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Editorial - Em terra de cego
29/05/2019, às 08:50:58
“Em terra de cego, quem tem um olho é rei”, diz o apropriado ditado para uma analogia com a prática da política araxaense no geral. O domínio de uns poucos políticos que ora se juntam para vencer as eleições e ora se separam para governar ao dividirem os quinhões tem feito muito mal à cidade. Há mais de três décadas que a população vem sendo paulatinamente cegada por conveniência dessa classe política.

O exemplo mais recente na história política ainda é vivenciado e começa quando a chapa segunda colocada nas Eleições Municipais de 2012 perdeu as eleições para a prefeitura por menos de 200 votos, embora contasse com o apoio de 14 partidos da cidade. A chapa inconformada com o resultado das urnas entendeu que era possível assumir o poder no tapetão e, assim o vez, depois de praticamente inviabilizar o governo municipal eleito até conseguir derrubá-lo ao final dos dois primeiros anos. Todo esse movimento criou um péssimo ambiente coletivo e tristes exemplos, com fortes consequências sentidas por todos até hoje diante da cegueira coletiva que pode acontecer por ignorância, medo ou conveniência.

Tudo se repete a cada ciclo, mas este último que antecede as eleições de 2020 já está por demais desgastado e ao que tudo indica não mais se sustenta. Esse governo imposto pela Justiça a partir de 14 de novembro de 2014, com a máquina pública na mão e a argumentação de que não teve tempo para cumprir um mandato normal de quatro anos após derrubar o anterior, foi reeleito em 2016 com a renovação das promessas feitas pelos mesmos políticos de sempre e que mais uma vez se uniram apenas para vencer o pleito e, depois, a população que se dane com os dilemas internos que consomem a gestão.

O mais grave é que o atual governo realmente sente-se um “rei em terra de cego”, ao ponto de administrar desassociado de leis e da população. No trono lá de cima do castelo, construído e mobiliado a sua vontade e à da rainha, o rei esconde-se e aparece somente quando julga necessário ou conveniente, deixando a cidade à revelia e submetida às velhas práticas políticas criadas pela própria escola de reinado. E sob o comando da rainha existe uma casta que não só usa das mesmas ou até piores práticas para se manter no poder, em meio à cegueira do povo. A apadrinhada fidalguia do entorno do palácio devido ao apoio político abrange várias famílias, parentes que na maioria das vezes não têm competência para trabalhar em prol do povo que acaba deixando-se cegar.

Quem não quer ver, pode passar a querer devido aos infortúnios provocados pela falta da visão. A vontade leva à luz, porém uns voltam a enxergar pelo mesmo interesse em se deixar cegar, à espera do recomeço de outro ciclo para continuar a receber as benesses do poder público. Mas os fachos de luz buscam os buracos deixados pelo manto de silêncio e aquiescência imposto pelo domínio político que ainda impera no município embora esteja a ruir.
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Clarim
Radix Comunicação e Tecnologia