Logo
Araxá / MG - , -
Clarim no WhatsApp (34) 98893-8381
Menu

Digite pelo menos 2 caracteres!
Editorial - Do descaso ao caos
03/03/2020, às 09:53:02

Quem mora em Araxá, pelo menos nos últimos 30 anos nunca viu tanto descaso da administração municipal com relação à prestação dos serviços essenciais à população. Esses serviços urbanos são aqueles que não podem sofrer solução de continuidade e, por isto, devem ser planejados porque são fundamentais até para assegurar a saúde pública, como os de capina, tapa-buraco, limpeza etc.

Cabe ao bom gestor garantir o empenhamento global do que está previsto para ser executado no decorrer do ano, o que deve ser feito logo no início do exercício para não haver comprometimento da execução. Porém, quando o atual prefeito Aracely de Paula assumiu o governo há cinco anos, após o impedimento do anterior, ao invés de dar continuidade à administração de forma inclusive a garantir que os serviços essenciais não fossem interrompidos, preferiu fazer uma imediata reforma administrativa com a criação de mais cargos comissionados, assim como paralisou obras e contratos que estavam em andamento, quando não prejudicando a competência em favor da politicagem.

Ao invés de dar andamento às ações finalísticas relevantes de cada secretaria e que não seria bom paralisar, o prefeito preocupou-se em continuar a atingir a imagem política do antecessor, muito mais do que construir uma cidade melhor do que dantes. De forma que obras recém-inauguradas e em pleno funcionamento a favor da comunidade, como a Praça da Juventude, no bairro Urciano Lemos, foram propositadamente esquecidas e somente retomadas com ações movidas pelo Ministério Público de Minas Gerais (MPMG).

Não houve análise urbanística e, pelo contrário, os conselhos municipais foram destituídos e alguns até hoje permanecem inativos. Ocupantes de cargos comissionados inclusive como secretários demonstram tremenda inabilidade para o exercício do cargo que deveria ser a favor do povo e não de determinado grupo político. A ignorância leva ao menosprezo e à perseguição de pessoas e até mesmo de veículos de comunicação que não se dobram a tantos desmandos, como os jornais Clarim, ClarimNet e a TV Sintonia que já entraram com representações junto ao MPMG que culminaram com a abertura dos respectivos inquéritos que estão em andamento. Além da pregada experiência de gestor atribuída ao atual prefeito, mesmo se não a tivesse, não falta literatura e bons exemplos sobre como fazer um governo municipal dentro da legalidade.

Porém, a atual gestão comumente sobrepõe o interesse político ao mérito e à participação popular. Necessárias atividades gerenciais do município, a exemplo das revisões de planos municipais como o Diretor Estratégico (PDE), de Saneamento Básico (PMSB), de Mobilidade Urbana, acontecem à revelia da proposta de transparência e participação popular, como determina a Constituição Federal de 1988. É preciso não somente atualizar como apresentar quais são as políticas públicas a serem executadas com os recursos arrecadados pelo município. A exemplo da falta de política pública quanto à água, esgoto, drenagem e resíduos sólidos que têm gerado sérios problemas no município.



Os problemas de saneamento aumentam com o crescimento da cidade e surgimento de novas demandas que não têm sido vistas com a devida prioridade. Hoje, a coleta seletiva, o aterro sanitário, as invasões às margens dos córregos sem canalização estão muito piores do que antes não é à-toa. Um Plano de Mobilidade Urbana (PMU) deve ser elaborado após ampla discussão com a comunidade, definindo a política a ser adotada para calçadas, ciclovias, transporte público, transporte de carga e trânsito. Porém, um exemplo de que esse plano não existe ou não foi atualizado é a construção do viaduto na interseção da rua Uberaba com a v. João Paulo II, sem real estudo de viabilidade porque não existe demanda para isto no local. Mas apesar dos questionamentos feitos ao MPMG, o processo foi arquivado e a obra iniciada num local em que é desnecessário um viaduto. Depois, a próxima gestão municipal que se preocupe com a sua manutenção.

Nos últimos cinco anos, também não deve ter sido elaborado um Plano Local de Habitação de Interesse Social (PLHIS) para identificar o que deve ser feito de urbanização em cada área da cidade. Afinal, as demandas de todos os setores até dos serviços essenciais demonstram a inexistência deste instrumento de planejamento em Araxá. Não foi feito nenhum novo projeto habitacional pela Prefeitura de Araxá, dobraram as invasões em áreas de risco e públicas.

Não são as chuvas que estão deixando a cidade nesse caos, pensaram em fazer cinco anos em um durante 2020 que é eleitoral e não priorizaram as demandas de urbanização que são constantes. Além de tudo, também descuidaram dos equipamentos sociais, pois creches, escolas, e unidades de saúde há anos esperam por uma reforma. Também não há articulação entre a cultura, esporte e lazer para a boa utilização de espaços como praças e quadras poliesportivas. Esse descaso com a maioria se contrapõe à administração do equipamento turístico Parque do Cristo que é devidamente realizado e, senão, em detrimento de outros.

O caos humano e urbano leva à judicialização do governo municipal, porque não é possível impingir tudo isso impunimente à população, ainda mais em municípios como Araxá onde ainda resta a credibilidade na aplicação das leis que asseguram os direitos dos cidadãos. Também leva à desmoralização política na medida em que o eleitor sente na pele como estão dirigindo uma cidade que conta com orçamento anual de R$ 475 milhões. Portanto, os problemas não decorrem em si nem da falta de dinheiro e nem das chuvas, falta conhecimento da cidade e gestão.
Compartilhar no WhatsApp
Clarim
Radix Tecnologia