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Editorial - Sem o fio da meada
16/08/2019, às 10:36:27
Araxá convive com mais um escândalo de desvio de recursos de tradicionais instituições filantrópicas, desta vez, do Recanto do Idoso São Vicente de Paulo que está funcionando sob a intervenção da Justiça desde o último dia 26.

Nos últimos 30 anos, o primeiro dos escândalos de desvio de recursos via entidades e que abalou profundamente a sociedade local ocorreu em 1993, com o afastamento do cargo da deputada estadual eleita por Araxá em 1990. De lá para cá, a sociedade foi surpreendida com o escândalo do mesmo gênero desnudado em 2015 também pelo Ministério Público (MP) e Polícia Civil (PC), com o respaldo do Poder Judiciário, envolvendo a maioria dos vereadores que compunha a Casa à época e recursos da Santa Casa de Misericórdia. As atuais investigações provam que essa praxe imoral e ilegal continua a ser praticada na cidade, embora todos os escândalos que desvelaram a sua clara ocorrência como se fosse até comum.

Afinal, em 2015 foi aberto um grande inquérito para que todas as cerca de 60 entidades filantrópicas da cidade que recebem recursos públicos, principalmente via fundos municipais de Assistência Social, da Criança e Juventude e do Idoso, fossem investigadas até a bem da própria credibilidade. Porém, coloca-se todo mundo no mesmo vão e quase nada de fato foi apurado, porque a equipe destinada a este trabalho está reduzida a um delegado. Portanto, tudo deve estar parado há quase cinco anos e é esta falta de resposta que conota impunidade para a coletividade e incentiva a perpetuação dos mesmos crimes.

Essa intervenção no tradicional Recanto do Idoso São Vicente de Paulo pode e deve suscitar a abertura ou reabertura de investigações de fatos graves, inclusive o que levou ao suicídio de um dos diretores da instituição à época. Aliás, uma coincidência grave é saber que o autor confesso desses desvios não foi denunciado a tempo e a hora pela diretoria do asilo, cujos membros se revezam nos cargos desde a gestão 2014/2015. Outra questão inquietante é saber que inclusive esse réu depois de tudo foi ainda atuar noutra instituição, a princípio como voluntário, mas dali indicado para compor o Conselho Municipal do Idoso que delibera sobre os recursos do respectivo fundo que deve ser contemplado anualmente com cerca de uns R$ 8 milhões pelo menos.

O alento nisso tudo é a constante vigilância e atuação do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), especialmente da promotora curadora da Saúde, Infância e Juventude e dos Idosos, Mara Lúcia Silva Dourado, que faz o que pode para ajudar a reverter essa cultura de privilégios arraigada na população. Mais uma vez, foi corajosa e rapidamente ao receber as denúncias deu providências que já culminaram pelo menos com a cessão do rombo registrado na instituição e a abertura das investigações.
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Clarim
Radix Comunicação e Tecnologia