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EDITORIAL - Intrigante quietude
31/07/2012, às 08:11:03

   O período eleitoral transcorre de forma diferente este ano, tanto que faltam praticamente dois meses para o pleito e tudo está muito quieto. O clima de campanha ainda não tomou conta da cidade, afora nos bastidores políticos onde os ânimos são sempre mais exaltados e no corpo a corpo com o eleitor, segue sem contagiar a população.
    
   Não é apenas uma impressão reforçada pelo fato de que a propaganda eleitoral está bem limitada na cidade, onde em comum acordo os partidos políticos decidiram vetar a pintura em muro, plaquetas nas vias e carro de som depois das 18h. A campanha realmente está fria, mas ainda vai esquentar como acontece em toda eleição, principalmente municipal. Esse ritmo lento deve-se também ao período de indefinições sobre as candidaturas que se encerrou recentemente. Tanto que agora ao invés de três são quatro candidatos a prefeito de Araxá, com o deferimento da candidatura de Ronito Reis  que conta com Giselda Leal para vice, numa chapa pura formada pelo PMN.
    
   Além deles, estão no páreo como candidatos a prefeito e vice, respectivamente pelas coligações: “Unidos Podemos Mais”, Aracely de Paula (PR) e Lídia Jordão (PP), “Araxá em Boas Mãos”, Jeová Moreira da Costa (PDT) e Edna Castro (PSDB) e “Sou Mais Araxá”, Toninho Barbosão (PT) e Waldir Benevides de Ávila (PSB). Outra decisão foi o indeferimento pela Justiça Eleitoral do pedido de candidatura a prefeito do empresário Sérgio Chaer (PMDB). Dos candidatos a vereador por Araxá que são mais de 150, cinco tiveram as suas candidaturas indeferidas e Marco Antônio Rios (PSDB) desistiu da pretensão para coordenar a campanha política da coligação “Unidos Podemos Mais”.
    
   Em Araxá, agora não há mais dúvidas sobre quem é mesmo candidato, o que permite acelerar as campanhas. Mas até pela redução dos recursos que podiam ser utilizados pelos candidatos, a campanha deste ano fica ainda mais restrita ao horário eleitoral gratuito no rádio e TV que começa no próximo dia 20, apenas a 40 dias do pleito, além do corpo a corpo com o eleitor, é lógico. Tanto que as tradicionais reuniões promovidas através dos cabos eleitorais para que os candidatos mantenham um contado direto com a população têm acontecido desde o último dia 6, quando foram liberadas as campanhas, mas nos bastidores.
    
   Afinal, dois meses é muito pouco tempo para o candidato estar com o bloco na rua e essas reuniões são propícias para o eleitor levantar as suas reivindicações e o candidato ter noção do que a população anseia para pautar o seu plano de governo e fazer compromissos. Porque até agora, infelizmente, nas ruas só se fala nas candidaturas, nos nomes em disputa, como se o eleitor não se importasse realmente com o que vão fazer depois pela coletividade se ganharem o pleito.
    
   Genericamente e, tomada como mote, a melhoria no atendimento da saúde pública no município tem sido citada como bandeira da maioria dos candidatos, seja da oposição ou situação. No entanto, sem muito conteúdo ou planejamento. Como se não fosse preciso dizer ao eleitor, porque persiste a insatisfação popular na área da saúde e como dar um tratamento que a eleve para um melhor patamar de atendimento público.
    
   Por exemplo, falar em construir hospitais, postos de saúde e outros equipamentos públicos para melhorar o atendimento é fácil, mas isto isoladamente não resolveria os problemas na área, cuja raiz está realmente na gestão. De qualquer forma, é interessante o peso que será levantado a favor da saúde no decorrer das campanhas eleitorais, inclusive para despertar os políticos. Já que a responsabilidade pelas reclamações populares quanto à situação da saúde pública no município deve ser compartilhada pelos políticos da cidade, porque não é de hoje que os problemas se acumulam e as soluções são apenas paliativas.
    
   Mesmo a saúde pública sendo ruim no país de forma geral, particularmente em Araxá tem tudo para ser muito melhor por causa da vultosa arrecadação municipal. No entanto, não basta ter os recursos financeiros se o município continua na gestão básica do SUS. A municipalização da saúde em Araxá foi iniciada no governo do ex-prefeito Olavo Drummond que se encerrou em 2000 e só se concretizou muitos anos depois, à marra. Tanto que a cidade ainda está na gestão básica, atrás de muitos municípios do mesmo porte que já oferecem pela rede pública atendimentos de maior complexidade.
    
   Para oferecer pelo SUS muitos dos serviços de saúde que a população araxaense ainda busca em outros municípios, é preciso primeiro contar com a necessária infraestrutura, modernos equipamentos e profissionais à altura e, então, buscar o credenciamento do município na gestão plena dentro do que é possível no sistema. Mesmo com o município investindo de 18% a 20% da sua privilegiada arrecadação em saúde, enquanto o limite mínimo constitucional é de 15%, está longe de ofertar o que a população espera e, muitas vezes, não consegue suprir o básico.

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