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Editorial - Salada de frutas
20/02/2019, às 08:55:42
A atual gestão municipal conseguiu acumular uma grande insatisfação popular por óbvios motivos, como a ineficiência na prestação de serviços públicos que são essenciais para o cidadão à destinação de recursos para a construção do viaduto sem os trâmites legais até a manipulação da imprensa com a verba destinada à Comunicação. Porém, nada perto da suspeita de superfaturamento na aquisição de gêneros alimentícios levantada pelo vereador José Valdez (Ceará da Padaria) esta semana. 

Os dados colhidos pela equipe dele no próprio Portal da Transparência da Prefeitura de Araxá relativos ao período de 2013 a 2018 o levou a pedir a constituição de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) pela Câmara Municipal durante a reunião ordinária de terça-feira, 12. Os vereadores Robson Magela, Raphael Rios, Fernanda Castelha e Bosco Júnior são signatários do requerimento apresentado à mesa diretora para a abertura da CPI, visando a apuração dos dados levantados nesse segmento e de quaisquer outros correlacionados.

A preocupação é com os gastos exacerbados do Poder Executivo em determinadas questões e a falta de recursos públicos para outras prioritárias, como para a boa manutenção da cidade que está tomada pelo mato e buracos, de não só dar vergonha como colocar em risco a saúde da população, o que já está demonstrado no aumento do índice de focos do Aedes Aegypti na cidade. As áreas pertencentes à prefeitura são mau exemplo para os proprietários dos terrenos abandonados esparrama dos pela cidade.

Até esta semana, parecia que Araxá continuaria a aceitar tudo passivamente - quem sabe alguns até por remorso, cumplicidade, conveniência, comodismo e omissão. No entanto, o vereador Ceará começa a desnudar a falsa realidade criada pela administração municipal que inclusive pode levar a outros graves desfechos, caso de fato mantenham essa posição inatingível, inacessível e injusta na condução do governo municipal. Durante um mandato, se contabilizados os últimos quatro anos (2015/2018), a cidade tem regredido a olhos vistos. O que ocorre porque grande parte das pessoas parece vendada e uma alerta minoria presente na Câmara Municipal não conseguia ter voz.

É mais um grave momento para a política araxaense e quiçá desta vez tudo possa ser resolvido com o diálogo, o debate, a mudança de postura a favor da coletividade acima de tudo. Com a reciprocidade da administração à confiança depositada nas urnas pelos eleitores por um governo melhor que saiba gerenciar os recursos e aproveitar os potenciais do município para multiplicá-los.

O Orçamento Municipal de 2018 efetivamente arrecado gira em torno de R$ 365 milhões, mesmo com o agravamento da falta de repasses por parte do governo do Estado, a partir do segundo semestre do ano passado. E poderia ter sido ainda maior se realmente tivesse prevalecido esforços e investimentos numa política municipal de valorização dos empregos formais, principalmente, para repor no mercado as vagas perdidas. Não só devido à atual situação da mineração no Estado, mas em vários segmentos e, especialmente, em micro e pequenas empresas cujo número de fechamento continua elevado em Araxá. Não existe uma adequada política pública de fomento as atividades econômicas.

O debate daqui para frente na Câmara Municipal gira em torno dos gastos da prefeitura com abacates, abacaxis e toneladas de limões constantes no pedido de CPI. A diferença é que dessa vez não existe mais uma maioria cega às vontades do Poder Executivo na Casa. Pelo contrário, agora existe uma maioria de olho bem aberto no trabalho de fiscalização atribuído ao vereador e que não vinha sendo cumprido a contento nos últimos quatro anos. Se o staff municipal não reverter esse quadro, essa salada de frutas pode ficar ainda mais azeda.
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Clarim
Radix Comunicação e Tecnologia