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Editorial - Para ser relegado
30/09/2019, às 08:18:12
A Prefeitura de Araxá assinou nesta semana a ordem de serviço para a construção do viaduto na intercessão da rua Uberaba com a av. João Paulo II, no bairro Alvorada. A obra tende a ser um relegado para o próximo gestor municipal que possivelmente deverá concluí-la, embora o viaduto seja refutado pela maioria da população.

Principalmente por ser desnecessário, ainda mais neste momento de tantas outras prioridades reais. O pior é que o viaduto descaracteriza a paisagem urbana do que se constitui a cada dia no novo Centro de Araxá, embora a av. João Paulo II continue a carecer de serviços públicos como dantes.

O prefeito Aracely de Paula anuncia a construção de viadutos na cidade desde o seu reingresso extemporâneo à administração municipal por via judicial, ao final de 2014. Hoje passados quase cinco anos, parece que finalmente ele vai construir o primeiro, apesar da representação de proprietários e moradores de suas imediações junto ao Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) que chegou a abrir um inquérito civil e, pelo visto, deve ter sido arquivado. Mas a desnecessidade desse equipamento público está explícita desde o início do processo, tanto que seria construído num local de maior movimento de veículos na rotatória das avenidas Amazonas e Vereador João Sena e, sem mais nem menos, mudaram de local sem qualquer justificativa plausivelmente aceitável.

Araxá continua vitimada por essa descontinuada política e de interesses até então desconhecidos, porque na atualidade estão é criando alternativas para impedir a ocupação irregular provocada por viadutos, como o fechamento de suas laterais com horríveis paredões de concreto ou pedras. Enquanto aqui, querem construir até três viadutos, mesmo que não exista demanda de trânsito para tanto e, ainda mais, no cruzamento escolhido sem qualquer critério para a construção do primeiro. Não é preciso ir longe, basta observar as imediações do Viaduto José Domingos Vaz que interliga as avenidas Senador Montandon e Hitalo Ros. Há vinte anos, os viadutos ainda estavam em voga como solução para a mobilidade urbana. Mas atualmente são bem menos adotados como solução inteligente, vistos os impactos que realmente provocam e, em especial, para os moradores de suas imediações.

Porém, com um discurso de que o viaduto que será construído agora será importante daqui a dez anos, o prefeito faz disto questão de honra e toma para si inimizades daqueles que não concordam com a sua iniciativa que já custou R$ 7,5 milhões aos cofres públicos, com as desapropriações de 21 imóveis. A construção está estimada no contrato com a empresa vencedora do certame, Paineira Engenharia (BH), em cerca de R$ 7,2 milhões. Então, são R$ 15 milhões em recursos próprios que poderiam cobrir demandas como o recapeamento das vias e a devida sinalização e manutenção em toda a cidade.

O contrato prevê um prazo de execução da obra em apenas oito meses, o desafio é tão grande que houve licitações desertas mesmo antes da última que definiu a empresa vencedora. Em comparação com os prazos de conclusão das obras já executadas pelo atual governo municipal, é mais fácil acreditar que o viaduto não fica pronto até o fim do ano que vem que é eleitoral. Pois a construção da Escola Municipal Dom Pixote prevista no Orçamento Municipal de 2014, ainda não foi entregue. A reforma da rodoviária tinha prazo de 4 meses para a execução em 2017 e nem saiu do papel. O recapeamento e ou pavimentação de todas as principais vias de tráfego da cidade também é prometido desde 2015 e é só olhar a situação de algumas como a rua Brígido de Melo Filho, bairro Bom Jesus, para saber que boa parte continua na promessa. A terraplanagem da área para a construção da Uninoroeste no bairro Max Neumann foi feita em 2012 e, sete anos depois, ainda anunciam o início da obra.

Então, se for assim com a construção do viaduto iniciada somente agora e em meio a tantas controvérsias e denúncias de corrupção contra o governo municipal, o futuro prefeito não terá outra saída que não seja concluir a obra se não ficar pronta. Os cerca de R$ 15 milhões que estão sendo consumidos nessa obra são da população tão carente de serviços básicos e poderia ser aplicados da forma que convém à gestão municipal. Esses recursos próprios do município foram juntados ao longo dos últimos anos às custas da ineficiência de vários setores da administração pública. A prefeitura tem recursos para construir o viaduto, porém não os tem para outros importantes pleitos da cidade e, às vezes, nem dá respostas às cobranças inclusive feitas pelos vereadores.

Porém, as diferenças entre as receitas e despesas efetivamente realizadas pela prefeitura de 2016 a 2018 somam R$ 34,5 milhões de superávit, sendo R$ 6,8 milhões em 2016, R$ 25,5 milhões em 2017 e R$ 2,2 milhões em 2018. Portanto, o problema de Araxá nunca foi a falta de recursos, mas a boa e adequada aplicação destes. Outro recente exemplo é a aplicação de R$ 600 mil na aquisição de oito veículos para a Assessoria Municipal de Trânsito e Transporte (Asttran), o que também exige outros gastos como com pessoal e combustível, apesar da cidade já ser uma das mais seguras do país. A gritante ausência do poder público no cotidiano da população leva Araxá cada vez mais para um novo caos político e, após nem cinco anos, culminando com a judicialização do governo municipal.
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Clarim
Radix Comunicação e Tecnologia