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EDITORIAL - Alô, alô, governador
04/11/2019, às 10:25:59

“Aqui quem fala, é de Araxá”, um chamado que não tem sido atendido neste quase um ano da gestão do araxaense Romeu Zema Neto no Governo de Minas Gerais. De um lado, o seu receio de ajudar a terra natal e ser cobrado pela velhaca política mineira como se estivesse privilegiando o município e, do outro, Araxá continua com os problemas de sempre e decepcionada com essa sua postura “republicana”.

A expectativa da população é frustrada não só quanto ao posicionamento de Romeu como cidadão da terra, mas principalmente do governador em relação a um dos mais importantes municípios do Estado. O ditado “santo de casa não faz milagre” pode até ser citado em várias situações, esvaindo a esperança da população local de que a ligação do governador com Araxá ajudaria a solucionar antigos e pontuais problemas justamente por serem do seu conhecimento. Especialmente, os que envolvem a administração estadual proprietária de parte do complexo do Barreiro. Porém, parece que a ferrenha disputa política estabelecida na cidade tenha contaminado Romeu, a ponto de cegá-lo quanto aos direitos que Araxá reivindica não é de hoje e, justos, pelo o que contribui e representa no contexto do país.

Não é porque existem carências mais básicas como as da região Norte do Estado que não há sérios problemas a resolver em municípios mais ricos, até para que continuem a gerar os recursos que já são repartidos com os mais pobres – a chamada Lei Robin Hood. O governador sabe da excepcional contribuição de Araxá para com os cofres estaduais através da mineração do nióbio que rende à Companhia de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais (Codemig) quase R$ 1 bilhão por ano. No entanto, a situação do complexo do Barreiro dá vergonha, além do empurra-empurra. Há um ano que a Vila do Artesanato foi entregue pela gestão anterior e continua tudo como está, com os artesãos vendendo em frente àquele monumento vazio, enfrentando sol e chuva. Em um dos poucos discursos ou contatos com a imprensa local, Romeu disse que ia reinaugurar a obra com algumas alterações em dezembro próximo.

Em quase um ano, oficialmente o governador deve ter ido mais vezes a outras cidades até vizinhas do que em Araxá, onde comumente passa os fins de semana com a família. Lógico que extraoficialmente tem os seus contatos no município, mas isto não é o esperado de um gestor público. Em Araxá, ele concedeu rápidas entrevistas coletivas sob o olhar de censura da assessoria de imprensa pessoal e com restritos tempo e pauta. Já para alguns poucos, até não jornalistas, concede cordiais entrevistas. Romeu não age como um governador democrático, talvez seja porque não tenha uma competente assessoria de comunicação ou até seja a bagagem no setor privado que muitas vezes pesa contra. Primeiro, ele destratou o jornal O Tempo (BH) por achar a sua linha editorial unilateral e, hoje, faz quase a totalidade da mídia com a grande imprensa, relegando a do interior como agiam seus antecessores.

Outra expectativa da população em relação ao governador que também se transforma em decepção é a sua condição política. Romeu está governador, mas politicamente se mantém distante, a não ser como imagem do partido Novo e admirador do presidente Jair Bolsonaro (PSL). Tudo transcorre para que ele continue omisso à política local, ou seja, poderia ajudar Araxá a construir um período de consenso até suprapartidário porque obteve 86% dos votos da população, inclusive com lideranças desvinculadas de contestadas práticas e mais próximas do seu pensamento de governante, mas não o faz, é distante.

O fiasco do Novo enquanto partido político comprova-se neste período pré-eleitoral, pois pretende disputar apenas três prefeituras em Minas Gerais, embora tenha o governador como a própria imagem. Em Araxá, o Novo não terá candidatos a prefeito. O partido depende da eficiência do governo mineiro para sobreviver como modelo de gestão para o país, mas não amplia a sua penetração no Estado. Talvez também seja porque não faz alianças, exige uma contribuição mensal dos filiados de R$ 30, além de R$ 60 mil para a constituição de um diretório municipal com vistas à disputa das Eleições 2020 e, ainda, mais R$ 4 mil para os que se dispuserem a participar do pleito como candidato a prefeito do Novo. Isso lhe dá a pecha de partido de elite, eliminando dos seus quadros a maior parte da população brasileira. O Novo mais apostou na desconstrução do PT do que na construção de uma verdadeira política em substituição à antiga tão refutada pelo eleitorado. Hoje, em contrapartida, o Novo é taxado de representar a “ditadura da direita”, como antagonista à “ditadura da esquerda” do PT.

Esse pessoal que decide deixar o setor privado para dar a sua contribuição ao público, o que é cada vez mais necessário na criação de novas lideranças políticas, precisa estar com a mente aberta para quebrar paradigmas e não perpetuar as mesmas práticas como ocorre na maioria dos casos. Romeu alcançou a dificílima missão de governar o Estado pela disposição de contribuir com o público, o que não significa necessariamente que já aprendeu a fazer isto, mas tem acertado em muitos outros aspectos. Quiçá não se deixe iludir como os principiantes, fazendo um governo que também seja melhor para Araxá - é tempo e mais do que merecido.
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Clarim
Radix Comunicação e Tecnologia