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Gustavo Penna explica o projeto de requalificação
31/07/2012, às 13:19:03

 

   O arquiteto Gustavo Penna, 62, em visita às obras de requalificação da av. Antônio Carlos diz que estão em fase de acabamento final. Ele explica que na verdade estão sendo executados seis projetos dentro de um global que abrange toda a extensão da av. Antônio Carlos, da praça Cel. Adolpho à Igreja Matriz de São Domingos. Segundo ele, o projeto segue uma tendência mundial ao tornar prazeroso e seguro o passeio a pé pelo Centro Histórico da cidade, sem o tráfego pesado. O arquiteto afirma que a obra em fase de finalização foi executada num tempo muito menor do que o normal.        

   Em entrevista ao Clarim, concedida depois de uma visita às obras na segunda-feira, 30, Gustavo foi reticente ao falar sobre a sua ligação pessoal com Araxá e as críticas levantadas pela população durante a execução do projeto. Mas em relação às obras, demonstrou abertura e satisfação com o resultado final.

Relação com Araxá
   O pai de Gustavo Penna foi o construtor do Grande Hotel do Barreiro e, por isto, ele pôde passar toda a sua infância frequentando o complexo. “Essas coisas da minha relação com a cidade não são tão importantes como a obra. Eu tive o gosto pela arquitetura desenvolvido aqui, com as muitas brincadeiras no espaço da casa do Barreiro”, relembra. Segundo ele, continuou a frequentar a cidade mesmo depois de sua mudança para Belo Horizonte. “Na época de vir, sentia o cheiro de Araxá.”

   Ele ainda mantém os vínculos familiares com a cidade, onde reside o seu irmão caçula e afilhado, Mário Penna, conhecido como Chumbinho. Gustavo conta que há uns cinco anos conseguiu comprar de volta a casa do Barreiro que pertencia aos seus pais, situada no entorno do Lago Norte, que foi reformada para receber a família e os amigos.

O projeto
   O arquiteto diz que antes de ser contatado pelo prefeito Jeová Moreira da Costa para desenvolver o projeto, já vinha conversando sobre esse espaço da cidade junto à Companhia Brasileira de Metalurgia e Mineração (CBMM). “Não a obra inteira, mas o trecho do teatro”, conta. Ele acrescenta que essas conversas não evoluíram e, posteriormente, o prefeito lhe procurou para que fizesse o projeto. “Eu perguntei o que ele queria fazer e me respondeu que era uma obra voltada para a cultura, um teatro”, relembra.

   Gustavo diz que desenvolveu a ideia do teatro, porque é onde existe a cultura local que se expressa e a do mundo que chega. “É um grande espaço de troca, o que é daqui vai pra fora e vice-versa, o teatro é a grande esquina da cultura”, afirma. Segundo ele, preocupou-se em projetá-lo sem que fosse preponderante, um estorvo para o espaço e, por isto, decidiu fazê-lo semienterrado. “Hoje, não existe no mundo um teatro que seja uma praça em cima com um lago”, aponta.

   Em relação à praça, ele observa que hoje as cidades enfrentam as consequências do aumento populacional. “E têm o ônibus, o táxi... Todas as praças centrais do mundo sofreram alterações em função do tempo, a exemplo das mais famosas como a av. Champs Elysée, em Paris, na França; o Centre Pompidou, em Barcelona, na Espanha, e ultimamente o projeto Herzog e De Meuron para o Parque Serpentine, em Londres, Inglaterra”, cita. Ele acrescenta que seguindo uma tendência contemporânea decidiu fazer a integração das vias entre a igreja e o Museu Dona Beja, criando uma praça única ao invés de vários fragmentos.

Av. Antônio Carlos
   Gustavo aponta que existem seis projetos específicos em execução, o primeiro refere-se à av. Antônio Carlos, com as novas calçadas, as árvores, o piso e bancos. “Agora se vê como era grande esse espaço, é enorme, referenciando a Casa da Beja, dos Lemos, a Câmara Municipal pelos taludes e, com as árvores, faz a ligação com a igreja matriz e o Parque do Cristo. Antes era tudo vedado, agora a linha de árvores indica, soma, reflete o verde, acolhe e, a sua extensão, integra e permite o encontro de muita gente. Todo mundo junto é o que queremos”, afirma.  

   Ele explica que as extensões de gramados permitem usar o verde para diminuir a manutenção e aumentar a segurança. Em relação à utilização do pau-mulato para fazer o alinhamento entre a matriz e o Parque do Cristo, o arquiteto diz que gosto demais da espécie.  “Acho o pau-mulato lindíssimo, além de dar sequência à av. Imbiara. Na cidade, há exemplares mais antigos que são maravilhosos, porque se adaptaram muito bem na terra. Uma vantagem é a copada (sombra) alta e a parte inferior muito limpa, o que dá mais segurança”, afirma.

Roda da Memória
   O segundo projeto específico é a Roda da Memória que ficará situada na plataforma sobre o lago, reverenciando 147 nomes de ilustres araxaenses ilustres, um para cada ano do aniversário da cidade que foi criada em 1865, considerando até 2012. Gustavo informa que esses nomes foram escolhidos pela Fundação Cultural Calmon Barreto (FCCB). “Trata-se de um centro de nióbio, com os nomes em espiral pelas bordas”, adianta.

Fonte Araxá    
   A Fonte Araxá é citada como o terceiro projeto específico, sendo um espelho d’água que homenageia as águas minerais que fazem parte da história local. “E também faz a ligação visual da praça com a av. Vereador João Sena e a Igreja São Sebastião através de um eixo para onde estará apontado o seu esguicho, sendo um repuxo maior e os outros menores”, informa. Segundo ele, assim como já ocorreu em outras obras onde não sabia da existência de minas d’água antes de serem iniciadas, em todas quando surgiram fez caixas de aproveitamento do lençol freático como em Araxá.

   Ele explica que a água de Araxá é famosa e o município também está na Serra da Canastra, onde nasce o rio Amazonas. “A fonte invoca o respeito a sua água, porque Araxá cresceu simbolicamente nesse sentido”, afirma.

Anfiteatro Dona Beja
   Gustavo cita que o quarto projeto específico é o Anfiteatro Dona Beja, criado para shows a céu aberto, feito de grama para o público sentar e com capacidade para receber 10 mil pessoas. Segundo ele, o anfiteatro funciona como uma concha acústica e a sua concepção é única no país, ou seja, a sua construção integrada com o teatro municipal. “No Ibirapuera, em São Paulo, tem essa ideia, mas o nosso projeto acrescenta uma novidade que é a possibilidade de ter apresentações dentro e fora do teatro quando a porta está fechada”, explica.

   Gustavo ressalta que outra vantagem é o seu funcionamento como se fosse uma concha acústica, porque não precisa de aparato técnico, de sofisticação, sendo feito para shows populares. Em relação à preocupação com a altura do som do anfiteatro por estar em frente ao Hospital Regional Dom Bosco, ele explica que a sua gestão tem que ser compactuada com a comunidade.     

Teatro municipal
   O arquiteto informa que o quinto projeto específico é o do teatro municipal, cuja acústica é perfeita, feita pelo renomado especialista da área Marco Antônio Vecci e por Pedro Perdevias do Grupo Corpo, de Belo Horizonte, que assina a caixa cênica. Eles integram a equipe de Gustavo que possui importantes projetos no país e alguns no exterior. Gustavo afirma que 350 lugares é um número economicamente viável e que comporta shows com expressão sem ficar com a casa vazia,

   “Assim como não é o primeiro e nem será o único da cidade, é o teatro do Centro histórico. Quando a cidade demandar, nada impede que outros teatros bem maiores sejam construídos.”

Praça Cel. Adolpho
   O sexto projeto específico refere-se à praça Cel. Adolpho com o largo que a neutraliza, unindo numa só calçada o Museu Legislativo, a antiga Pensão Tormin, o Hospital Regional Dom Bosco e o Museu Dona Beja. “A obra como um todo, valoriza a cultura da terra. Será espaço da cultura, para as pessoas voltarem a se encontrar e conversar.”
   A estética da obra com a sua imponência e, ao mesmo tempo, o equilíbrio com o ambiente que a abriga são outras características buscadas pelo arquiteto “A maior dimensão da cidadania é a autoestima”, afirma Gustavo.

O trânsito
   Gustavo explica que o sistema que vigora hoje em todas as cidades do mundo é o de desestimular o uso de carros na área central. “São as chamadas cidades caminháveis, sendo que a proposta é usar as áreas centrais cada vez mais para o fluxo ser prazeroso para o pedestre e, o tráfego pesado, é jogado para fora desse anel, para o seu entorno”, esclarece.

   Segundo ele, já encontrou um projeto da prefeitura em estudo para a retirada do tráfego pesado do Centro da cidade, o que veio de encontro com essa tendência. “Além de retirar o tráfego pesado para a área mais externa do Centro, nas cidades contemporâneas têm sido criados outros Centros específicos, para que as pessoas possam não só trabalhar mais perto de casa, como fazer as suas compras e andar com tranquilidade. A tendência é transformar as cidades, deixá-las menos artificiais, diminuir a demanda pelo transporte coletivo. O morador tendo o mais próximo dele todos os serviços, é como morar perto de tudo”, esclarece. Ele acrescenta que essa visão se contrapõe à antiga, com a concentração de um ou poucos tipos de serviços em uma só região da cidade.  

   “Dessa forma, a cidade tem vida o dia inteiro. Torna-se viva em todas as horas do dia. A cidade vai crescer e tem que se preparar para isto, sendo que as pegas de surpresa reagem mal com o crescimento, começa o improviso e gera a desarmonia”, afirma. Gustavo ressalta que hoje as cidades criam novas centralidades que vão surgindo naturamente. “É uma tendência contemporânea, permanecendo com os seus Centros históricos. A cidade é uma soma de tempos, não a diminuição ou a supressão destes.”

Calçadão
   Gustavo afirma que o calçadão não é novidade, porque já foi testado em muitas cidades. “Todas as alterações em áreas centrais geram impactos nítidos, mas também é inquestionável o momento seguinte, passando a ser ponto de atração, acontece uma resignificação do espaço, como Jaime Lerner fez em Curitiba. Ele foi o criador do calçadão, com o fechamento da rua das Flores. À época, houve questionamentos e hoje é o ponto focal da cidade, onde é gostoso caminhar”, cita.

   Segundo ele, passada essa primeira fase de impacto, ele acredita que os comerciantes e moradores da região também vão querer renovar os seus imóveis, contribuindo com a nova paisagem urbana. Ele ressalta que as obras no Centro da cidade são sempre traumáticas. Apesar de não saber como foi a execução da obra em Araxá quanto ao planejamento, Gustavo afirma que o prazo de execução foi “absolutamente menor do que o normal”.

Tapumes
   Para o arquiteto, a execução dessa obra poderia ter sido menos traumática se a população tivesse acompanhado a sua evolução desde o início, através da utilização de tapumes abertos conforme foi a sua orientação.  Ele destaca a importância do envolvimento da população com a obra, o que é possível através do seu conhecimento e participação, com uma comunicação eficiente.

   “Eu acho que sem os tapumes fechados, o pessoal poderia ter acompanhado a obra sem ficar imaginando o que está por trás. Com certeza, os tapumes poderiam ter sido abertos, com treliças”, ressalta. No entanto, apesar das polêmicas, as obras estão fase de finalização, conforme constatou o arquiteto durante uma visita ao local nesta segunda-feira, 30. “Está sendo feito o acabamento final e, eu estou feliz, satisfeito com o resultado, porque as partes mais importantes da obra estão nítidas, é suave com a valorização do verde.”

Concurso internacional
   Gustavo confirma que o projeto feito para Araxá concorrerá a uma premiação internacional. “Eu acredito que vai ser muito bem recebido pela crítica mundial, porque é absolutamente sustentável, com permeabilidade, valorização do verde e da segurança.”

 



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