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EDITORIAL - Controvertida união
16/03/2012, às 08:11:20

   De certa forma, já existe um afunilamento no processo de definição das candidaturas para a disputa da Prefeitura de Araxá nas eleições de 7 de outubro próximo. O deputado estadual Bosco (PTdoB) e o ex-prefeito Antônio Leonardo Lemos Oliveira (PP) não assinalam no sentido de serem pré-candidatos a prefeito dentro do grupo político que apoia o governador Antonio Anastasia (PSDB) e, consequentemente, a provável candidatura do senador Aécio Neves (PSDB) a presidente do país em 2014. Dessa forma, dentro desse grupo restam agora duas pré-candidaturas, a do prefeito Jeová Moreira da Costa (PDT) e a do deputado federal Aracely de Paula (PR).
   Mas enquanto tudo parece favorecer uma união para o lançamento de apenas um candidato dentro desse grupo, na verdade tanto Jeová quanto Aracely se distanciam ao invés de chegar ao consenso, ou seja, um ou outro. Numa escolha política, naturalmente pesa nessa decisão as duas outras forças dessa corrente, Bosco e Antônio Leonardo. No entanto, cada um pelas suas razões não parece disposto a realmente tomar partido para definir a questão. Isso está claro quando, ao mesmo tempo, conversam com Aracely e Jeová aumentando a expectativa de ambos de ser o candidato afinal. Para Bosco e Antônio Leonardo, aliados e antigos adversários de Jeová e Aracely, se não forem candidatos é melhor assistir de camarote essa disputa que até pouco tempo parecia não existir, mas vem num crescendo.
   Embora as especulações, Aracely realmente não tinha se postado como pré-candidato a prefeito até que Jeová lhe disse pessoalmente e também para alguns órgãos de imprensa que só abriria mão da pretensão de se reeleger se o deputado fosse candidato ao cargo. O que é uma questão até lógica sob o ponto de vista da união, porque na verdade não há outra pré-candidatura dentro desse grupo. Então, essa curiosa postura do prefeito despertou no deputado a necessidade de colocar-se à disposição do grupo para ser o candidato a prefeito, se Jeová não agregar politicamente para ser o escolhido deles.
   A partir de então, estabeleceu-se paradoxalmente a desunião dentro da união. Tanto Jeová, quanto Aracely acreditam ser a melhor opção política para Araxá neste momento que tem a união política como pano de fundo. Se o prefeito estivesse mesmo disposto a não concorrer ao pleito para apoiar a candidatura de Aracely, não estaria cada vez mais convicto de buscar a reeleição. Por outro lado, se Aracely quisesse mesmo apoiar a reeleição de Jeová não estaria cada vez mais animado com a perspectiva de ser candidato a prefeito, vitaminado por correligionários e eleitores. Ao ponto de dizer claramente à imprensa que, seja qual for a sua decisão, não será candidato a cumprir um sétimo mandato na Câmara Federal em 2014.
   Nesse aspecto, para Araxá não perder a importante representatividade federal, seria mais fácil contar com Aracely como tutor da sua cadeira. Com a sua experiência e penetração, pode fazer o sucessor buscando agregar a cidade em torno de um só nome. Isso aconteceu com ele próprio, quando deixou a Prefeitura de Araxá e foi eleito deputado federal pela primeira vez com 94% dos votos da cidade, em 1990. Esse sucessor pode ser Bosco ou Antônio Leonardo, pois se um for candidato a federal, o outro será a estadual e vice-versa. Sem dúvida, deve ser essa a dobradinha preferida da cidade em 2014 para a Assembleia de Minas e Câmara Federal. Um destino promissor que lhes sinaliza para não participarem diretamente do pleito municipal deste ano.
   Então, restam mesmo Jeová e Aracely com as suas pretensões ao posto de candidato a prefeito. Se um ceder para o outro, estarão juntos na disputa compondo um grande chapão, tendo como adversário o candidato a prefeito do PT, Toninho Barbosão. Caso contrário, se cada um puxar para um lado e somente aparentar essa união, podem ser até adversários no pleito. No caso de não ocorrer o buscado chapão, também podem se configurar três fortes candidaturas a prefeito, de Toninho Barbosão, Aracely e Jeová. Numa disputa assim, se o pleito fosse hoje, o resultado seria imprevisível. A perspectiva seria de uma acirradíssima disputa municipal que de fato seria decidida no voto como gosta o eleitorado e não nos bastidores.

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Clarim
Radix Comunicação e Tecnologia