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Seis em cada 10 pacientes com covid na UTI morreram no Brasil até agosto
18/01/2021, às 11:37:38
uti

Um artigo divulgado nesta sexta-feira (15) no periódico científico The Lancet Respiratory Medicine traz os resultados de uma análise retrospectiva das 254.288 hospitalizações de pacientes com mais de 20 anos com diagnóstico de covid-19 no Brasil entre 16 de fevereiro e 15 de agosto de 2020. O índice de mortalidade hospitalar pela doença é alto no País, e com uma diferença importante para nações como o Reino Unido: a média de idade da população brasileira é mais baixa, faixa etária em que se espera uma letalidade menor da doença. No Brasil, entretanto, a mortalidade foi alta também entre pessoas com menos de 60 anos. Os dados são parte de um estudo feito em colaboração entre instituições que incluem USP e Fiocruz. Somado a outros dados, isso quer dizer que nosso sistema de saúde não deu conta do alto fluxo de pacientes, especialmente na Região Norte, onde um novo colapso do sistema já vinha se desenhando, atingindo o auge esta semana, com o fim do suprimento de oxigênio em Manaus.



O médico Otavio Ranzani, pesquisador da FMUSP e do Instituto de Saúde Global (ISGlobal) de Barcelona, Espanha, diz que o número de UTIs na Região Norte é muito baixo comparado com outras. E abrir um leito de UTI envolve muito mais que liberar uma cama e um ventilador, incluindo outros recursos e equipe especializada. “Podemos observar que na Região Norte os doentes chegaram mais graves. Eles tinham mais hipoxemia, mais estresse respiratório”. O tempo entre dar entrada no hospital até a morte na Região Norte foi de sete dias; nas outras regiões, 10 a 12. “É sinal de que lá as pessoas chegaram e morreram rápido, que chegaram mais graves, por limitação de acesso, já que há poucos leitos. Só conseguiram este atendimento muito tarde.”

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Outro recorte que traz dados alarmantes foi a mortalidade, no País todo, dos doentes que precisaram de ventilação mecânica invasiva, ou seja, intubação: 80%. “No Norte e no Nordeste, mesmo as pessoas jovens ventiladas morreram muito”, diz Ranzani, que é o primeiro autor do estudo. O médico explica que a lei brasileira pede um intensivista especializado para cada 10 leitos de UTI. Mas é igualmente importante a taxa de leitos por enfermeiro, técnicos de enfermagem, fisioterapeutas que pode ser muito alta. “Mesmo um local que antes funcionava bem, com doentes menos graves, pode colapsar quando todos os doentes que estão lá são muito graves, porque aumenta demais a carga dos profissionais.”


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