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Editorial | Restrito à elite?
25/07/2022, às 07:42:17
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Nos bastidores, corre a informação de que o Grande Hotel de Araxá será remodelado pela Rede Tauá com foco no conceito “hotel boutique”, uma tendência de hospedagem para poucos privilegiados que prezam a privacidade e exigem experiências únicas, como atendimento individualizado. Como o assunto é dos mais reservados, só dá para imaginar como a comunidade pode ser mais uma vez surpreendida e duramente impactada, principalmente no trade turístico como aconteceu na época do fechamento do Grande Hotel e Termas pelo governo do Estado sem aviso prévio. 


Recentemente, a Companhia de Desenvolvimento de Minas Gerais (Codemge) renovou a concessão do patrimônio público estadual com a Rede Tauá que já não se interessava mais pelo negócio nas condições do antigo contrato que, por exemplo, previa um pagamento de royalty ao Estado de 12% sobre a operação considerada de risco diante do pequeno número de apartamentos e as enormes áreas de convivência do hotel, termas, fontes e jardins que inclusive são tombadas pelo patrimônio público e precisam ser preservadas, restauradas e mantidas a um alto custo. Então, conclui-se que na nova concessão foram previstas condições que levaram a rede hoteleira a permanecer na administração desse inigualável patrimônio histórico construído pelo Estado no município devido as suas águas minerais e aberto em 1944 para funcionar também como um cassino. Daí surge outra especulação, a de que o investimento na sua reformulação estaria sendo feito com vistas à possível reabertura dos jogos no país, o que de qualquer forma também seria para poucos.



Essas informações são extraoficiais e partem de uma conversa aqui outra acolá que acabam fazendo sentido, mas se de fato isso acontecer em curto prazo como dizem, a comunidade será pega desprevenida. Especialmente, os pequenos negócios que vivem da incipiente retomada da atividade turística no município. Se de fato estiver ocorrendo essa transição, mais uma vez a cidade não foi preparada para suportar o turismo sem o GH e entorno. Se o conceito for mesmo o de um “hotel boutique”, será mais fechado do que um resort, de onde ninguém precisa sair para gastar em outro lugar que não seja lá dentro. É um tipo de turismo com alto nível de exclusividade, personalização e atendimento para um público muito seleto e caro. Enfim, luxo e conforto para poucos apreciarem a magnitude do chamado “castelo” construído pelo poder público, dentre outros atrativos como as termas que devem ficar com acesso muito restrito.   

E se os eventos passarem a ser fechados e limitados aos ilustres hóspedes como ficará o turismo em Araxá? Neste ano, no pátio do Grande Hotel já foram realizados a Expoqueijo, o Festival Saberes e Sabores, o Fliaraxá, a Copa Internacional de Moutain Bike e vem aí o Encontro Nacional de Carros Antigos no fim deste mês e, se não houver a parceria do Tauá, será que voltam a acontecer na cidade? É preciso consolidar esse calendário de eventos que marca a retomada do turismo araxaense, mas como fazer sem contar com o maior atrativo?  Outra questão é que esse tipo de público não vai querer sair do hotel e termas, a não ser que as opções externas - sejam no próprio complexo do Barreiro e ou na cidade - signifiquem experiências inéditas somadas a uma infraestrutura adequada ao bom atendimento. 

É só olhar envolta do que resta para fora das grades que cercam o Grande Hotel e jardins para ver a improvisada Vila do Artesanato que sequer foi aberta embora tenha sido “entregue” pelo governo do Estado há cinco anos, a deteriorização do histórico Hotel Colombo e da igrejinha situada ao lado que estão caindo pelo abandono, o estado lastimável do Lago Norte que serve às capivaras, as improvisadas barracas de alimentos e bebidas etc. Um hóspede exigente já desiste até de conhecer a cidade perante a atual paisagem do Barreiro e nem ter um governador araxaense resolveu essas questões que urgem mais do que nunca se de fato ocorrerem essas mudanças na administração do GH. Assim como Araxá precisa investir e crescer em infraestrutura turística fora do complexo do Barreiro, como ter um centro de convenções, novo parque de exposições, aeroporto e rodoviária melhores, estrutura poliesportiva e campo de futebol para receber até seleções brasileiras. Dentre tantas outras iniciativas para que Araxá possa continuar a movimentar o turismo diante da sua rica cultura que felizmente voltou a ser valorizada pela gestão municipal junto a outros potenciais a serem explorados.
 
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Clarim
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