assinado por um grupo de despachantes.
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