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Editorial - De cima para baixo
14/08/2020, às 11:03:41
Um gestor que faz da Prefeitura de Araxá a extensão da sua casa, onde só entram os mais chegados como se não fosse pública, não saberia mesmo como lidar com uma pandemia que atinge principalmente quem está fora das redomas de vidro. Araxá foi uma das primeiras cidades do país a adotar o isolamento social, a partir de 13 de março. Porém, ao completar cinco meses de trabalho, o Comitê Covid-19 Araxá libera praticamente todas as atividades no município embora os números apontem que ainda não se chegou nem mesmo no platô.  

Tudo na administração municipal acontece conforme determinações da Secretaria Municipal de Governo, independentemente do posicionamento dos demais segmentos e sob as benções do prefeito centralizador. É um festival de erros e o mesmo descaso com a cidade que já chega às raias da Justiça devido às inúmeras Ações Civis Públicas movidas pelo Ministério Público (MP). O que se torna mais grave em meio a uma pandemia sem precedentes que tem castigado bastante a população araxaense, apesar dos recursos que a prefeitura tem em mãos para minimizar os seus efeitos no município.

A última resolução do Comitê Covid-19 Araxá foi publicada dia 31 de julho passado no Diário Oficial do Município (Doma), com a assinatura de dez membros, sendo que nenhum deles é médico. A resolução trata praticamente da última fase de reabertura com a permissão das atividades que ainda permaneciam sem autorização de funcionamento no município, como casas noturnas, instituições de Ensino à Distância (EAD), hotéis, feiras livres, clubes sociais, observadas as medidas de distanciamento e uso de máscaras. Realmente, é preciso reabrir a cidade que não conta com a devida atenção da prefeitura neste período de calamidade pública decretado até 31 de dezembro próximo. Mas as consequências poderiam ser menos nefastas para Araxá, tanto do ponto de vista da saúde quanto da economia, ser houvesse mais sabedoria e menos incompreensão por parte desse comitê gestor que decide antes de ouvir os devidos interessados. 

No início da pandemia, o Comitê Covid-19 Araxá era mais representativo, inclusive com a participação de médicos, um deles a única infectologista de Araxá. Não se sabe porque essa representatividade foi raleando a esse ponto, de forma a restar praticamente os membros dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário. O cidadão não tem sido devidamente ouvido neste período, porque o comitê não estabeleceu ampla conexão com a sociedade e, pelo contrário, até restringiu a participação de alguns membros. Os constrangimentos já são comuns à maioria da população impingidos pelos ditos “poderosos”.      

Cerca de R$ 12,5 milhões em recursos, além dos previstos, foram destinados a Araxá para o combate ao coronavírus. Sem falar de mais ajudas externas como os recentes cinco respiradores enviados pelo governo do Estado. Até então, a necessidade de ampliação do número de leitos de UTI no município estava em nível de discussão política e falta de efetividade, como também é frequente no tratamento social local. No mesmo dia da publicação da resolução, o comprometimento desses leitos de UTI chegou a 60% e poderia ser bem pior se não acontecesse essa doação pelo Estado.



O boletim oficial divulgado pelo comitê no dia 31 de julho apontava 2.309 casos em monitoramento, sendo 201 de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) e 2.108 de Síndrome Gripal (SG). Do total de 1.385 casos suspeitos investigados de SRAG e SG, até então, se registrava 498 de covid-19 confirmados e, destes, 373 recuperados, 116 em monitoramento, 9 mortes e uma em investigação, 854 negativados, 33 aguardando resultado e 45% dos leitos de UTI ocupados. No entanto, após três dias da autorização de abertura praticamente total do comércio, mesmo com o incremento de 15 para 20 leitos de UTI, a taxa de ocupação atingia 60%, sendo nove casos de Araxá, um de Pratinha e dois de Santa Juliana.

 O que demonstra que esses números ainda não se estabilizaram no município e continuam em crescendo. Na segunda-feira, 3, os casos registrados já tinham subido de 498 para 516 e, de 33 para 36, aguardando resultado. O que reflete a falta de interlocução do comitê, envolvendo a sociedade de forma a contribuir e operacionalizar as medidas a serem adotadas. Com os recursos que foram enviados para esse combate, deveriam ter sido feitos os testes em massa assim que houve o isolamento social para a definição da reabertura sob critérios técnicos e não até pessoais. Exemplo é o da Itália que adotou tarde o isolamento, mas um mês e meio depois começou com sucesso o seu processo de reabertura.

Nesse tempo todo, a população em geral ficou carente de informações sobre como proceder e buscar assistência do poder público municipal. Parece que a prefeitura se encostou nas ajudas externas, como o auxílio social do governo federal, embora tenha recursos próprios para enfrentar melhor a crise, com protagonismo de fato. 

 Do alto do Gabinete, não veem o que a população de baixa renda está passando, porque as suas demandas não são somente cestas básicas. Inclusive essas não chegam a todos que realmente precisam do benefício e, sequer sabem deste direito, pois é conveniente parecer favor. Embora a resolução do comitê contenha a assinatura do presidente do Sindicato do Comércio de Araxá, é notória a insatisfação da maioria em decorrência da falta de socorro real que pelo menos reduza a perda de emprego e renda. Os MEIs e as micro e pequenas empresas poderiam ter contado com várias ações da prefeitura para enfrentar a crise que já se avizinhava mesmo antes da pandemia, como fácil acesso a linhas de crédito para capital de giro. No entanto, sentem-se tão negligenciados a ponto de fazer manifestações públicas para pedir a atenção da administração municipal. Enquanto praticamente tudo volta a funcionar, órgãos afetos à prefeitura como Sine, Procon, continuam com atendimento presencial suspenso.
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Clarim
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