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EDITORIAL - Araxá no “País das Maravilhas”
11/10/2019, às 10:20:51
O ambiente em que Araxá está mergulhado remete ao livro “As aventuras de Alice no País das Maravilhas”, de Lewis Carroll, publicado em 1865. Assim como Alice, Araxá vivencia um confuso ambiente de valores distorcidos, onde reina a impunidade e o autoritarismo, como o da Rainha de Copas do livro.

No País das Maravilhas, Alice se transforma, vive aventuras e é confrontada com o absurdo, o impossível, questionando tudo o que aprendeu até ali. “A menina acaba fazendo parte de um julgamento sem sentido e sendo condenada à morte pela Rainha de Copas, tirana que mandava cortar a cabeça de todos que a incomodavam. Quando é atacada pelos soldados da Rainha, Alice acorda, descobrindo que toda a viagem se tratou de um sonho”, cita o site Cultura Genial. Assim, a população araxaense vivencia situação semelhante provocada pela classe política e espera despertar do que tem sido um pesadelo desde o início da atual gestão municipal em 2015, não um sonho. Esse pesadelo começou com a eclosão dos escândalos que levaram à prisão de vereadores e colocaram em xeque o Poder Executivo e o próprio Poder Judiciário naquele ano. O pesado clima de “pão e pau” continua reinante e não se arrefece, ainda mais com o aproximar de eleições.

A gestão municipal continua a descrever uma cidade maravilhosa para a decepcionada população que em um quinto depende direta ou indiretamente da prefeitura que é a maior empregadora de Araxá. Pouca gente “se atreve” a contestar a malfadada prática política que significa o regresso para o município, perante um atual contexto de valorização das relações e do diálogo. Araxá não aproveita adequadamente as suas potencialidades em razão de um governo desagregador e ameaçador que ao mesmo tempo se coloca como ameaçado mediante dezenas de ações judiciais que se avolumam no transcorrer do tempo. Dentro de uma conjuntura em que o Poder Legislativo está rachado e dependente, mantendo o clima que desanima e oprime a população.

“Alice dava broncas em adultos num mundo no qual tudo é confuso e predomina a inversão de valores, além de conselhos de boas maneiras reprimindo os habitantes do País das Maravilhas por serem indelicados e loucos. Ela entende que adultos não são confiáveis, são ilógicos e, de certa forma, insanos. É uma reversão completa da maneira com que adultos e crianças eram retratados na literatura”, diz o texto sobre o livro da revista Galileu. Em Araxá, o governo municipal é perseguidor no âmbito do seu reinado, como se não fosse o povo a pagar a conta dos seus exorbitantes e inadequados gastos e, ainda, dá maus exemplos para os seus “súditos”.

Como no caso do desnecessário viaduto que consumirá R$ 15 milhões da prefeitura e não vai resolver qualquer problema de mobilidade urbana que exista hoje. Pelo contrário, vai criar mais problemas na região onde começa a ser construído até a sua conclusão sabe-se lá quando, apesar de apostarem em oito meses. É só ver o histórico de ineficiência no cumprimento de prazos previstos pela administração municipal, a exemplo de uma unidade de saúde que começa a ser construída agora depois de estar planejada há quase dez anos. Nos setores da cidade como um todo, falta recapear e sinalizar a maioria das vias, além do paisagismo e sua manutenção, mas será investido tanto dinheiro em um só viaduto que pode até criar mais problemas.

Porém, na Cidade das Maravilhas fazem tour com recursos municipais para divulgar as obras físicas do governo de um prefeito ego-centrista que também grava programa de rádio toda semana para ser enaltecido e se enaltecer, unilateralmente. Já que o contato direto do prefeito com a população é raríssimo e, pelo contrário, é dificílimo falar com ele, assim como com a Rainha. Porém, em tempos de mobilização com vistas ao processo eleitoral, a máquina fica afinada e sobrecarregada.

A visão humanista promove o desenvolvimento sócio-econômico-ambiental sustentável de um município aliada à eficiência, porém nada disto é prioridade dessa gestão e Araxá está perdido no “País das Maravilhas”. A receita municipal quase dobrou nesse período, mas a maioria das demandas da cidade continua a mesma, para não dizer que aumentou face à omissão do governo. A impressão que se tem é a de que o prefeito ficou juntando dinheiro público que deveria ter sido destinado ao bom andamento de várias áreas da prefeitura como a de serviços urbanos para investir no viaduto.

Também é coisa de Cidade das Maravilhas investir R$ 600 mil para a aquisição de oito automóveis-viatura destinados à Assessoria Municipal de Trânsito e Transportes (Asttran), embora a segurança pública em Araxá esteja bem. Por outro lado, a situação no Velório Municipal Passo da Saudade já passa a ser caso de calamidade pública, para não dizer a de outros patrimônios públicos literalmente abandonados pela atual gestão.

A Ouvidoria da administração municipal não cumpre adequadamente o papel para o qual foi criada que é o de ouvir e encaminhar as reclamações dos públicos interno e externo e fornecer uma resposta. Porém, foi muito ágil em encaminhar “denúncia” contra o vereador que deu transparência aos gastos da prefeitura demonstrados irregulares através de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI). Essa CPI contra o vereador a princípio parece mais retaliação, inclusive porque tem como base um relatório do IPDSA que é outro órgão público que não cumpre a sua função com o mesmo peso e medida. A começar pelo fato do instituto não fiscalizar a própria prefeitura que, além de não fazer a adequada manutenção das áreas públicas, desrespeita leis como ao colocar outdoor em rotatórias prejudicando a visão dos motoristas – autorizadas pelo IPDSA?

Todo sono tem início e fim e a população de Araxá está acordando do pesadelo com tantos absurdos vindos à tona, de práticas em detrimento do interesse de todos que querem fazer de Araxá uma cidade realmente maravilhosa.
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Clarim
Radix Comunicação e Tecnologia