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Editorial - O fisiologismo na Câmara Municipal
09/05/2019, às 08:10:47

O câncer da política araxaense também é o fisiologismo, ou seja, “prática de certos representantes e servidores públicos que visa à satisfação de interesses ou vantagens pessoais ou partidários em detrimento do bem comum”, muito bem define a Wikipédia - a mais popular enciclopédia colaborativa do planeta.

Mais presente no Legislativo do que no Executivo, por exemplo, esse fisiologismo está refletido na recusa da proposta de redução do número de cadeiras de 15 para 10 na Câmara Municipal, porque sequer consegue o número de assinaturas necessário para que pelo menos seja apreciada em plenário.

Os vereadores considerados pela oposição como da base do prefeito Aracely de Paula, Luiz Carlos Bittencourt (Podemos), César Romero da Silva (Garrado/PR) e Emílio Castilho (PR) assinaram o projeto de lei que propõe a redução do número de vereadores na Câmara Municipal dos atuais 15 para 10, ou seja, em um terço - dando bom exemplo de acolhimento do anseio popular.

Porém, como trata-se de emenda à Lei Orgânica do Município (LOM), é necessário no mínimo cinco assinaturas para que a matéria pelo menos seja apreciada. Eles ainda não conseguiram sensibilizar os demais colegas, mesmo estando de fato atendendo a grande maioria da população que aplaude a iniciativa, independentemente de qualquer opinião e ou intenção que estejam ou não por trás dela, visto que é amplamente acatada pelo coletivo.

Mesmo os vereadores que costumam se posicionar contrários às atitudes do Poder Executivo que visam o poder político e não os anseios do povo, ditos de oposição, nessa questão se omitem ou pretendem até aumentar de 15 para 17 o número de cadeiras sob o argumento de maior representatividade popular na Casa. Porém, ocorre é que de fato a proposta se esbarra nos interesses partidários e pessoais daqueles que querem assegurar maior chance de ser reeleito em 2020.

No entanto, muitos camuflam esse sentimento até para si mesmo com argumentos de que estão defendendo essa maior representatividade. O que em parte já se desconstrói com o exemplo do próprio Poder Legislativo de Araxá que com 10 cadeiras era muito mais íntegro, cobrado e participativo do que o atual com 15.

Então em momentos cruciais como este de mudança política, a grande maioria dos vereadores prefere nem deixar a matéria tramitar, porque sabe que se houver discussão, notadamente, aí sim, prevalecerá a opinião popular.

É lamentável que o episódio já manche tão cedo a gestão do presidente Carlos Roberto Rosa (SD), em detrimento da expectativa inicial de otimismo e novos ares para a Casa. Um exemplo de que tende a continuar fisiologista como é praxe na política local.

“Fisiologismo é a parte podre das relações políticas, caracterizada pela troca de favores ou benefícios individuais pelo cumprimento das ações públicas”, define outro dicionário online, o inFormal. “A prática fisiológica muito presente nos parlamentos é a prática política em que os partidos aderem ao governo em troca de cargos em órgãos públicos e empresas estatais, a despeito de divergências ideológicas ou programáticas”, completa. E muitas vezes, o fisiologismo se confunde com o clientelismo que é a troca de favores entre políticos e eleitores, o que também é muito comum na política até hoje praticada em Araxá.

Quiçá este editorial desperte os de boa fé para a positiva oportunidade de mudança política no município que tem se esvaído por interesses menores.
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Clarim
Radix Comunicação e Tecnologia