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Editorial - Do autoritarismo à participação popular
20/01/2021, às 08:54:52
O resultado das urnas em Araxá nas Eleições Municipais 2020 é claro, numa disputa polarizada entre a vontade da população de mudança ou de continuidade. A maior parte do eleitorado (52%) agora espera um governo participativo e não autoritário e perseguidor como o vivenciado pela população nos últimos cinco anos, com a desconstrução de boa parte da rede de participação popular estabelecida anteriormente nos mais diversos segmentos e inclusive da imprensa local.  

Depois de um obscuro e corrupto período na política local, o mínimo que se espera é o renascer das cinzas com o município buscando o seu desenvolvimento sustentável através da participação popular na governança. A grande maioria do eleitorado votou pelo fim do totalitarismo imposto pelo poder local, a favor dos privilégios bancados com muitas falcatruas empurradas para debaixo do tapete vermelho que agora literalmente foi descartado. Esse gesto simbólico do governo que se inicia também demonstra respeito aos direitos constitucionais, sejam os da impessoalidade, da moralidade, da parcimônia no gasto com o dinheiro público, do tratamento isonômico aos cidadãos.    

É possível sim vivenciar na prática um governo democrático e sem extremismos. Também existe muita confusão sobre governo popular/populista e participativo, cuja principal diferença está no exercício democrático do poder. O prefeito Robson Magela e o vice Mauro Chaves estão longe de serem socialistas como alguns querem impingir-lhes esta imagem, assim como também não representam a extrema direita. Ainda é muito cedo para colorir a imagem do novo governo que mal começou a agir, mas pelo desenho já dá para entender que não vai comandar como o anterior de forma ditatorial e, tende a ser participativo, apesar da pecha de populista que pelo bem da nova política deve ser esquecida.



A política populista é exercida através do contato direto entre um líder carismático e as massas, supostamente ignorando a importância do sistema democrático de direito. É uma política superficial, sem conteúdo, muito relacionada aos governos que possuem um grande apelo com as camadas mais pobres do local governado. O líder populista na verdade está escorado no poder pela rede de troca de favores, o conhecido clientelismo. Um dos grandes receios dos araxaenses ainda é o de sair do fogo do antigo governo municipal à base do pão e pau e cair na brasa de um que seja populista e, portanto, também centralizador. 

Parece não ser o caso, pois apesar da composição do atual governo municipal não ter sido feita como preconizado na campanha, com a participação dos melhores sem interferências políticas, também não é populista. Houve uma tentativa de acomodação de tantos partidos e pessoas que participaram da campanha colaborando para a expressiva eleição da dupla que tem demonstrado fina interação neste exercício que denominam de “governo compartilhado”. Com isso, também não é tão nova a cara da gestão 2021/2024, tendo em vista que muitos cargos foram mantidos, provavelmente à crédito de quem já apoiava o governo anterior.               

O que se busca como ideal não só em Araxá, é um governo com efetivos mecanismos de controle sobre a administração pública exercidos pela sociedade civil. A esfera social não pode ser considerada massa de manobra em período eleitoral, pois a sua participação no governo estende-se além do voto para expressar democraticamente as reais demandas da população. Depois de um período em que entes do governo municipal ficaram submetidos a vaidades e apropriação indevida dos recursos públicos, espera-se que no mínimo a população tenha aprendido a cobrar transparência com as informações que lhe são devidas e zelo com os recursos públicos, mesmo que uns insistam em permanecer na ilha da fantasia.

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Clarim
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