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Editorial - 100 dias de provação
13/04/2021, às 08:27:08
Haja sinônimos de dificuldade para ilustrarem como têm sido os 100 dias do novo governo municipal sob a gestão do prefeito Robson Magela e do vice-prefeito Mauro Chaves, contados a partir de 1º/01/2021 e que se completam neste sábado, 10. Existe uma diversidade de tribulações a serem enfrentadas nos próximos quatro anos à espera de efetivas ações, enquanto a administração municipal é consumida pelo enfrentamento à Covid-19.  

Um dos grandes problemas evidenciou-se mesmo antes da posse dos eleitos, porque o governo municipal que se findou não dispensou até 31/12/2020 todos os funcionários em cargos de comissão e com contratos vencidos como é praxe numa saudável transição. Pelo contrário, deixou um cabide de empregos bem grande para o próximo dar cabo ou quem sabe manter - como era a expectativa até daqueles que sabem que deveriam livrar os bolsos dos cidadãos de seus indevidos salários. Assim, a transição pode ser chamada de “meia boca”, “seis por meia dúzia” etc., porque não houve tempo e muito menos oportunidade para que seja feita a reforma administrativa que a máquina pública merece. O que a Câmara Municipal recentemente aprovou foi um remanejamento e desmembramento dos cargos comissionados existentes para atender o novo governo, mais uma vez, de forma paliativa. Continua urgente uma profunda reforma administrativa com a criação do Plano de Cargos e Salários do funcionalismo público municipal, o que é impossível em estado de calamidade pública.   

Outra contrariedade inicial já vencida foi a necessidade de aprovação à toque de caixa do novo Orçamento Municipal para o exercício deste ano, porque o que estava em vigor aprovado em 2020 pela Câmara Municipal, com emendas de vereadores e redução da suplementação, era inexequível. Aliás, era um orçamento que ainda deve ser cumprido em grande parte porque não foi muito alterado pela lei que o substituiu e, além disto, não foi planejado pelo atual governo, o que é mais uma atribulação. Até o fim de 2021, a de cumprir-se praticamente as metas orçamentárias de receita e despesa previstas em 2020, quando a situação era menos catastrófica do que a atual. A grande preocupação agora é cumprir a meta de arrecadação prevista para 2021 de R$ 475 milhões, quando o cenário mundial é de um inóspito ambiente econômico.



Como uma dificuldade leva a outra, esses cem dias encerram-se também com a terrível adversidade dos matos, sujeira, lixo, buracos etc. criada pela falta de manutenção adequada e continuidade dos serviços mais básicos de atendimento à população. E correr atrás desse prejuízo não tem sido fácil, sendo que até o momento não se descortina um novo horizonte a curto prazo para dar fim ao nefasto legado. Para dificultar, a empresa que ganhou a licitação é a mesma que prestava os serviços anteriormente e que já estavam bem aquém da necessidade da cidade; a frota municipal continua acabada mediante o desejo de terceirização desses trabalhos e, também neste segmento, falta mão-de-obra especializada capaz de pensar e criar novas logísticas que funcionem com a adoção de suporte tecnológico suficiente à demanda de 110 mil habitantes.           

Para arrematar os impedimentos iniciais de planejar e executar o que foi prometido à população, o governo municipal ainda lida com a pandemia que se apresenta muito pior do que no ano passado. Com o agravante da falta de suporte tecnológico e científico para respaldar as decisões atribuídas ao Comitê Municipal de Enfrentamento à Covid-19 que, na verdade, não se reunia desde o início da Onda Roxa. Depois de 40 dias, o comitê volta se reunir nesta sexta-feira, 9, tendo também na pauta a saída da presidente, a ex-secretária municipal de Saúde, Diane Dutra, há uma semana. Assim não há segurança nas decisões diante do surgimento das agruras que adoecem a população em todos os sentidos literais, inclusive o econômico. Em última instância, essas decisões são atribuídas ao próprio prefeito que assina embaixo até de inconvenientes medidas porque parecem ser mais populares, quando ao final complicam ainda mais os reveses.

A data 100 dias de governo é um marco por tratar-se de um período em que se azeita a máquina pública para que funcione conforme as novas diretrizes e o planejamento a serem seguidos pelos cerca de 5 mil servidores públicos. Porém, os contratempos existentes pressionam mais fortemente o novo governo municipal. Mas para cada dificuldade (sinuca de bico, óbice, estorvo, embaraço, aperto), existe um sinônimo de facilidade, a começar pela promoção da simplicidade, sendo claro e transparente com a população, sem criar subterfúgios com receio da impopularidade de algumas decisões. Até porque nada e ninguém é 100% perfeito neste mundo e o que conta mesmo ao final é a boa vontade de acertar. A aptidão é outra facilidade que se contrapõe aos problemas através da destreza, capacidade, disposição ao agir, aliada à prontidão na desenvoltura do serviço público, ou seja, à presteza, agilidade, despacho e desembaraço. E não poderia faltar a oportunidade, a chance que esse novo governo ainda tem de promover de fato o desenvolvimento sustentável do município nos vindouros 1.360 dias de gestão.
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Clarim
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