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Editorial - Poderia ter sido, mas não foi
02/05/2019, às 07:52:12
O que Araxá vive no presente é consequência de decisões políticas tomadas nos últimos 30 anos, especialmente por seus prefeitos. Um reflexo que hoje resulta numa grande insatisfação popular, porque em vários momentos dessa recente história o município não só deixou passar muitas oportunidades de se desenvolver de forma mais sustentável, como também tem registrado um lamentável retrocesso na grande maioria de seus segmentos.

Em 1985, houve eleição apenas para prefeito de Belo Horizonte e de treze municípios considerados estâncias hidrominerais, dentre eles, Araxá. Nesses municípios, os prefeitos eram escolhidos indiretamente nas eleições municipais anteriores. O então ex-prefeito nomeado por dois mandatos no período da ditatura militar, Aracely de Paula, foi eleito pelo povo pela primeira vez tendo como vice Waldir Benevides de Ávila. Ele cumpriu um mandato mais curto até 1988, quando houve eleição nos 723 municípios que existiam em Minas Gerais até 1985. O vice Waldir é eleito prefeito com apoio de Aracely que dois anos depois, em 1990, se elegeU deputado federal pela primeira vez, fazendo uma dobradinha com Elisa Maria Alves da Costa que era a presidente da Câmara Municipal e elegeu-se como deputada estadual.

Waldir foi sucedido na Prefeitura de Araxá pelas seguintes gestões municipais, a de Jeová Moreira da Costa (1993/1996); Olavo Drummond (1997/2000); Antônio Leonardo Lemos Oliveira (2001/2008); Jeová (2009/2014) e Aracely (2015/2020) novamente. Ele assumiu o governo junto com a promulgação da Constituição Federal de 1988 que sacramenta o período democrático pelo qual o país passa a vivenciar e, portanto, existia uma série de providências legais a serem tomadas.

Dentre essas medidas, estão a criação do Instituto Municipal de Previdência Social de Araxá (Iprema) e a elaboração do primeiro Plano Diretor, em 1990. Duas oportunidades de gestão municipal eficiente e de crescimento ordenado da cidade que foram praticamente consumidas no tempo por descontinuidade de ações decorrentes de velhas práticas políticas. A transição de regime do funcionalismo municipal não se completou como deveria e repetiram-se privilégios passados que permanecem na medida do possível até o presente. Principalmente, o de usar a administração e o funcionalismo municipal como importantes “cabos eleitorais” para vencer as eleições.

Como a prefeitura continua a ser a maior empregadora do município com cerca de 5 mil servidores ativos, sendo 30% contratados conforme a vontade do gestor público, ainda é muito difícil vencer a máquina municipal no pleito eleitoral. Tanto é que não houve a formação de novas lideranças capazes de mudar esse status quo do poder político araxaense e as disputas eleitorais do município se repetem em torno de um mesmo grupo de prefeito e ex-prefeitos que se revezam perpetuando apadrinhamentos em detrimento do avanço de Araxá. Ora se juntam para ganhar o pleito e, em seguida, já estão se defrontando em torno de cargos, recursos e outros mandos ao ponto de prejudicarem-se entre si sem importarem-se de fato e primordialmente com o destino do município.

É tão arraigada e acirrada essa velha prática política que não só dificulta a renovação de lideranças no município, como até mesmo faz perder as oportunidades de progresso e é mal exemplo de desagregação que provoca muita desconfiança junto à comunidade local e às demais esferas de governo - estadual e federal. É possível elencar muitos desafios perdidos em decorrência dessa visão retrógrada em torno do eleitorado araxaense que é tratado como massa de manipulação, desde o próprio Plano Diretor que 30 anos depois ainda carece de leis complementares e não tem sido seguido como proposto e sim alterado a bel prazer da classe política e seus favorecidos.

Os municípios vizinhos que não enfrentam essa peleja ultrapassam Araxá a todo instante em termos de representatividade e crescimento, como Patos de Minas e Patrocínio. Exemplo mais recente é o de que Araxá vai perder a sua agência da Receita Federal a partir da próxima terça-feira, 30, se não houver reversão da decisão tomada em Brasília, o que já está sendo tentado pelo deputado estadual Bosco. Araxá está no retrovisor de municípios da região um pouco menor e maior, Patrocínio e Patos de Minas que são como espelhos do atraso imposto à população local.

Como nada é definitivo, a enorme insatisfação popular com o atual governo municipal é prenúncio de novos tempos nas Eleições Municipais de 2020. As obras humanas que a administração municipal precisa fazer para atender a comunidade melhor nem são pensadas e já as poucas físicas que inclusive não seguem critério de prioridade em parte tem sido executada sem planejamento e a esperada competência.

A primeira obra de inciativa própria inaugurada pela atual gestão foi em 2015, a ponte que interliga os bairros José Cincinato de Ávila e Urciano Lemos que pouco tempo depois apresentou problema. Nem mesmo o básico como a manutenção da cidade limpa e a eliminação de pontos críticos de infraestrutura urbana tem sido feito atualmente e, definitivamente, o povo não merece esse destino.
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Clarim
Radix Comunicação e Tecnologia