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EDITORIAL - O cerne da questão
05/04/2012, às 06:51:33

 

   A obra de revitalização do Centro de Araxá iniciada pela av. Antônio Carlos passou a simbolizar a resistência ao governo do prefeito Jeová Moreira da Costa, desde a sua fase de projeto. Sem dúvida, isso ocorre porque representa um grande desafio para qualquer governo em razão do seu impacto social e histórico e não faltou coragem a ele para decidir o que e como fazer independentemente da opinião pública. Pois se tivesse dado ouvidos às controvérsias, provavelmente tudo ainda estaria estagnado ao ponto de 2009.
   Quando ele iniciou a sua gestão, não havia nada de concreto sobre a destinação daquela área tão nobre situada bem no coração da cidade e que há mais de um ano estava às escuras, sendo alvo de constantes críticas por parte da comunidade. E a opinião pública sempre esteve dividida em relação a essa problemática, ou seja, ao que construir ou não naquele local, se merecia ser modernizado ou mesmo mantido como era. Na verdade, um resgate histórico da praça Cel. José Adolpho leva à antiga estação da Cemig, ao coreto, ao ringue de patins, à sombra frondosa e caprichosa das árvores que passou a ser ocupada por um ponto de táxi, à antiga rodoviária que depois virou Secretaria Municipal de Educação, Comtur e Centro de Informações Turísticas; dentre tantas outras diferentes referências vindas de suas alterações físicas e de utilização acumuladas com o decorrer do tempo e que inclusive já a tinham descaracterizado.
   A própria av. Antônio Carlos também passou por várias intervenções com o decorrer dos anos, tanto que o projeto que está sendo substituído agora data de meados da década de 1970. A Igreja Matriz de São Domingos está sendo restaurada num resgate de parte da sua originalidade, depois de tantos anos de sua inauguração. De fato, essas transformações são constantes diante do que pode ser feito para tornar esses ambientes comuns da cidade cada vez melhores e adaptados ao contexto atual de vida, o que leva em consideração muitos fatores que dantes não eram vistos, como a própria acessibilidade.
   A qualidade de vida também será outra nessa área que está sendo revitalizada, a começar pelo entorno da praça e da avenida que vão ganhar novas calçadas adequadas para caminhar e o cabeamento subterrâneo. É esperada a inversão do privilégio hoje dado aos veículos para os pedestres, como é nos países mais evoluídos em todo o mundo. E mesmo o projeto prevendo muito mais verde na nova praça, que terá uma área bem maior para impermeabilização do solo e o aproveitamento das minas d’água, também nesta parte vem sendo implantado sob muita polêmica.
   Como a criada com a substituição do paisagismo com prioridade para o pau-mulato, mesmo sendo uma árvore genuinamente brasileira e considerada pelos especialistas como das mais adequadas para a utilização em projetos urbanísticos, não só no país. Basta andar a pé pela av. Imbiara para sentir a sombra das árvores de pau-mulato que foram plantadas há cerca de quinze anos e que estão tão altas e com espessas folhagens que do canteiro central alcança as calçadas laterais. Dá prazer andar por ali, afora a beleza do alinhamento das árvores e o fato do pau-mulato ser uma planta medicinal, cuja casca é rejuvenescedora, ou seja, tem tudo a ver com Araxá para fazer parte do seu simbolismo. O problema é o fato do pau-mulato ter sido escolhido e plantado na cidade ainda na primeira administração de Jeová, é a política da contramão outra vez.
   Também já tentam impedir o corte das 25 palmeiras da av. Senador Montandon, que hoje colocam em risco a população. Mesmo o Codema tendo estabelecido várias medidas compensatórias pelo corte, como o plantio de cem novas palmeiras e 500 árvores do Cerrado no perímetro urbano, os radicais querem até levantar o asfalto todo destruído pelas raízes para impedir que sejam retiradas. Assim, a revitalização da av. Senador Montandon que é um dos principais acessos a Araxá e tem sido pleiteada há pelo menos uns dez anos, será iniciada na próxima semana debaixo dos mesmos protestos de fundo político acima de tudo, inclusive da cidade.  
   No aspecto cultural, a obra do Centro engloba a construção do teatro municipal que é outra antiga reivindicação da população. Também com o que há de mais moderno em termos de sonorização, acústica e proteção (foto), para que o som não interfira principalmente nas atividades do Hospital Regional Dom Bosco que está bem próximo. O espaço externo do teatro é um grande gramado que envolve uma espécie de concha acústica, na verdade é o inverso da área interna do teatro cuja frente está para a av. Vereador João Sena. Dessa forma, a obra integra o largo da Igreja São Sebastião com todo esse novo espaço, que por sua vez também é remetido ao Parque do Cristo. Para o qual, o projeto desenvolvido por Jorge Wilheim é espetacular e já foi iniciado pela prefeitura com a implantação da devida infraestrutura básica em sua encosta.   
   Em outra decisão polêmica, o prefeito deu início à integração do projeto da av. Antônio Carlos com o primeiro quarteirão da rua Presidente Olegário Maciel que está sendo transformado em calçadão. É outro assunto que sempre dividiu muito a opinião pública e, por isto mesmo, não era levado adiante, sendo agora definido pelo prefeito sob o protesto de muitos e aplausos de outros tantos.
   Realmente, não é fácil tolerar as obras na região central, com tantos buracos, lama, poeira, tráfego congestionado, falta de estacionamento, dificuldade para o comércio funcionar e falta de ânimo para o consumidor andar por lá. No entanto, não tem como fazer melhorias sem passar por esses percalços porque ainda não existe obra civil que não crie transtornos. Mas o resultado final fará muita gente esquecer este difícil tempo de transformação, pois é assim até nas construções que atendem os anseios pessoais.
   Ao final, a grande valorização de todo aquele ambiente depois da revitalização também ajudará os problemas de hoje a caírem no esquecimento. Mas como o âmago da questão é político e ofusca qualquer benefício, só resta ao governo responder agindo conforme as expectativas do eleitorado e o quadro para a disputa municipal de 2012 indica que é o que tem sido feito.

 



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Clarim
Radix Comunicação e Tecnologia