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Belo diverge do prefeito e diz deixar a pasta preocupado com a saúde pública
09/05/2011, às 15:08:08

 

   O ex-secretário municipal de Saúde, Antonio Marcos Belo, afirma que enquanto tinha como foco a saúde preventiva, o prefeito Jeová Moreira da Costa investia com prioridade no Pronto Atendimento Municipal (Pam) e na Santa Casa de Misericórdia. Segundo ele, a carta que o prefeito iria enviar aos médicos e que recusou-se a assinar foi apenas o estopim da sua saída da pasta. Na manhã desta segunda-feira, 9, ele concedeu entrevista coletiva sobre a sua exoneração ocorrida na última sexta-feira, 6, e em tom emocionado fez vários questionamentos sobre a forma do prefeito conduzir a secretaria.      
    “Quando ele me fala que entende de saúde, eu tenho dúvida. Eu acho que ele entende é de doença, não de saúde. De saúde pública, então, de jeito nenhum. Saúde pública passa por portarias, secretaria de Estado, Ministério da Saúde, por toda a organização”, diz.  O ex-secretário afirmou que o prefeito, embora seja médico mandou retirar um paciente da UTI para colocar outro no seu lugar. “Será que os familiares estão sabendo deste paciente que saiu da UTI? E as regras do SUS Fácil, as portarias que têm para ser atendidas, é muito fácil resolver o problema deste jeito”, apontou.
    Ele também citou que Jeová não cumpriu o acordo firmado com os médicos Aires Dumont e José Humberto para os plantões no Pam, o que teria inclusive motivado o seu pedido de demissão que depois foi revisto. “Você contrata estagiários para o Pam e os médicos, combina com o Dr. José Humberto e o Dr. Aires de pagar R$ 5 mil para cada um e não paga. O processo vem à tona na imprensa e ele (Jeová) some durante uma semana. A gente até levanta dúvidas, será de onde que partiu essas questões?”
Futuro
    O ex-secretário diz estar preocupado com o futuro da saúde de Araxá que, segundo ele, estava no caminho certo porque havia início, meio e fim na realização do trabalho. “Tínhamos como visão tornar Araxá referência em saúde de Minas Gerais e, agora para a minha surpresa, é até no Brasil, com quatro eixos estruturantes. Primeiro, ampliar os serviços para a comunidade, o que fizemos com a Unioeste que está praticamente pronta, o projeto da Unicentro está pronto. Já foram aprovados no Estado mais dois PSFs, o dos bairros Santa Rita e Orozino Teixeira e o dos bairros Urciano Lemos e Bom Jesus, que ele (o prefeito) falou que não vai implantar.”
    Belo afirma que está assustado, porque havia um projeto de informatização da área em andamento e, além da sua saída, outras duas pessoas da equipe afastaram-se desse trabalho. Ele acrescenta que embora a pasta ainda não tenha um gestor para substituí-lo o prefeito teria colocado duas pessoas para comandá-la enquanto isso, as mesmas que ele havia tirado da secretaria porque na sua opinião não tinham perfil. “Preocupa mais ainda, que o responsável pelo controle de produção de todo o serviço pediu demissão (Zenon). É aquele que informa os serviços realizados pelos médicos para o Ministério da Saúde e a Secretaria de Estado. É um serviço especializado, que não acha outro de imediato. Me preocupa também, quando a gerente de gestão de pessoas pediu férias prêmio, licença, porque não concorda com tudo isso”, disse.
    O ex-secretário afirma que existiam inúmeros pontos divergentes entre ele e o prefeito, como a questão da falta de respiradores no Pam. “Tínhamos quatro pessoas morrendo, eu fui cobrar dele o respirador, ele falou que eu tinha que acostumar. Aí, você lá precisando investir em equipamentos e ele fala hoje que o atendimento não está bom. Ele já sabia disto há muito tempo e, nunca aprovou, nós temos recursos da saúde, verbas carimbadas nesses R$ 40 milhões que ele disse que está no caixa. O agente comunitário de saúde e o de zoonoses cobra um filtro solar e ele manda comprar um chapéu, puxa, que médico é esse?” Belo afirma que a saúde melhorou muito nos últimos dois anos em que esteve na pasta, mas graças a ele e à equipe.
    “Evoluímos graças aos embates e à teimosia, não só minha, mas de uma equipe maravilhosa que eu tenho e que conseguimos montar. Graças a esse Caps (onde concedeu a coletiva) que está aqui e eu demorei dois anos para montar e, poderia ter sido montado há um ano, mas aluga não aluga, faz e não faz, decide e volta atrás. Essas questões e outras que eu brinco, meu livro de memórias vai contar com mais detalhes. Mas eu vou passar a você uma carta aberta à comunidade para entender o que é que eu sofri, que a minha equipe passou e quantas e quantas reuniões eu saí magoado, com vontade de ter saído há muito tempo.”  

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Clarim
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