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PC investiga possível distribuição de cestas básicas para fins eleitorais
15/09/2020, às 16:38:48
As investigações iniciaram para apurar crimes de lavagem de dinheiro, em razão dos recursos desviados da prefeitura municipal e por favorecimento e ocultamento dos valores desviados por meio da alienação de imóveis. A primeira fase da operação que se iniciou no dia 11 de agosto passado foi deflagrada para cumprir mandados de prisão e 23 mandados de busca e apreensão de veículos. Na ocasião, foram cumpridas cinco prisões temporárias, dentre estas, a da ex-secretária de Governo, dois assessores e sócios da empresa investigada. Além das prisões, foram apreendidos diversos documentos contábeis, equipamentos eletrônicos, dinheiro e joias nas residências.
    
Já no dia 20 de agosto, foram cumpridos três mandados de busca e apreensão e outros dois de prisão preventiva, além do bloqueio de bens e apreensão de veículos. Com os desdobramentos, a PCMG pediu o afastamento das funções públicas de três servidores do município, além do pedido de proibição de se aproximarem de órgãos públicos municipais e de terem contato com outros servidores públicos. Ainda, durante análise dos documentos apreendidos na operação, foram identificados indícios da utilização ilícita da máquina pública municipal por pessoas ligadas à prefeitura, para fins de promoção pessoal de pré-candidatos, além de outros crimes envolvendo empresas da cidade. Também foi investigada a possível distribuição de cestas básicas para fins de obtenção de apoio político e também de votos.

Esquema - De acordo com as investigações, o grupo criminoso foi estruturado entre 2014 e 2015 pela ex-secretária de Governo e pelo marido dela, ex-assessor municipal que atuava na Tesouraria. O casal teria aliciado outro ex-assessor que atuava no Setor de Compras da prefeitura. Após se associarem, os três foram nomeados para ocupar cargos estratégicos no serviço municipal, de modo a possibilitar a operacionalização do esquema e atuarem diretamente no desvio de recursos do município.



Inicialmente, o grupo articulou os desvios por meio da contratação de serviços de transportes por van que não eram executados. Para tanto, o primo da ex-assessora de Governo e a esposa dele, sócios de uma empresa de transportes, se associaram ao grupo para atuar no esquema criminoso. osteriormente, o filho deles também passou a integrar o grupo criminoso, recebendo valores por serviços não prestados à prefeitura. O nome dele também era usado pelo pai para abertura de uma empresa para concorrer a licitações públicas. As investigações apontam, contudo, que o filho tinha envolvimento voluntário com o esquema criminoso. A PCMG apurou também o envolvimento de um contador no grupo. Ele era responsável por intermediar as operações ilegais da família proprietária da empresa de transportes, de modo a dar aparência de legitimidade aos recursos que eram desviados da prefeitura.

Desdobramentos - A PCMG recolheu elementos que indicam, ainda, crimes eleitorais cometidos pela ex-secretária de Governo. “Existem provas que revelam que a chefe da quadrilha estava utilizando a estrutura da prefeitura, além de servidores que aderiram ao seu projeto, para angariar apoio político e conseguir votos para o próximo pleito eleitoral. É lamentável o que tem sido descoberto em detrimento da comunidade araxaense, em matérias sensíveis como saúde e assistência social”, concluiu.
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