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Editorial - Não será como dantes
24/09/2020, às 13:07:17
Araxá mais uma vez caminhava para a realização de um pleito desigual, o que vem mantendo um mesmo grupo político no poder há décadas através do uso da máquina pública municipal. Já estava tudo armado para acontecer a velha prática política nas Eleições Municipais 2020, mas eis que a Operação Malebolge deflagrada a tempo pela Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) assegura que, além das mudanças na legislação eleitoral, a disputa no município não será mesmo como dantes.  

O isento trabalho da PCMG faz vir à tona uma organização criminosa que se apropriou da Prefeitura de Araxá para desviar recursos públicos que sustentavam uma complexa associação política. A própria vaidade, sensação de impunidade e ambição de poder e dinheiro estão fazendo muita gente repensar sobre o que acontece na cidade sob o jugo da política do “pão e pau”, onde faz escola desde os remotos tempos da ditadura. Apesar dos resquícios daquela época, a pós-modernidade com o amplo acesso à informação através das redes sociais não admite mais essa prática que favorece ou oprime, capitaneada por um líder que não ficará protegido das próprias falcatruas e mentiras.



Uma das importantes mudanças na legislação eleitoral vigente que muito impactou esse grupo é a proibição das coligações partidárias para as eleições de vereadores (proporcionais). Anteriormente, os votos dados a todos os partidos da aliança proporcional eram levados em conta no cálculo para a distribuição das vagas. Então, juntavam a grande maioria dos partidos constituídos na cidade em torno de uma mesma candidatura majoritária que não só tinha as suas chances de vitória ampliada, como também uma grande perspectiva de formação da maioria na Câmara Municipal. De fato, na majoritária existem duas pré-candidaturas que reúnem vários partidos no seu entorno, mas a falta de liga na proporcional e a dificuldade de tratar com tantos pré-candidatos a vereador desta vez pode significar um tiro no pé. Além disso, muita gente junta e misturada não representa renovação para o eleitor.  

Já como para este pleito cada partido tem que compor uma chapa de candidatos a vereador, muda-se o plano maquinado dentro da administração municipal. Então, para motivar os partidos da provável grande composição de “fidedignos” cabos eleitorais incentivaram a pulverização do pleito em torno de pré-candidatos a prefeito do grupo transvestidos de novos. Mais uma vez, loteando a prefeitura com cotas partidárias que significam promessas de empregos e favores para uma minoria que domina uma boa parte da população justamente através desse círculo vicioso. Essa política tacanha era tão confiante na impunidade que ainda prevaleceu nos bastidores dos poderes públicos até que a PCMG começa a dar o basta, abrindo os horizontes para candidaturas descompromissadas com esse esquema, de pessoas que costumavam ser esmagadas.
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Clarim
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