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Editorial - O mal da descontinuidade
25/04/2019, às 08:10:21
O mal da descontinuidade estende-se do desprezo pela cultura que resguarda as tradições de um povo até a desconstrução proposital do que o outro faz pelo coletivo. A falta de continuidade das importantes ações propostas para Araxá nos últimos 30 anos é o que tem ocasionado inclusive o seu retrocesso, porque já teve muito mais representatividade política do que hoje.

A atualidade determina que essa antiga e despreparada política dá os últimos respiros, face aos tempos de plena informação que assegura a democracia. O que não funcionou outrora, quando o povo não tinha meios de comunicação massivos à mão. O município parece ter parado completamente e não vê o que acontece de bom ao redor, apenas compara para baixo para justificar os erros ou a incompetência. A mesma ladainha que no mínimo faz estacionar o progresso, porque não olham à frente, a visão está aprisionada naquilo que o outro fez e não no que nós podemos fazer dentro das nossas potencialidades.

Aqui, servem os exemplos de fora que são piores do que os de Araxá, para camuflar a falta de iniciativa, de planejamento e realização. Que o povo se conforme com a mesmice, o desperdício, a falta de coragem para mudar o necessário em prol do desenvolvimento sustentável do município. A questão é que para crescer precisamos de parâmetros mais altos do que aqueles que já alcançamos, o que não é o caso da cidade há muito tempo, onde o clima é só pessimismo, inveja e inglória.

O cidadão tem que aprender também a não só ter cuidado com o ambiente que o cerca e que não está restrito a sua casa, como também a cobrar de quem não cumpre a obrigação do cargo que ao final das contas é conferido por todos. A falta de planejamento e boa gestão tem enterrado conquistas históricas que fizeram Araxá pioneiro em algum momento em que os tempos conspiravam a favor e não contra o município. Porém, a cidade já está melhor porque a sua estagnação acaba despertando à responsabilidade de cada um em corresponder à altura de tantos recursos naturais e culturais reunidos num só município.

A população precisa continuar aprendendo com o passado e também a manter e valorizar a sua identidade para construir um promissor futuro. Felizmente, o que ainda resta arraigado na mentalidade política araxaense tende a se despregar neste contexto pós-eleições 2018, cujos resultados miram os reais problemas e a necessidade de promover uma profunda transição no modo como a população vê a cidade que a abriga e como se relaciona com os líderes que a conduzem para o retrocesso ou o progresso.

A tradição herdada é referência do povo, no entanto, não pode servir para travá-lo em seus avanços. Na geologia, a descontinuidade é um termo usado para designar as camadas de transição, tanto no interior da Terra, quanto para diferentes fácies sedimentares. Nesse caso, a descontinuidade é marcada por um período em que houve erosão ou não-deposição de camadas rochosas. Como analogia, que a descontinuidade que marca essas três últimas décadas no município receba agora uma nova deposição de rochas nestes degraus históricos.
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Clarim
Radix Comunicação e Tecnologia