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Editorial - O Novo da velha política
29/01/2020, às 09:02:28

À medida que a casca do Partido Novo começa a cair, revela-se o fruto criado pela escola da velha política. Um partido que não sobreviverá se continuar com o seu canibalismo interno, tão próprio dos resquícios dessa política que hoje está sendo claramente refutada pela população que anuncia o seu fiasco. Nem mesmo a maior estrela do Novo, o governador Romeu Zema Neto, escapa do engodo da “moderna política” pregada pelo partido. Sem a prática, o partido mostra que não consegue descolar-se da tacanha política, enquanto prega a mudança com falseado altruísmo.

A primeira reunião política que o Partido Novo fez em Araxá, foi para apresentar a candidatura do araxaense Romeu Zema a governador de Minas Gerais, na sede da Acia. À época, os inflamados discursos giraram em torno de acusar o Partido dos Trabalhadores (PT) por tudo de ruim que acontecia no país e apresentar a legenda “politicamente correta” como a solução para todos os problemas, especialmente a corrupção. Hoje, essa essa expectativa já cai por terra e transforma-se em frustração, decepção para quem acreditou estar mesmo diante de uma nova possibilidade política para o país.

Dentre as poucas propostas realmente novas, o Novo abriu mão do Fundo Partidário e, para isto, cobra de todos os filiados uma contribuição mensal, assim como pelos processos seletivos para escolha de seus candidatos e ainda para a implantação de diretórios municipais. Ou seja, os Novos pagam para fazer a restrita política de cima para baixo e, de qualquer forma, também contribuem para os recursos do Fundo Partidário usado pelos demais partidos porque ao final a conta é mesmo paga por todos os cidadãos brasileiros. Uma medida ilusória e eleitoreira, além de excludente, porque o pobre não consegue pagar mensalmente para estar filiado no partido, pois mal tem ainda o que comer direito.

O Partido Novo aponta o liberalismo econômico como a redenção da gestão pública, considerando-a como uma “empresa” que deve arrecadar mais, embora seja em detrimento da já espremida população de menor poder aquisitivo e submissa aos privilegiados grupos políticos. O corporativismo da política brasileira parece ainda mais presente nessa “ditadura da direita” do que na da “esquerda” atribuída ao PT. O que passa a evidenciar-se a partir daquela reunião realizada em Araxá, quando Romeu passou a ser chamado de Zema e iniciou a maratona de rodar Minas Gerais como pré-candidato a governador sob a bandeira do Novo. Em princípio, a estratégia de opor-se ao PT e exaltar o então candidato a presidente, Jair Bolsonaro, funcionou para eleger Zema como a terceira via da disputa pelo governo estadual historicamente travada entre PT e PSDB. Mas na empolgação da eleição do primeiro governador pelo partido dito “novo”, o presidente nacional João Amoedo aproveita-se da vitória de Zema para projetar-se como pretenso candidato a presidente em 2022 pela legenda.

Para governar, Zema precisou estruturar-se em torno do Partido Novo que é uma dissidência do desmoralizado PSDB. Ele está cercado de velhacos políticos e ainda não sabe como livrar-se disto e fazer a pregada mudança, mediante uma enorme estrutura administrativa pública e à beira da falência. A drástica situação do Estado é em decorrência das velhas práticas políticas que podem ser atribuídas tanto ao PSDB quanto ao PT, pois se revezaram no governo de Minas nos últimos 30 anos e, Zema, não consegue desvencilhar-se destas turmas.



Já neste processo político para a disputa das Eleições Municipais 2020, o Partido Novo percebe tão frágil é o seu conteúdo e, ao invés de angariar adeptos, tem perdido importantes filiações. Especula-se que o próprio governador Zema planeja estar com o presidente Jair Bolsonaro no partido recentemente criado por ele, o Aliança pelo Brasil, que pela legislação não pode participar diretamente das Eleições 2020. O Aliança prepara-se para as Eleições Gerais de 2022 e lança o ministro Sérgio Moro como pré-candidato a presidente, já o Novo com Amoedo não é afeto às composições. A saída do governador Zema do Novo, se de fato isto ocorrer, refletirá não só a sua insatisfação com o partido, mas a de todos os seus eleitores de fato. Como em Uberaba, onde a pré-candidata a prefeita pelo Novo sentiu-se rifada pela direção nacional ao ser informada que não haverá esta postulação do partido na cidade. E a semana termina com a especulação de que o diretório nacional do Novo teria autorizado candidatura a prefeito apenas em Belo Horizonte, Contagem, Poços de Caldas e Araxá, eliminando todas os demais pré-candidatos ao cargo como em Patos de Minas, Uberlândia e Uberaba.

Em Araxá, realmente o empresário Emílio Neumann foi anunciado como pré-candidato a prefeito pelo Novo. Porém, ao invés do seu nome repercutir positivamente, não foi bem aceito por integrantes do próprio partido. Assim, as desfiliações do Novo anunciam o conflito em torno do seu pré-candidato a prefeito que inclusive não tem nada de novo quanto à prática política araxaense. Enquanto se afasta do Novo, Emílio se aproxima do grupo que apoia o prefeito Aracely de Paula que deve estar em grande dificuldade para emplacar uma candidatura por óbvias razões de aceitação popular.

Também cai por terra a expectativa de que Zema ao apoiar uma candidatura a prefeito de Araxá pelo Novo faria muita diferença no processo eleitoral, até porque ele não goza mais das condições políticas/partidárias que o elegeram em 2018, nem na própria cidade. A confiança da população local no atual governo estadual começa a abalar-se ao constatar que o que depende diretamente de uma solução do Estado continua pendente no município, após um ano da posse de Zema. Ele nem mesmo parece conhecer bem as demandas de Araxá junto ao Estado, porque é inaceitável as condições do complexo do Barreiro neste Verão.

Um fato ocorrido na região ilustra como ainda predomina a velha política mineira, o da maquiagem da rodovia que interliga Sacramento a Rifaina - onde o governador passou o réveillon. Quem foi passar o Natal em Rifaina que está a 100 quilômetros de Araxá enfrentou as péssimas condições da rodovia mineira agravadas pela falta de acostamento. Porém, quem foi para o movimentado destino turístico no réveillon, como o governador, pelo menos passou pela rodovia já sem o mato e sinalizada.

Na propriedade da família Zema que fica do lado de São Paulo da represa, o governador mineiro passeou de barco, praticou esportes aquáticos e até gravou um vídeo de lá para os paulistas, como noticiou um jornal de Franca (SP). “Durante a viagem feita de carro, o governador também parou para comer pastel em uma lanchonete a caminho de Araxá-MG, sua cidade natal”, citou a matéria. Por outro lado, Zema não tem as mesmas dificuldades políticas em outros municípios mineiros e até paulistas, como as encontradas em Araxá graças à velha política.
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Clarim
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