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EDITORIAL - Fora do foco
01/08/2019, às 08:56:42

Em todo o país, especialmente em Minas Gerais, o turismo que impulsiona a chamada indústria criativa recebe mais incentivos porque tem sido entendido como uma saída para fazer crescer a economia a curto e médio prazos. Vários municípios mineiros estão engajados nesse foco, inclusive Brumadinho que se recupera do desastre provocado pela mineração justamente através do incremento da atividade turística na região. Porém, Araxá que sempre teve tudo para ser exemplo de crescimento sustentável, conciliando mineração com o turismo, não só continua fora desse foco, como tem até claramente retrocedido.

Enquanto Minas Gerais segue esse caminho governado por um araxaense, Romeu Zema Neto, o prefeito Aracely de Paula com a sua prepotência sequer admite conversar com ele a bem cidade. Não só os R$ 7,5 milhões desperdiçados em desapropriações feitas sem o devido processo legal para a construção de um desnecessário viaduto, como tantos outros recursos públicos que pela situação vigente estão mesmo sendo mal aplicados, poderiam colocar Araxá noutro patamar de desenvolvimento sustentável com qualidade de vida.

Ao invés disso, perpetuam-se desmandos a favor de um grupo político que já não conta com a confiança da maior parte da população. As ações da Prefeitura de Araxá estão nas mãos desse grupo há quase cinco anos, após ter questionado o resultado das urnas na Justiça e, desta forma, assumir o governo municipal em novembro de 2014. Dois anos depois, o prefeito foi eleito de fato para o mandato 2017/2020 com promessas como a do viaduto, dentre outras vindas de cima para baixo e na contramão da necessidade da população.

Nesse período, a administração municipal tem sido loteada para atender critérios políticos eleitoreiros de pessoas que ora estão juntas, ora brigando por uma fatia do poder público municipal. Essa ingerência política na gestão do município acontece há décadas, desde a redemocratização do país. Tamanho é o autoritarismo dessa histórica e exclusivista política que ainda hoje um restrito grupo faz um governo à parte da comunidade, fantasiado como “Alice no País das Maravilhas”. As eleições municipais acontecem praticamente daqui a um ano e continuam a pregar como se fosse possível fazer até lá tudo que ainda prometem, inclusive construir um viaduto – símbolo de regresso.

Um governo municipal que indevidamente finca grandes placas em rotatórias de avenidas para anunciar recapeamentos esperados durante estes cinco anos, período em que as vias de Araxá ficaram praticamente sem qualquer manutenção. E culpam gestões anteriores que sem dúvida cuidaram muito melhor da cidade do que a atual e que viram no turismo uma importante atividade econômica.

Araxá possui engavetado um projeto que cria circuitos na cidade visando o turismo receptivo, tendo sido contratado pelo Sebrae há uns dez anos e elaborado pelo renomado urbanista e arquiteto Jorge Wilheim que morreu em 2014 – “aos 85 anos, 60 dos quais dedicados à arquitetura, ao urbanismo, à administração pública, à produção intelectual e às artes”. Se esse projeto tivesse sido executado nem que fosse em partes, hoje Araxá estaria com a atividade turística retomada e consolidada, pronta para crescer apesar das adversidades.

Mas essa política tacanha há muitos anos impede que o município invista no que realmente interessa ao turismo. Se fosse esse o foco, Araxá estaria muito à frente desse movimento em prol da atividade turística que ressurge fortemente em todo o país. Porém, ao invés disso o município retrocede ano a ano, com museus fechados, patrimônios históricos desprotegidos, serviços públicos ineficientes etc. Pois ainda são aguardadas muitas ações previstas anteriormente com vistas ao desenvolvimento turístico de Araxá, como a revitalização do Centro Histórico e incremento do comércio conforme projeto do Sebrae também doado ao município e não executado.

Araxá deveria ser hoje exemplo para o turismo mineiro, desde o posicionamento do poder público municipal de investir em infraestrutura física e humana à educação da população para que a cidade estivesse sempre limpa e com seus equipamentos públicos funcionando à contento, além da preservação e segurança do patrimônio público em geral. O comprovado abandono de espaços públicos de esporte e lazer como a Praça da Juventude, reflete a falta de preocupação da gestão municipal com o que interessa mais de perto à população. Nesse tempo, não só poderiam ter sido abertos e mantidos os espaços que Araxá já tem como poderiam ter sido criados outros, a exemplo do prometido mercado central.

É muita ingenuidade acreditar que em um ano como o que se aproxima, com todos os impedimentos legais dado ao período eleitoral, a administração municipal mude Araxá da água para o vinho como apregoa. É mais provável que o feitiço vire contra o feiticeiro.
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Clarim
Radix Comunicação e Tecnologia