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EDITORIAL - A crítica pela crítica
01/08/2012, às 12:51:58

 


   À medida que as obras de requalificação da região central são finalizadas, é possível sentir a sua grande aceitação popular, mesmo diante de uma campanha contrária ao projeto e a sua execução, orquestrada desde o início das obras em novembro de 2010. É preciso separar a minoria que age em decorrência do interesse político e que continua a criticar as obras de forma indiscriminada e precipitada, das críticas construtivas que devem ser sempre levadas em conta. Tanto é que tem sido cada vez mais difícil dentro da maioria que tem postura cidadã, encontrar alguém que ainda mantenha a mesma opinião em relação ao que tem sido feito.   

   É verdade que a falta de visão coletiva e de comunicação social prejudicou muito a adesão popular às obras propostas, mas isto tem sido superado pela própria excelência do que está sendo executado e que agora pode ser acompanhado pela população. Afinal, não foi uma boa ideia a colocação daqueles tapumes fechados de fora a fora na av. Antônio Carlos, prejudicando a circulação de pedestres e veículos e, o que é pior, dificultando a participação popular. Esses tapumes poderiam ter sido abertos como sugeriu o próprio arquiteto Gustavo Penna à época, assim como deveriam ter sido colocados apenas nos trechos que estavam realmente em obras. Durante muito tempo, boa parte da avenida ficou cercada sem qualquer necessidade. As críticas contundentes também tiveram eco na falta de informações consistentes e constantes sobre as obras, o que poderia contrapor ou mesmo impedir que chegassem às raias da falta de bom senso.

   Parece que a administração municipal considerou ser suficiente a realização de apenas duas audiências públicas para a apresentação do projeto, logo no início da sua execução, e ponto. Além disso, foram feitas algumas reuniões com moradores e comerciantes da região, como se o Centro da cidade não fosse de toda a população que ainda continua meio desinformada sobre o que está sendo feito até hoje. Pelo contrário, parecia que preferiam criar o clima de suspense, deixar mesmo todo mundo na dúvida, omitir o máximo possível os detalhes das obras, como se isto fosse necessário para impedir as interferências indesejadas. Não é assim que se faz no poder público, a atitude coerente e saudável seria ter municiado e fomentado a opinião pública o tempo todo com as devidas e boas informações. O que passou, passou, mas pelo menos deve servir de lição para que os responsáveis revejam essa postura e compreendam que foi tão ou mais prejudicial do que as escusas intenções políticas.

   Embora tenham diminuído bastante nessa fase de conclusão das obras, as críticas sem fundamento ainda persistem porque a comunicação com a população continua incipiente e falha. Um exemplo é criticar a falta de bancos na praça, sendo que o mobiliário não só da av. Antônio Carlos, como o do calçadão da rua Presidente Olegário Maciel compõem o projeto. Também não dá para considerar a opinião daqueles que criticam a falta de verde, de árvores no novo espaço. Pois parte do asfalto foi substituído por grama em toda a extensão da avenida numa atitude ambientalmente correta, tanto que o clima na área já pode ser sentido de forma mais amena. Além disso, dezenas de árvores estão plantadas não só no alinhamento central da avenida, como nas calçadas, de onde serão retirados todos os postes com a implantação da fiação subterrânea, outra modernidade que chega a Araxá.

   Também criticam a espécie de árvore escolhida, o “famigerado” pau-mulato, contrariando a opinião dos especialistas sobre as vantagens de sua utilização nas áreas urbanas. Sem falar da sua beleza e propriedades, como a da casca que é muito usada na cosmetologia para rejuvenescimento, aliás, o que tem tudo a ver com Araxá. O pau-mulato faz sombra sim, basta verificar os que estão plantados na av. Imbiara e que já têm um porte maior. A copada do pau-mulato faz mais sombra do que a das palmáceas e ciprestes plantados em várias outras regiões da cidade e que não têm a mesma identidade com Araxá. Inclusive, a sombra dessa espécie é alta o suficiente para não servir de esconderijo para marginais causando insegurança.
 
   Outro ponto de discórdia é o piso em granito que, ao contrário de alguns que insistem em dizer que escorrega, é antiderrapante inclusive quando molhado, sendo apropriado e muito utilizado no exterior em áreas urbanas, como nos EUA. Além disso, o fato de ser claro dá a sensação de limpeza, amplitude e não ofusca as vistas como argumentam aqueles que nem sabem mais o que criticar.  

   Até a construção do teatro municipal, há tanto tempo pleiteada pela população, tem sido menosprezada por uns, o que deve se inverter com a sua grande utilização para as artes cênicas, a música e a dança. A cultura araxaense é forte, significativa e merecia muito esse espaço. Embora esteja localizado em frente a um hospital, possui uma acústica especial e também está bem no coração do Centro Histórico da cidade, compondo com todo o restante do entorno, não é um elemento estranho à paisagem dali. Para os que ainda queixam sobre a falta de estacionamento, é bom saber que o mundo está melhorando porque até que enfim as pessoas passaram a ser mais importantes do que os bens de consumo, como os carros.

   Em inúmeros pontos turísticos do exterior, que comportam muito mais do que os 350 lugares do teatro municipal de Araxá, não há vagas para estacionamento de veículos. A intenção é fazer com que as pessoas andem a pé, de bicicleta e usem o transporte coletivo, porque em toda cidade do mundo em franco crescimento, chegará o dia em que o número de veículos superará o que comporta o espaço físico e, então, outras opções têm que ser criadas. Como por exemplo, os estacionamentos fechados e verticais.

   Por fim, até para os leigos, é um contrassenso dizer que as obras não foram feitas dentro do prazo normal de execução. Se houve alguns atrasos, como o ocorrido para ser iniciadas, é normal principalmente tratando-se de um bem público; também existiu um ritmo acelerado de trabalho porque estão sendo executadas em tempo recorde, em menos de dois anos, mesmo com a extensão da proposta, com os projetos específicos que engloba e os impactos que toda construção provoca. Como o Araxá Cine Festival acontecerá no teatro municipal em setembro próximo, conforme já anunciado pela prefeitura, essa fase de acabamento tem que estar concluída até lá.

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Clarim
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