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EDITORIAL
28/10/2011, às 08:02:04

   Os principais líderes dos grupos políticos que se revezam à frente do governo municipal estiveram juntos no passado, às vezes, tão longínquo que esse fato hoje é desconhecido por parte da população. No entanto, como tudo parece mesmo rodar, surge o momento em que realmente pensam em se unir novamente sob pena de perderem o comando do município para o Partido dos Trabalhadores (PT). Numa conspiradora coincidência, o quadro que se desenha em nível estadual para a disputa política de 2012 cabe como uma luva na atual conjuntura de Araxá.
   Numa grande articulação política, nove partidos (PSDB, PDT, PV, PPS, PP, PSD, PTB, PR e DEM) que apoiam o governo de Antonio Augusto Anastasia (PSDB) se unem para conquistar as cidades mineiras com 50 mil ou mais eleitores, o que inclui Araxá, com exceção de Belo Horizonte. Mas esse projeto é muito maior do que as prefeituras, porque visa principalmente preparar um efetivo apoio à candidatura tucana do mineiro Aécio Neves à presidência da República, em 2014.
   Minas Gerais não só abriga essa potencial candidatura a presidente, como também possui o segundo maior colégio eleitoral do país. Assim, o vislumbrado sucesso do governo da presidente Dilma Rousselff (PT) que a leva a buscar uma reeleição, já passou a ser uma grande preocupação no ninho mineiro dos tucanos que detêm o poder no Estado. Lá, a ficha caiu no sentido de que já perderam a prefeitura de Belo Horizonte há muito tempo e, se não estiverem juntos a partir de agora, não sabem como segurar o governo do Estado em 2014, que há três mandatos consecutivos está com os tucanos.
   Uma primeira reunião entre os representantes desses partidos em Minas aconteceu nesta semana sob a liderança do vice-governador, Alberto Pinto Coelho (PP), que como parlamentar foi presidente da Assembleia Legislativa de Minas Gerais, onde continua a ter bom trânsito. Além disso, ele pode de ser candidato do grupo ao governo do Estado em 2014, porque Anastasia não poderá candidatar-se à reeleição. Aliás, manter o poder no governo de Minas nunca foi tão primordial, dada a intenção de eleger Aécio presidente.
   Daí, esses partidos acertaram que depois da análise das suas possibilidades de vitória em cada um desses municípios mineiros, vão apresentar os nomes que têm mais possibilidades de chegar à prefeitura num próximo encontro.
   Em Araxá, o quadro que se forma apresenta até o momento apenas um pré-candidato a prefeito, Toninho Barbosão (PT), que já disse não abrir mão desta pretensão. Os demais pré-candidatos citados ainda agem no campo da especulação. Barbosão certamente contará com todo o apoio do seu partido para ser eleito, inclusive da esfera federal. Pois os petistas que detêm o governo do país, da mesma forma vislumbram aumentar a penetração do partido no Estado também para dar suporte à provável disputa pela reeleição de Dilma. No pleito municipal de 2008, Barbosão conquistou mais de 20% do eleitorado local, ou seja, cerca de 12 mil votos e sem compor com qualquer partido.  
   Por outro lado, ainda há muita indefinição dentre os potenciais candidatos a prefeito dos partidos que fazem parte do grupo de apoio a Anastasia. Aqui eles continuam a dividir e, em política, quem soma mais ganha. Por isso, parece que dessa vez estão conversando diante de uma possível vitória do PT no município se forem para a disputa rachados.
   Essas tradicionais lideranças políticas da cidade não estiveram separadas o tempo todo, pelo contrário, na história é possível conferir que o deputado federal Aracely de Paula (PR), o deputado estadual Bosco (PT do B), o prefeito Jeová Moreira da Costa (PDT) e o ex-prefeito Antônio Leonardo Lemos Oliveira (PP) estiveram juntos em vários momentos. Por isso, compartilham de um eleitorado similar.
   Antônio Leonardo foi chefe de Gabinete do ex-prefeito Aracely e também foi vice-prefeito de Jeová na sua primeira gestão. Depois disso, Aracely e Jeová uniram-se para disputar a prefeitura contra Antônio Leonardo, por duas vezes, sendo que perderam um pleito e venceram em 2008. Mas a relação entre o prefeito Jeová e o deputado Aracely estremeceu a partir desta gestão, dada a dificuldade de Jeová de dividir espaços no seu governo e, mesmo assim, trabalhar de forma integrada.
   O deputado Bosco apoiou a chapa Jeová Moreira e Giovana de Paula que perdeu a prefeitura para Antônio Leonardo e Abdalla Elias Neto, em 2000, quando ele foi reeleito vereador e, posteriormente, chegou à presidência da Câmara Municipal. Em 2008, Bosco foi candidato a prefeito e perdeu o pleito com o apoio de Antônio Leonardo, contra Jeová que tinha Aracely ao seu lado. Mesmo derrotado para o Executivo, Bosco buscou eleger-se deputado estadual em 2010 e obteve sucesso.
   Ele enfrentou a disputa praticamente sozinho em termos de apoio efetivo das lideranças políticas que ora estão juntas, ora não. Por isso, essa vitória lhe deu independência e, consequentemente, maior peso na escolha do candidato a prefeito de Araxá do grupo dos nove partidos fechados em torno da política estadual. Araxá é uma joia rara para o governo de Minas, não só porque tem mais de 50 mil eleitores, mas principalmente porque é a 12ª economia do Estado. Por isso, nenhuma eleição corre à revelia dos diretórios estadual e nacional de grandes partidos por aqui.
   Como possíveis pré-candidatos desse grupo partidário formado de cima para baixo, estão Aracely, Jeová e Antônio Leonardo. Nesse caso, Bosco continua a ser fiel da balança por não ter pretensão de disputar diretamente o cargo e não há dúvida do seu vínculo político com Antônio Leonardo.
   Aracely afastou-se politicamente do governo Jeová, o que pode levá-lo também a apoiar Antônio Leonardo no caso de união do grupo. E para não dividir e dificultar para todo mundo, abrindo para a vitória petista, Jeová teria que deixar de tentar a reeleição, carregando o ônus da falta de comunicação e articulação política registrada no decorrer do seu governo. Essa situação mudaria totalmente e colocaria Jeová de novo na disputa municipal, como candidato à reeleição do grupo, se ele estiver estourando em popularidade quando o martelo for batido. Aliás, é exatamente essa a sua pretensão, ele já disse esta semana que é pré-candidato á reeleição, confiante na entrega de dezenas de obras para a população até junho do ano que vem.  
   Também existe nesse jogo político, o PMDB que em Araxá está sob o comando do vice-prefeito Miguel Júnior. Da mesma forma, ele já transitou em todos os lados dentro desse grupão político e agora comanda o partido que possui o maior tempo de rádio e televisão no horário de propaganda eleitoral gratuita, além de ser vice-prefeito. Político experiente, Miguel conseguiu filiar muita gente de peso no partido que inclusive passou a ter pré-candidato a prefeito, o empresário Sérgio Chaer que filiou-se recentemente.
   O PMDB está livre para fechar tanto com o PT, como também com o candidato do grupo político de Anastasia, inclusive podendo indicar Sérgio Chaer como candidato a vice-prefeito. Até porque, a orientação estadual da base do governo Anastasia desestimula a composição entre os dois “Toninhos”, o do PT e o do PP e, por outro lado, não há restrições quanto à aliança com o PMDB em Minas por parte de nenhum partido, seja PT ou PSDB.
   Uma hipótese leva Antônio Leonardo (PP) a ser o candidato a prefeito desse grupo, dada até a sua habilidade política e potencial eleitoral. O seu candidato a vice-prefeito poderia assumir o governo municipal por dois anos, caso ele fosse eleito depois como deputado federal, em 2014, com o apoio de Aracely que está no sexto mandato.
   Desde a disputa do quinto mandato consecutivo como deputado federal, Aracely demonstra a vontade de fazer um sucessor para que Araxá não perca essa representatividade no Congresso Nacional. Afinal, está há mais de quarenta anos na vida pública e disposto a formar novas lideranças que, como ele, são importantes para o desenvolvimento do município. Nesse cenário, naturalmente, Bosco seria candidato à reeleição como deputado estadual da cidade.

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Clarim
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