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EDITORIAL - Sou contra
23/03/2012, às 09:43:40

   Existe uma política do contra que emperra Araxá, pois ao invés de facilitar e melhorar a vida em sociedade acaba mesmo até impedindo o seu desenvolvimento. Embora não seja somente de Araxá essa retrógrada política - tacanha, egoísta, da troca de favores e do puxar o tapete -, realmente precisa ser banida de qualquer lugar. Isso exige mudança de consciência da massa em relação ao próximo e postura cidadã, o que só é possível ocorrer em longo prazo e através do conhecimento dos bons e maus exemplos. Um deles tem sido a votação do projeto de lei do Poder Executivo que estabelece um piso salarial para os dentistas do município.
   A Câmara Municipal ainda não aprovou a justa medida que beneficia os dentistas, porque está cedendo à pressão das demais categorias da área da saúde, de níveis superior e técnico, que querem ganhar o mesmo benefício, ou seja, um piso salarial de três mínimos (cerca de R$ 1,8 mil). Para vigorar neste ano e beneficiar os dentistas, essa lei precisa ser aprovada pelo Legislativo e depois sancionada e publicada pelo Executivo até o próximo dia 10 de abril, em decorrência do ano eleitoral. No entanto, a sua votação está sendo perigosamente postergada, muito mais a fim de transformá-la em palanque político pelo Legislativo.
   Tudo começou quando o prefeito Jeová Moreira da Costa resolveu atender uma comissão de dentistas que numa negociação salarial apresentou-lhe uma lei federal adotada na iniciativa privada, embora de pouca aplicabilidade no poder público. A lei iguala e estabelece o mesmo piso salarial de três mínimos para médicos e dentistas em todo o país, sem abranger outras categorias. Diante do parâmetro e sensibilizado pela classe, até com o constrangimento de verificar a defasagem salarial dos dentistas que hoje trabalham na rede municipal recebendo R$ 900 como piso, o prefeito enviou o projeto de lei à Câmara Municipal. No entanto, a matéria completa três semanas de tramitação e ainda não foi votada, estando no segundo pedido de vistas. Os demais servidores da saúde não conseguiram negociar qualquer reajuste e, por isto, têm sistematicamente lotado o plenário manifestando-se contrários ao aumento para os dentistas.
   Muitos parecem querer apenas tirar proveito político desse impasse que já atinge o bom andamento do trabalho dos servidores da saúde, de forma a respaldar a inflexível posição deles de ganhar o mesmo que os dentistas. Ao ponto de seus representantes refutarem até a possibilidade de negociar um reajuste de 20% e a redução da carga horária de 8 para 6 horas, que seria levada por uma comissão de vereadores ao prefeito numa última tentativa de consenso. Uma negociação com esse índice é muito difícil de conseguir hoje em dia na iniciativa privada, muito mais no poder público.
   Mas no afã político, houve gente categoricamente afirmando que não abre mão da isonomia salarial para os servidores da saúde, como se isto fosse possível existir para funções tão distintas, inclusive em níveis de escolaridade diferentes, superior e técnico. Os vereadores que não podem legislar sobre matéria orçamentária, o fizeram para jogar politicamente, mesmo sendo a grande maioria favorável ao estabelecimento do piso dos dentistas.  
   É notório que o quadro de pessoal da prefeitura virou uma colcha de retalhos que só será resolvida com o concurso público e, olhe lá. Então, é pura demagogia falar em concessão do mesmo reajuste salarial para todos os servidores, porque uns têm defasagens muito maiores que  outros. Tanto é que de forma paliativa a administração vem dando reajustes para determinadas categorias, como motoristas, professores, garis e, agora, os dentistas.

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Clarim
Radix Comunicação e Tecnologia