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EDITORIAL - Caminho aberto
06/02/2012, às 09:19:47

 

  A vereadora Lídia Jordão (PP) anunciou a sua pré-candidatura a prefeita nesta semana através da Rádio Imbiara. O que implica na não candidatura do prefeito Antônio Leonardo Lemos Oliveira, porque são antigos companheiros políticos e do mesmo partido. É um ou outro a ser o candidato do PP numa chapa majoritária e do grupo que se manteve coeso em torno da liderança de Antônio Leonardo.
  Se for ela, deve começar desde já a dar sustentação a sua pretensão, inclusive partidariamente. Se for ele, é porque não houve alternativa e terá que se desincompatibilizar da vice-presidência da Companhia de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais (Codemig) até o final de março próximo, seis meses antes do pleito que acontece em 7 de outubro, conforme determina a legislação eleitoral.
  A pré-candidatura de Lídia tanto pode ser um balão de ensaio, como viabilizá-la de fato no páreo. Também pode ser uma saída honrosa para o PP de Antônio Leonardo, dentro da composição de partidos que apoiam o governo tucano em Minas Gerais. Nesse sentido, o partido cacifa Lídia como potencial candidata a vice-prefeita numa eventual composição, de certa forma representando o ex-prefeito. Se for assim, existem algumas dúvidas, como o papel do outro potencial pré-candidato a vice-prefeito do PP, o também vereador e presidente da Câmara Municipal, Carlos Roberto Rosa (PP).
  Dentro do PP, numa disputa à vereança não é nada boa a situação do Roberto, assim como a da Lídia. É que o partido não foi articulado para a disputa proporcional, ou seja, não mostra uma chapa com potencial para fazer muitas cadeiras na Casa, quiçá uma. Isso porque tem dois puxadores de votos que são pré-candidatos à reeleição, mas não tem quem soma com eles. O que significa que pode acontecer dos votos do partido assegurarem apenas a cadeira de Lídia, ou vice-versa, a do Roberto.
  Para o PP, também será muito difícil coligar-se na chapa proporcional visando a reeleição dos dois atuais vereadores. Como potenciais puxadores de votos, ambos são uma ameaça numa coligação no sentido de contar com a votação dos outros candidatos para serem eleitos. Isso porque as cadeiras que uma coligação faz são sucessivamente ocupadas pelos mais votados dentre todos os partidos que a compõem. Mas, se Antônio Leonardo for candidato a prefeito, essa situação do PP para a vereança tende a ser superada porque isto favoreceria muito a legenda.
  A não preocupação do PP em formar uma boa chapa de candidatos a vereador, mais homogênea do que essa que está muito concentrada nos votos de Lídia e Roberto, é um indício de uma divisão interna. Se for assim, o grupo que tem o domínio do partido irá conduzir a convenção que define as candidaturas majoritárias e proporcionais. E, sem dúvida, a maior liderança dentro do PP é a de Antônio Leonardo.
  Com o lançamento de Lídia como pré-candidata a prefeita pelo PP, também crescem as especulações sobre quem seria vice de quem. Estrategicamente, em política é melhor descartar o mais imprevisível e estar mais próximo do possível, para tentar acertar mesmo diante de tantos atropelos. O mais difícil seria Lídia ser candidata a vice de Toninho Barbosão (PT), porque embora seja uma excelente chapa esbarra-se nas fortes pretensões políticas com vistas à disputa para a presidência da República. Já que tudo caminha para o embate polarizado entre Dilma Rousself (PT) e Aécio Neves (PSDB), com Minas Gerais sendo crucial nesta batalha de gigantes. E o PP é o partido do vice-governador Alberto Pinto Coelho, que inclusive está sendo cotado para ser o candidato à sucessão de Anastasia em 2014.
  Então, Lídia poderia ser vice de Jeová Moreira da Costa (PDT) que é candidato à reeleição e espera ter o apoio coeso do grupo que gira em torno do governador Antonio Augusto Anastasia (PSDB). É muito difícil essa hipótese, seja pelo extremo da oposição em relação ao governo dele ou a sua rejeição às críticas que recebe. Enfim, não colaria para o eleitorado. Nesse caso, seria muito melhor para a imagem de Jeová junto ao eleitorado que o seu vice dentro do PP fosse o Roberto.
  A Lídia poderia ser a vice do deputado federal Aracely de Paula (PR), caso realmente ele seja candidato a prefeito. Nada o impede de estar na disputa, tanto que se não vencer continua a ser deputado federal até o término do seu mandato, em 2014. Essa também é uma composição difícil, no entanto, mais provável que as demais. O que asseguraria para Antônio Leonardo o apoio de Aracely como o seu sucessor no Congresso Nacional, daqui a dois anos.
  Jeová chegou a dizer publicamente que só abre mão da candidatura à reeleição para Aracely, o que faz sentido diante do fundamental apoio dele para que fosse eleito em 2008. Mas, essa afirmação pode perder o valor conforme o prefeito tenha a clara preferência do eleitorado para disputar a reeleição. E Jeová está à frente da máquina pública, o que em eleição tende a fazer alguma diferença apesar dos impedimentos da legislação eleitoral que visam a igualdade da disputa.   
  No entanto, se o prefeito realmente abrir mão da pretensão de se reeleger para a candidatura de Aracely, no mínimo vai querer indicar o seu candidato a vice na chapa, que obviamente não seria a Lídia. Nesse caso, Jeová indicaria a secretária de Desenvolvimento Econômico, Turismo e Parcerias, Alda Sandra Barbosa Marques (PDT). Ela é companheira de partido, é da sua extrema confiança, tem papel preponderante dentro do governo municipal, sendo que o turismo e outras ações da sua pasta começam o ano em alta.
  O rol de possibilidades vai afunilando-se até a definição das chapas majoritárias que tradicionalmente acontece no apagar das luzes do prazo para a realização das convenções partidárias e registro das candidaturas, 30 de junho e 7 de julho próximos, respectivamente. Um hábito que em Araxá costuma surpreender o eleitor a cada disputa. Muitas possibilidades de composição, mais fáceis, difíceis e até as que parecem impossíveis, hão de ser levantadas e testadas até lá. Enquanto isso, todos estão cautelosos.
  Já o PSDB, tem uma especificidade em todo esse processo por ser o partido do governador e do senador Aécio. Mas em Araxá, está numa situação semelhante a do PP na formação da chapa proporcional. Os tucanos se debandaram e não vai ser fácil reuni-los tão rápido assim para a disputa da Câmara Municipal, numa chapa praticamente centralizada nas pré-candidaturas à reeleição dos vereadores Edna Castro (PSDB) e Marco Antônio Rios (PSDB). Então, está presente o mesmo risco de um contribuir apenas para a reeleição do outro e vice-versa. Nesse sentido, outra situação também pode ser desenhada com Edna e Marco Antônio colocando-se como pré-candidatos a vice-prefeito. O raciocínio é similar, vice de quem?    
  Nesse processo municipal, também participa outra importante sigla dentre as maiores nacionalmente, o PMDB. O partido do vice-prefeito Miguel Júnior que é pré-candidato a vereador realmente articulou uma chapa competitiva com o intuito de conquistar o maior número possível de cadeiras no Poder Legislativo. O PMDB também tem pré-candidato a prefeito, o empresário Sérgio Chaer. Ele pode realmente disputar o cargo ou, então, também se colocar como potencial candidato a vice-prefeito numa composição para a eleição majoritária, o que Miguel não pode fazer.
  Nesse caso, o PMDB estaria mais próximo de uma composição com o PT, fazendo uma dobradinha que provavelmente se repetirá em 2014, sustentando a reeleição de Dilma. Até lá, PT e PMDB também poderão caminhar juntos na disputa pelo governo de Minas contra o candidato de Anastasia.
  O elenco de possibilidades político-partidárias deixa muito eleitor de cabelo em pé, dada a complexidade desses relacionamentos. Ainda bem que o caminho para uma eleição tem início, meio e fim.

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Clarim
Radix Comunicação e Tecnologia