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Editorial - Por um fio
01/04/2019, às 14:28:59

A situação de descaso da cidade deve-se à desatenção da administração municipal em relação à prestação dos serviços urbanos básicos, de limpeza, capina, tapa-buraco e outros afetos à necessária manutenção do município. Mas agrava-se quando se soma à ausência do prefeito e à falta de bom e confiável relacionamento político num momento ímpar para Araxá, porque hoje conta com o govenador do Estado e dois deputados estaduais dispostos a trabalhar diretamente pelo município. No entanto, o governo municipal está no auge do seu desgaste e na eminência de não conseguir mais revertê-lo.

A baixa estima do cidadão pela cidade aumenta a cada sucessão de erros cometidos pela prefeitura. Ao invés de favorecer a governabilidade em prol da cidade, acontece o inverso que pode descambá-la de vez em prejuízo de todos. Araxá já não é a mesma, a população sente-se sufocada pelo clima de indignação e decepcionada com o desempenho da administração municipal reeleita em 2016. A atuação centralizada na Secretaria Municipal de Governo, de conotação pessoal e individualista, provoca uma gestão retrógrada que não enxerga as mudanças conquistadas pela democracia desde o fim da ditadura e também por isto não consegue fazer Araxá avançar no tempo.

O descaso com o básico é uma situação que se repete desde 2015 e, portanto, agrava-se pela falta das devidas providências – se uma casa precisa de constante manutenção, o que dizer de uma cidade? Não é só um simples problema a ser resolvido mediante às cobranças da população, trata-se de um potencial risco para a saúde pública e a mobilidade urbana. Este ano é de epidemia de Dengue em todo o Estado; enquanto o mato alto, a sujeira e, principalmente, os buracos nas vias são um prato cheio para o Aedes aegipty.

A prefeitura não faz a sua parte e está sem moral para cobrar que o cidadão faça a sua e pague corretamente os seus impostos, inclusive colocando em xeque a credibilidade do Instituto de Planejamento e Desenvolvimento Sustentável de Araxá (IPDSA) que um dia nos idos anos 2000 foi o segundo a ser criado neste modelo no país – o primeiro foi o de Curitiba (PR). Existem pontos tão críticos que impedem a visão dos motoristas e ainda obrigam o pedestre a andar na pista de rolamento, é provável a ocorrência de acidentes em razão deste descaso.

As informações repassadas pela prefeitura são as mesmas no decorrer dos últimos anos a cada temporada de chuvas: falta mão de obra e ou caminhão e ou maquinário e ou licitação... Agora a prefeitura só corre atrás porque já não dá mais conta de cobrir toda a cidade com esses serviços de forma preventiva até as próximas chuvas. Há de se questionar também o fato de que enquanto boa parte da cidade está em desprezível situação, a manutenção e o cuidado em relação a uns dois ou três pontos é invejável, como no Parque do Cristo que ainda não tem acessibilidade para o mirante. O desfalque que essas preocupações pontuais fazem no todo é perceptível.

A essa altura, quando já são muitas vias em condições que a operação tapa-buraco não mais resolve, surge a informação de que toda a cidade será recapeada com cerca de R$ 40 milhões que serão repassados ao município pelo governo federal. O instigante é que antes esses recursos viriam para a elaboração do importante projeto de interligação da av. Rosalvo Santos até a BR 262 com a canalização dos córregos Grande e da Galinha e também para construir o viaduto da rua Uberaba - apesar de ser dispensável, porém vão ser aplicados agora para acabar com os buracos?

O ano avança sem sinal de qualquer reviravolta que possa fazer esse governo acertar o rumo e atender de fato às expectativas positivas que se esvaem pela falta de visão, de comunicação, por perseguição política, pela incompetência e constatada incapacidade de atender o básico. A praticamente um ano e meio do fim da gestão municipal e, considerando que 2020 é ano eleitoral, vai ser difícil deixar um reconhecido legado. Não só em obras físicas como também humanas que contribuam para o desenvolvimento sustentável do município.

Mesmo porque, se o governo municipal tem feito mais do que tem sido visto pela comunidade, pouca gente sabe. Sem falar da proposital divulgação de obras como se tivessem sido feitas por iniciativa da prefeitura e não por orientação e até imposição do Ministério Público (MP) mediante liminar judicial – como no caso da Praça da Juventude, dentre outros. A criticada meia verdade tão presente na prática da velha política. As esperanças da população estão por um fio diante do pouco tempo que a administração municipal tem para reverter essa falta de credibilidade.

Aliás, ainda não se vê esforço nesse sentido, porque a avaliação do governo só piora, aumentando a crescente insatisfação popular e dificultando o seu relacionamento político. O que acarreta muitas dificuldades para se fazer uma boa gestão, caso seja de fato a intenção, porque não só fomenta a inadimplência do cidadão como desagrega e faz retroceder ao invés de progredir à altura do potencial de Araxá.
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Clarim
Radix Comunicação e Tecnologia