museu
Museu Dona Beja. Foto: Celso Flávio
Logo
Araxá / MG - , -
Clarim no WhatsApp (34) 98893-8381
Menu

Digite pelo menos 2 caracteres!
UFTM participa de pesquisa de nova espécie e gênero de dinossauro
29/09/2021, às 08:08:48
Arte1  

A região de Monte Alto (SP) tem revelado fósseis do Período Cretáceo desde a década de 1910, porém com a inauguração do Museu de Paleontologia em 1992, as pesquisas passaram a ser feitas de forma sistemática, resultando no aumento de achados e descrições de novas espécies locais. Faltava ainda um dinossauro carnívoro. Faltava... O recém artigo publicado na revista Journal of South American Earth Sciences traz um novo terópode de Monte Alto, um dinossauro carnívoro pertencente à família Abelisauridae, o Kurupi itaata.  As análises dos fósseis revelaram um dinossauro carnívoro de uns 5 metros de comprimento e com uma musculatura adaptada para cursorialidade (eram corredores). Além da definição da nova espécie, o estudo corroborou propostas paleoambientais e geológicas para a unidade a Fm. Marília. Kurupi viveu sob um clima árido com longos períodos de estiagem  e seus restos incorporaram um solo antigo por milhares de anos.



Os abelissaurídeos foram dinossauros terópodes que figuraram entre os maiores predadores do hemisfério sul durante o Período Cretáceo (entre 145 milhões e 66 milhões de anos). As espécies desta família se caracterizam pela postura bípede, membros anteriores muito reduzidos ou vestigiais, crânios curtos e fortemente ornamentados, e dentes  achatados com carenas serrilhadas. Foram predominantes em continentes gondwânicas (austrais), mas existe algumas ocorrências fora deste contexto. A Argentina concentra o maior número de espécies descobertas e também os espécimes mais completos como Carnotaurus sastrei e Skorpiovenator bustingorryi, por exemplo. No Brasil, Kurupi itaata é a quarta espécie formalmente descrita.

O primeiro fóssil de Kurupi itaata foi encontrado em 5 de outubro de 2002 por Fabiano Vidoi Iori (autor do trabalho), na ocasião foram encontrados ossos da cintura pélvica do dinossauro. Outras escavações foram realizadas em 2006, 2009, 2013 e 2014 que resultaram na localização de três vértebras da cauda e outros fragmentos fósseis. O indivíduo foi achado em rochas calcíferas muito duras da Formação Marília, e representa  o primeiro vertebrado descrito para esta unidade geológica. A formação tem aproximadamente 70 milhões de anos, data do “finalzinho” do Período Cretáceo, e precede em “apenas” 4 milhões de anos a grande extinção dos dinossauros. O sítio paleontológico fica próximo à área urbana de Monte Alto, nas cercanias de um motel, e por esse motivo o espécime era conhecido como “Dino do Motel”, tal fato  influenciou na escolha do designativo do gênero. Kurupi é o nome do deus/monstro guarani da sexualidade e fertilidade. Já itaata, epíteto específico da espécie, é a junção das palavras tupi: ita = pedra, atã = dura, em referências às rochas duras da Formação Marília.

arte3

Fizeram parte deste trabalho os pesquisadores Fabiano Iori e Sandra Tavares, do Museu de Paleontologia Prof. Antonio Celso de Arruda Campos (Monte Alto-SP), Hermínio Ismael de Araújo-Júnior, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Rio de Janeiro-RJ), Thiago Marinho, da Universidade Federal do Triângulo Mineiro (Uberaba-MG), e Agustín Martinelli, do Museo Argentino de Ciencias Naturales “Bernardino Rivadavia” (Buenos Aires, Argentina). "Os fósseis do Kurupi itaata foram encontrados em rochas que podem ter idade similar às que ocorrem aqui em Uberaba. Portanto, comparações com os fósseis do acervo do Centro de Pesquisas Paleontológicas “Llewellyn Ivor Price” (CPPLIP/UFTM) foram cruciais para a pesquisa. Nesta etapa, verificamos que os fósseis de Monte Alto são diferentes de todos os fósseis de abelissauros encontrados até hoje em Uberaba", concluiu Thiago Marinho.

Fonte: Museu de Paleontologia Prof. Antonio Celso de Arruda Campos (Monte Alto-SP)
Ilustração: Julia D'Oliveira

cbmm6
Compartilhar no WhatsApp
Clarim
Radix Tecnologia