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Editorial - A imprensa e a velha política
06/03/2019, às 08:23:10

A imprensa não fica velha, pois depura-se a cada episódio em que se torna protagonista das importantes mudanças que o país, os Estados e os municípios precisam para progredir. Já as más práticas políticas que inclusive miram e envolvem a imprensa no descaminho da manipulação e ilicitude estão em pleno desuso, porque agora a sociedade tem amplo acesso às informações e escolhe os veículos de comunicação que mais lhe dão voz. Em contrapartida, fortalecendo-os a cada dia através do mais valoroso conceito da atualidade - a credibilidade.

As Eleições Gerais 2018 anteciparam mudanças que serão ainda mais profundas em todos os âmbitos, por direito exigidas pela sociedade que também tem revisto a sua mentalidade porque está em constante evolução. Afinal, em termos de consciência não há retrocesso. A cada dia o cidadão aprende a melhor distinguir a boa da má informação, esta que guarda em seu cerne intenções egoístas e, muitas vezes, escusas. Até por uma questão de resgate da sociedade brasileira que precisa evoluir moralmente à altura da tecnologia da comunicação que hoje dispõe, como para assegurar a democracia do país. O eleitor está mais reflexivo em relação às drásticas ou fantásticas consequências do seu voto para a coletividade, ou seja, para todos.

Tanto que o registro em média de 50% de renovação dos políticos verificado nas urnas no pleito do ano passado tende a se repetir nas Eleições Municipais de 2020. Para ser maior ou menor depende do desenrolar deste período que antecede o próximo pleito, primordialmente ao atendimento das expectativas do eleitorado e não da classe política.

O autor Fernando Horta em artigo publicado no portal Sul 21, bem define a chamada velha política como aquela “dos espaços pré-definidos da massa popular que assiste e apenas aceita, e de uma pequena parcela que efetivamente detém o poder decisório”. O que é muito evidente no interior de Minas Gerais, onde inclusive ainda é mais difícil rebelar-se contra esse domínio, a exemplo de Araxá.

Porém, tudo muda com o avançar do tempo e quem não se transforma tende a estar recluso no próprio mundo, como os que ainda insistem em praticar a velha política - essa do “toma lá, dá cá”, “quem indica”, “pão e pau”, “puxa tapete”, “para os amigos tudo e os inimigos nada”. Essa prática não funciona mais como dantes e hoje realmente pode dar cadeia, finalmente torna-se de fato retrógrada.

No artigo intitulado “Afinal, existe ‘nova’ ou ‘velha’ política?”, Horta aborda o avanço conquistado a partir do momento em que o cidadão se vê como parte ativa da política. “Assim, a ‘velha’ política é a política dos caciques, dos coronéis. É a política da falta de povo, da falta de representação. A política em que é ‘feio’ participar, discutir e opinar. Esse é o velho”, diz. Essas práticas são bem comuns e aceitas por uma classe política que tem travado o desenvolvimento de Araxá pelo menos nos últimos 30 anos, criando assim uma “escola da velha política”.

Em contraponto, o autor diz que a nova política é a do empoderamento do cidadão. “A política dos meios que esse cidadão tem a sua disposição para cobrar, exigir e mesmo punir seu candidato se ele romper com o pacto de representatividade que é o voto. A nova política, portanto, precisa do cidadão o tempo todo, e não somente na hora da eleição. Precisa de conselhos participativos, opinativos e etc. Precisa de gente.”, cita com propriedade. A nova política também precisa da imprensa ética, séria que prioriza o cidadão para se estabelecer de fato, livrando a sociedade da subjugada por interesses menores.

Passadas as Eleições Gerais de 2018, embora o desejo de renovação dos cidadãos esteja expresso no resultado eleitoral, a maioria dos novatos eleitos para o Executivo e Legislativo continua a dar sequência às velhas práticas políticas, ao invés das prometidas que realmente podem transformar a sociedade. Por demagogia, ingenuidade de estreante ou falta de preparo, os calouros estão muito cercados por representantes da velha política, quando não perpetuam a própria.

O relacionamento com a imprensa estabelecido desde a campanha eleitoral pelo governador Romeu Zema também abraça a superficialidade, o consumismo político, a cobrança e a falta de reconhecimento do seu valor e trabalho em detrimento da necessidade de informação do cidadão enquanto ser coletivo. É mais fácil colocar a culpa na imprensa que é um segmento empresarial como qualquer outro que paga impostos, emprega e gera renda. No entanto, a diferença é que trabalha com a informação e forma opinião.

Zema precisa se ver livre dessa redoma que os velhacos criam em torno dos governantes para se locupletarem dos espaços de governo, por vezes, às custas da ignorância, resquícios da herança cultural brasileira. Exemplo disso, tem sido o destrato mantido com o jornal O Tempo (BH) que é o mais abrangente de Minas Gerais. Ao invés do governador mineiro postar vídeos em redes sociais gabando-se de feitos que não vão interferir em nada na vida do cidadão mineiro ou muito pouco, deveria se preocupar com a comunicação da sua gestão. Se pretende ser o novo governador apresentado aos eleitores que lhe confiaram 78% dos votos mineiros, precisa desapegar muito da herança conservadora. Não só ele, como todos os políticos eleitos em 2018 sob a bandeira da novidade.
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Clarim
Radix Comunicação e Tecnologia