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Barriga
06/12/2011, às 08:28:56

  Para assegurar a credibilidade, um veículo de comunicação deve reconhecer quando erra. Como faz o Clarim neste editorial, porque noticiou haver ouro no rejeito da mineração depositado no Barreiro, na edição que circulou no último dia 2. Mas, ouro não é, provavelmente são outros metais. Em entrevista coletiva à imprensa, o prefeito Jeová Moreira da Costa usou a palavra ouro para se referir, talvez, aos metais de terras-raras, cujos projetos de mineração começam a pipocar no país.
  O assunto desenvolvimento de terras-raras está em voga no mundo da mineração e, atualmente, a China concentra 96% deste material. Só pode ter sido essa a inspiração de Jeová, que no programa de rádio “O prefeito com você” veiculado na manhã seguinte à coletiva concedida ao meio dia de quinta-feira, 1º, esclareceu a sua postura metafórica. A essa altura, o Clarim impresso começava a circular com o grave erro de informação que, jornalisticamente, é chamado de barriga.  
  Jeová chegou a responder a um repórter que lhe indagou se realmente estava falando de ouro, da seguinte forma: “É ouro, mesmo”. Nesse aspecto, materializa-se a má fé do gestor da cidade com a imprensa local. Ele deixou transparecer que estava jogando com profissionais sérios, numa atitude que não cabe a qualquer prefeito. Quiçá, mal aconselhado como tem sido em tantos outros assuntos que envolvem a comunicação ou, então, agiu mesmo por conta própria, o que seria pior. “Por metáfora, chama-se raposa a uma pessoa astuta”, define o dicionário Aurélio.
  Um prefeito ao convocar uma coletiva deve ser para bem informar a população, sendo a imprensa apenas um instrumento para isto, embora alguns estejam bem e outros mal afinados. Ao manipular as palavras como fez, o prefeito desrespeitou a todos. Além do mais, como até hoje não esclareceu o que realmente quis dizer, sem dúvida ele deu mais um golpe em sua credibilidade junto à comunidade.
  O Clarim até o momento apenas supõe que o prefeito se referia ao conjunto de elementos químicos explorados em terras-raras e que passou a representar o futuro para a mineração. Metais de terras-raras são aplicados principalmente na fabricação de produtos eletrônicos, como computadores e celulares. Na região do Alto Paranaíba, por exemplo, a Vale já anunciou a exploração de metais de terra-raras no futuro, em área localizada ao lado das jazidas de rochas fosfáticas, no município de Patrocínio. Essa exploração já faz parte do plano estratégico da empresa que, atualmente, desenvolve o Projeto Salitre em Patrocínio para explorar fosfato, num investimento bruto de quase R$ 3 bilhões.
  Quanto à barriga, cabe mais uma lição jornalística. Não é devido sob o ponto de vista ético um veículo de informação noticiar o erro de outro, o que se justifica apenas quando o fato tem grande importância jornalística. Dessa forma, é melhor crer que os colegas de profissão acreditaram que o erro do Clarim poderia provocar graves consequências, como a vinda de gente para explorar ouro em Araxá.

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