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Keyla Machado
Keyla Machado
Lygia Cardoso Maneira
30/06/2020, às 09:29:54
LYGIA MANEIRA

Na década de 1980, Araxá sentia a necessidade de uma organização cultural condizente com as aspirações da sociedade brasileira e dos artistas locais. Em 1984, um grupo de artistas e de intelectuais conseguiu criar a tão sonhada Fundação Cultural Calmon Barreto (FCCB). No dia 27 de junho próximo a instituição celebra os seus 36 anos de existência e, dentre os participantes deste fato histórico, destaco a digna matriarca Lygia Cardoso Maneira. 

RAÍZES CULTURAIS - Natural de Araxá, Lyginha é a primogênita de nove filhos de Clóvis Cardoso Júnior e Lygia Valle Cardoso. Carinhosamente chamada de "Dona Lyginha", ela é uma união de talentos artísticos herdados do pai violinista e da mãe professora. Pintora, pianista, escritora e dona de uma caligrafia ímpar, a polivalente artista inspirou a obra "Edgard à sua Maneira", livro escrito pela historiadora Glaura Teixeira Nogueira Lima para homenagear os 70 anos do marido. E o CD "Teclas da Vida", um tributo com variadas composições. No extenso currículo, consta o Curso de Formação no Colégio São Domingos, muitos anos de estudos de Piano (iniciados aos nove anos), professora de música e uma paixão pela arte de pintar telas. Viveu 49 anos de matrimônio com Edgard Martins Maneira, com quem teve sete filhos: Iara, Edgard Júnior, Ângelo, Cleonice, Eduardo, Sílvia e Adriana. Estes, já lhe deram netos e bisnetos, herdeiros pelos quais ela nutre imenso amor.

IDEALIZADORA E PRIMEIRA PRESIDENTE DA FCCB - Lygia idealizou a Fundação Cultural Calmon Barreto e foi corresponsável pela sua criação. Ela ocupou o cargo de presidente pela primeira vez em junho de 1984 até agosto de 1986, depois voltou a ocupá-lo por mais duas gestões, de 1993 a 1996 e de 1997 a março de 2000. Em 1984, a Secretaria de Estado de Cultura implantou um programa de resgate do artesanato regional e disponibilizou verbas para que algumas cidades mineiras executassem o projeto. Graças à amizade entre Lyginha e o Secretário de Estado, José Aparecido de Oliveira, a Fundação foi contemplada com um importante repasse em prol do artesanato local. Também foi de sua iniciativa a solicitação ao secretário e amigo de que o prédio da extinta Estação Ferroviária Oeste de Minas, desativado em 1982, servisse de sede para a FCCB. José Aparecido respondeu positivamente ao pedido, as parcerias foram fundamentais nesse propósito e juntos conseguiram dar um destino profícuo ao prédio desativado. A sede se tornou oficial em 8 de fevereiro de 1985, em regime de comodato. Em 1990, torna-se propriedade do município, mesmo ano em que foi tombada como patrimônio histórico. Durante as três gestões em que esteve à frente da FCCB, ela atuou na criação de novos setores e na realização de ricos eventos culturais; possíveis graças ao talento e à arte do povo brasileiro como o artesanato, o desenho, a música, o teatro, a dança, a memória, a fotografia, a literatura, dentre outros.



IMPORTANTES PROJETOS - Lyginha implantou vários projetos, como o resgate da arte da tecelagem, a realização de cursos livres e a reestruturação museológica e museográfica do Museu Dona Beja. Ela fez acontecer inúmeros eventos culturais, como o 1º Encontro Cultural de Araxá, o Festival da Canção e a apresentação da “Ópera Cavalleria Rusticana”, de Pietro Mascagni, no Grande Hotel. Sob o seu comando, o então Centro de Preservação do Patrimônio Histórico da FCCB desenvolveu inúmeras pesquisas sobre a história de Araxá e organizou diferentes arquivos. Com visão voltada para a religiosidade dos araxaenses, resgatou a ornamentação de ruas nas datas de Corpus Christi. Ela também levantou recursos e acompanhou a restauração dos prédios da Igreja de São Sebastião, da sede da FCCB, do Museu Dona Beja e de sua pinacoteca. Participou da criação do Coral Villa-Lobos, embrião da Escola Municipal de Música Maestro Elias Porfírio de Azevedo e da Banda Municipal Padre Clóvis. Também dinamizou a implantação do Museu Calmon Barreto em 1996, uma solicitação da comunidade a partir da mostra póstuma do artista. Após realização de concurso público, admitiu os servidores aprovados para ocuparem os seus cargos em todos os espaços da instituição: prédio-sede, Escola de Música e Museus.

MERECIDOS RECONHECIMENTOS - Em março de 2004, Lyginha recebeu a Medalha “Leonilda Montandon”, honraria concedida pela Câmara Municipal àqueles que tiveram relevância na esfera educacional do município. No mesmo ano, em dezembro, foi condecorada com a “Medalha Calmon Barreto”, tributo criado pela Secretaria de Cultura do Estado para homenagear as personalidades que se destacam na área cultural e turística de Minas Gerais. Araxá se orgulha desta nobre cidadã que esbanja, sobremaneira, elegância, otimismo e muita alegria de viver. A cultura araxaense é eternamente grata pela sua dedicação e amor ofertados com afinco a esta cidade.
 
Fonte: www.fundacaocultural calmonbarreto.mg. gov.br
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